Crédito: Manoel Evandro

Mesmo com a reabertura dos bares e restaurantes na capital mineira, muitos poderão não sobreviver aos efeitos da pandemia do Covid-19. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), Ricardo Rodrigues, cerca de 10% dos estabelecimentos da área ainda deverão fechar as portas definitivamente. Desde o início da crise na saúde que refletiu na economia, aproximadamente 35% dos negócios do setor já deixaram de existir na capital mineira, segundo ele.

Embora tenha uma visão um pouco mais otimista e não acredite em mais falências por ora, o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindbares), Paulo Pedrosa, destaca que os estabelecimentos recuperaram apenas 50% do movimento. Um regresso aos níveis pré-pandemia, diz ele, só deverá ocorrer no ano que vem.

Os motivos para esse cenário são vários. Rodrigues, da Abrasel, detalha, por exemplo, que as despesas dos negócios do setor voltaram aos mesmos patamares de antes. Além disso, os protocolos de segurança ainda são muito rígidos, pontua ele, tanto no que diz respeito aos horários de funcionamento quanto no que se relaciona aos formatos adotados. “Há muitas restrições”, avalia.

O presidente da Abrasel relata, por exemplo, o que tem acontecido nos estabelecimentos self service, onde as pessoas não podem, no momento, servir a própria comida – é necessário que um colaborador do local faça isso. “O formato self service perde completamente a lógica. Ao mesmo tempo, desde o início da pandemia, padarias, por exemplo, trabalham nessa mesma linha, no mesmo formato, quando as pessoas vão pegar o pão”, diz.

Para Pedrosa, do Sindbares, o movimento menor nos bares e restaurantes também está muito relacionado ao próprio comportamento do consumidor. Para ele, as pessoas ainda têm muito medo de frequentar vários locais, por causa da pandemia. “O cliente de restaurante está receoso”, destaca.

A saída, segundo Pedrosa, é os estabelecimentos avaliarem a questão dos preços. Para o presidente, não é hora de aumentá-los, pelo contrário: o momento pede promoções e até mesmo a diminuição da margem de lucro.

“Quem não reduzir preço e não fizer promoção vai ficar lamentando. Além disso, é importante cortar custos, economizar, combater o desperdício”, afirma.

Futuro – Não há muitas perspectivas de que as coisas voltarão ao que eram antes, talvez nem em longo prazo, por mais que exista uma vacina contra a Covid-19.

Falando de algo mais próximo, nem mesmo o fim de ano anima o setor. Se antes essa época era sinônimo de lucros mais significativos, por causa das festividades e reuniões, agora tudo isso parece bem distante. “Vamos ter um fim de ano absolutamente normal, nada excepcional. Primeiramente, porque nem vai ter festas”, diz Pedrosa, do Sindbares.

Além disso, o consumo das pessoas também pode mudar. Já se fala em uma realidade que diversas empresas irão permanecer com os colaboradores em home office, mesmo após o fim da pandemia. Isso refletirá no movimento dos restaurantes que ficam ao redor de diversos empreendimentos.

“O home office tem trazido uma queda. O necessário agora é se adequar a essa realidade. Estabelecimentos que vendiam, em média, 500 refeições a quilo diariamente, poderão não voltar a isso, pois o entorno não terá mais a mesma quantidade de pessoas”, pondera Rodrigues, da Abrasel.