Venda de usados e seminovos recua em Minas, mas carros com mais de 13 anos avançam 8,3%

Vendas no Estado caíram 0,5% em setembro e acumulam retração de 0,7% no ano, enquanto Brasil avança 5,4%
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Venda de usados e seminovos recua em Minas, mas carros com mais de 13 anos avançam 8,3%
Foto: Divulgação/ Fenauto

O mercado de veículos seminovos e usados em Minas Gerais apresentou leve retração de 0,5% em setembro na comparação com o mês anterior. De acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), foram comercializadas 209.825 unidades no Estado, contra 210.967 em agosto. Os números incluem automóveis, comerciais leves e pesados, motocicletas, entre outros veículos.

No acumulado do ano, o mercado mineiro também apresenta retração. Foram comercializadas 1.749.691 unidades entre janeiro e setembro de 2026, ante 1.761.980 no mesmo período do ano passado, diferença de 12.289 veículos e queda de 0,7%.

A queda registrada em setembro no Estado foi menor que a observada no Brasil, de 1,6%. No acumulado do ano, porém, o desempenho nacional é positivo: as vendas cresceram 5,4% e alcançaram a marca histórica de 14.205.505 veículos negociados entre janeiro e setembro de 2026. Em Minas Gerais, o mercado não acompanhou o avanço nacional e acumula queda de 0,7% no período.

Para o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Glênio Leonardo de Oliveira Júnior, a retração registrada no Estado é pequena e está mais relacionada a um movimento de ajuste do mercado do que à perda de força do setor.

“Essa queda em Minas Gerais é mais uma questão de ajuste de mercado, de estoque. O lojista, muitas vezes, está com estoque realmente antigo. Hoje, o lojista tem que girar para não ficar com o carro usado”, afirma.

Apesar da retração, a Assovemg avalia que o mercado segue aquecido e pode reagir nos últimos meses do ano. O presidente da entidade aponta ainda que o cenário econômico e as expectativas em torno das eleições influenciam as decisões de consumidores e lojistas.

“Uma das coisas que eu acho que está interferindo um pouco é a questão da eleição. Todo mundo está querendo entender o cenário que realmente vai acontecer”, diz.

Na avaliação do presidente da Assovemg, a tendência é de maior movimentação no fim do ano. “Nós acreditamos realmente que novembro e dezembro serão meses completamente ativos, diferente”, diz.

A expectativa de desempenho positivo também se estende ao mercado nacional. “Ano passado vendemos a nível nacional 18 milhões de unidades e a expectativa este ano era de alcançar os 20 milhões. Com os números de hoje até o mês de setembro, estimo que o mercado nacional deva atingir 19 milhões ou próximo disso”.

O presidente da Assovemg lembra ainda que Minas Gerais registrou recorde de financiamento de veículos e avalia que o resultado reforça o cenário positivo para o setor. “Esses dados mostram a positividade do mercado que tem crédito para quem quer comprar e financiar”.

Outro movimento apontado por Oliveira Júnior é o avanço das vendas de veículos elétricos e híbridos. “A chegada de mais oito marcas no Brasil até o final do ano que vem, a tendência é aumentar o volume de negociações e a procura por carros elétricos e híbridos”, diz.

Desempenho por segmento

Na análise por segmento em Minas, a retração foi mais acentuada entre os veículos comerciais pesados. De agosto para setembro, as vendas da categoria recuaram 21,6%. Os automóveis também apresentaram queda, de 0,5%. Na direção oposta, as vendas de comerciais leves e motocicletas cresceram 2,1% e 0,4%, respectivamente.

No acumulado do ano, apenas as motocicletas registraram crescimento na comparação com o mesmo período de 2025, com alta de 6%. As demais categorias apresentaram retração: automóveis (-1,5%), comerciais leves (-9,2%), comerciais pesados (-5,4%) e outros (-1,6%).

Na análise por tempo de uso, os modelos classificados pela Fenauto como “velhinhos”, com 13 anos ou mais, foram os únicos a registrar alta em setembro, de 0,9%. No acumulado do ano, esse grupo também apresenta o maior crescimento, de 8,3%.

Para Oliveira Júnior, um dos fatores que ajudam a explicar a procura por veículos mais antigos é a alíquota de 4% do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) cobrada sobre automóveis em Minas Gerais, que, segundo ele, está entre as mais altas do País. “A maioria dos estados do Brasil é entre 1,5% e 3%. Então, isso influencia a busca por carros mais velhos e consequentemente mais baratos”, avalia.

Na avaliação dele, o IPVA “realmente pesa” na decisão de compra. “Um carro de R$ 100 mil é R$ 4 mil de IPVA. Um carro de R$ 50 mil é R$ 2 mil. E todo ano você pagando o IPVA, olha a depreciação grande, real que o carro acaba tendo”, resume.

VW Gol foi o carro mais vendido em setembro

Entre os automóveis usados e seminovos, o VW Gol foi o modelo mais vendido em Minas Gerais em setembro, com 10.851 unidades negociadas. Veja os três primeiros colocados por categoria:

Automóveis:

  • 1º VW Gol – 10.851 unidades (9,24%)
  • 2º Fiat Palio – 7.432 unidades (6,33%)
  • 3º Fiat Uno – 6.981 unidades (5,94%)

Comerciais leves:

  • 1º Fiat Strada – 6.976 unidades (27,22%)
  • 2º VW Saveiro – 3.771 unidades (14,71%)
  • 3º Fiat Toro – 2.904 unidades (11,33%)

Motos:

  • 1º Honda CG 150 – 16.139 unidades (28,16%)
  • 2º Honda CG 125 – 6.090 unidades (10,63%)
  • 3º Honda NXR 150 – 5.108 unidades (8,91%)
    Sobre o autor

    Juliana Sodré

    Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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