COTAÇÃO DE 26/11/2021

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,5950

VENDA: R$5,5960

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,6300

VENDA: R$5,7570

EURO

COMPRA: R$6,3210

VENDA: R$6,3222

OURO NY

U$1.792,60

OURO BM&F (g)

R$322,88 (g)

BOVESPA

-3,39

POUPANÇA

0,4620%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Economia
Crédito: Alvaro Leiva

O agravamento da crise econômica na Argentina, que culminou no pedido de moratória ao Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual o país vizinho tem uma dívida de US$ 57 bilhões, pode afetar a economia de Minas Gerais, uma vez que o Estado tem a Argentina como um importante parceiro comercial no setor da mineração, automotivo, químico e têxtil.

De acordo com o doutor em Ciências Políticas, mestre em Relações Internacionais e professor auxiliar do Ibmec BH, Christopher Mendonça, Minas Gerais é um estado que tem muitas negociações comerciais com a Argentina e, por isso, pode sofrer queda nas exportações destinadas ao país vizinho.

PUBLICIDADE

Ainda segundo Mendonça, a declaração de moratória é um resultado de um processo eleitoral que já foi iniciado e no qual o presidente, Maurício Macri, perdeu as prévias. Com isso, a Argentina vem passando por uma instabilidade política, que gera uma instabilidade econômica. Mendonça explica ainda que o maior credor da Argentina é o FMI, com o qual o país tem uma dívida muito considerável de R$ 57 bilhões.

“Ao declarar a moratória, isso impacta de forma muito negativa sobre toda a questão de confiança do mercado. A tendência é que as empresas reduzam os investimentos na Argentina em razão do desequilíbrio econômico que eles estão vivendo. Minas Gerais está na crista dessa crise econômica, exatamente pelo grande fluxo de mercado que existe entre o Estado e o país vizinho. Minas Gerais é exportadora de minério de ferro, carros, produtos têxteis, entre outros produtos”.

Ainda segundo Mendonça, a situação é complicada para o Estado, que já vem enfrentando problemas sérios do ponto de vista econômico.

“Os eventos que aconteceram relativos à mineração (rompimento de barragens) fizeram com que a atividade mineradora caísse muito. Tendo a Argentina como um mercado para onde exportamos produtos da mineração, o impacto será sentido tanto na Argentina como no Estado. Em 2001, a Argentina também declarou moratória e Minas Gerais foi muito prejudicado. No período, os acordos comerciais caíram muito”.

O professor de estratégia da Fundação Dom Cabral, Paulo Vicente dos Santos Alves, explica que, assim como Minas Gerais, o impacto negativo será sentido na economia brasileira, uma vez que o país vizinho é o terceiro maior parceiro comercial, atrás somente da China e dos Estados Unidos.

“O Brasil todo vai sofrer. A moratória foi uma surpresa completa. A situação econômica na Argentina já estava ruim, mas não se esperava que fosse decretada moratória agora. A Argentina importa produtos nossos e, com essa situação, vai perder crédito. É uma historia recorrente com a Argentina, infelizmente. A situação é ruim economicamente e, com a moratória, antes das eleições, a situação deve degringolar ainda mais”.

Ainda segundo Alves, o impacto será sentido na economia brasileira e de Minas. “O Brasil tem que se preparar porque a economia do mundo está entrando em uma fase ruim. A Argentina não é exceção. Em Minas, os impactos negativos poderão ser sentidos nos setores automotivo e indústria química, por exemplo”.

Observação – O consultor de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Alexandre Brito, explica que existe um receio em relação aos impactos negativos que a declaração de moratória Argentina pode causar na economia do Estado, porém, é preciso tempo para observar como as negociações do país vizinho com o FMI vão caminhar.

“A gente precisa perceber a extensão desse momento de crise primeiro, porque, às vezes, pode-se estancar determinado processo a nível financeiro e de comunicação. Como os negócios são feitos a médio prazo, muitas vezes, isso perpassa e você continua tocando os negócios normais. Porém , se uma crise dessa se sustentar, se agravar pode ter efeito negativo não só em Minas Gerais, mas em todo o País. A Argentina é um mercado importante para os produtos de todos os setores da indústria, que exporta um volume considerável”.

Ainda segundo Brito, pode haver medidas e entendimentos da Argentina com o FMI que provoquem turbulências, mas que podem estancar uma crise financeira mais grave.

“Algumas garantias de pagamento, são elementos que podem sustar a crise e não afetar os negócios”.

Títulos em queda com corte de rating

Buenos Aires e Londres – Os combalidos títulos da Argentina caíram ainda mais na sexta-feira (30), depois que um corte na nota de crédito do país pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s desencadeou ordens automáticas de vendas por parte de grandes fundos de pensão da Alemanha.

Os spreads de risco dispararam para níveis não vistos desde 2005, enquanto a moeda local aprofundou sua desvalorização no ano para 36%, forçando o banco central a novamente intervir no mercado de câmbio e intensificando preocupações com a capacidade do governo de honrar sua dívida em moeda estrangeira.

A S&P Global reduziu o rating da Argentina para “CCC-”, nível mais especulativo dentro da grade de notas da agência, dizendo que um plano do governo anunciado na quarta-feira para estender “unilateralmente” os vencimentos de muitos títulos provocou um breve default.

O corte levou a classificação média entre as três grandes empresas de classificação -S&P, Moody’s e Fitch – até a “CCC”. Para muitas grandes instituições alemãs, esse nível é classificado como muito arriscado para que os papéis sejam mantidos em carteira, sob as regras da VAG, as quais exigem que os fundos sejam vendidos dentro de seis meses.

Os bônus argentinos denominados em euro e com vencimento em 2033 caíram 4,7 centavos. O vencimento 2027 cedia quase 2 centavos. O peso caía 1,7%, a 58,77 pesos por dólar.

“Um rating ‘CCC’ é realmente mais significativo que um (rating de) default”, disse Edwin Gutierrez, chefe da dívida soberana de mercados emergentes da Aberdeen Standard.

A onda de vendas nos mercados argentinos dá sequência aos impactos nos ativos vistos desde que o presidente Mauricio Macri, tido como pró-mercado, foi surpreendido pela liderança do peronista populista Alberto Fernández nas eleições primárias em agosto.

O banco central anunciou na sexta-feira que começará a comprar dívida de curto prazo de fundos mútuos locais afetados pelo plano do governo de estender os vencimentos dos títulos. (Reuters)

Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!