Plano da Mori é construir 32 usinas fotovoltaicas em Minas Gerais nos próximos anos - Crédito: Marcos Santos

A Mori Energia, empresa especializada em investir e operar ativos ligados à energia renovável de geração distribuída, concluiu a emissão de R$ 300 milhões em debêntures não conversíveis em ações. Trata-se da maior operação já registrada no Brasil para segmento de geração distribuída. Os recursos captados financiarão parte da construção, implantação e desenvolvimento de projetos de geração de energia solar distribuída em Minas Gerais.

Ao todo serão 32 usinas fotovoltaicas que serão instaladas nas cidades de Bocaiúva, Bonfinópolis, Brasilândia, Corinto, Francisco Sá, Janaúba, Lagoa Grande, Lontra, Manga, Mato Verde, Mirabela, Paracatu, Pirapora e Porteirinha e juntas terão capacidade instalada total de 129 megawatts de corrente alternada (MWac).

De acordo com o diretor de novos negócios da Mori Energia, Ivo O. Pitanguy, os projetos já foram iniciados e demandarão outros R$ 350 milhões de capital próprio da empresa. Segundo ele, inicialmente, o aporte não seria financiado, mas diante das oportunidades do mercado, a empresa optou por ir ao mercado oferecer as ações.

“A combinação de taxa de juros baixa e inflação baixa trouxe um cenário interessante de custo de capital com preço bem competitivo. Estipulamos o prazo de dez anos e estamos satisfeitos com o resultado. Com o capital refinanciaremos parte dos projetos ou usaremos para outras frentes de atuação que ainda não chegaram ao estágio de aporte”, explicou.

O responsável pela coordenação da 1ª emissão de debêntures da Mori Energia foi o Banco Bradesco BBI S.A.

Plano – Conforme publicado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, em agosto, em uma proposta agressiva de assumir a liderança do mercado de produção de energia solar fotovoltaica, a empresa já aprovou a instalação de mais dez usinas no Estado no primeiro semestre do ano que vem. Algumas unidades possuem parceria de distribuição com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A planta instalada em Janaúba é uma delas.

A escolha por Minas Gerais, segundo a empresa, se deu por uma série de fatores, entre os quais está a disponibilidade de áreas com elevada irradiação solar e os incentivos do governo do Estado para impulsionar a tecnologia, a partir da Lei 21.713, de 2017, que estimula a produção e a comercialização deste tipo de energia em terras mineiras a estabelecimentos com atividade de geração, transmissão ou comercialização de energia solar.

A norma estabelece o prazo de 20 anos para a concessão de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) relativos à aquisição de energia solar produzida no Estado.

Liquidação de operações tem R$ 8 bilhões em aberto

Rio e São Paulo – A liquidação de operações do mercado elétrico teve cerca de R$ 8 bilhões em aberto em outubro, de um total de R$ 9,94 bilhões cobrados junto aos agentes que operam no segmento, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) ontem.

Dessa forma, a liquidação, que promove pagamentos e recebimentos entre as empresas que atuam no mercado elétrico, movimentou R$ 1,93 bilhão.

Do valor não pago, R$ 7,93 bilhões devem-se a liminares que protegem algumas elétricas de custos relacionados ao chamado risco hidrológico (GSF) na operação de suas usinas e R$ 80 milhões representam outros valores em aberto na liquidação.

Os agentes que possuem decisões judiciais vigentes para não participarem do rateio da inadimplência oriunda de liminares do GSF perceberam adimplência próxima de 85%; e os agentes amparados por decisões que determinam a incidência regular das normas perceberam adimplência de 12%, segundo a CCEE.

Não houve recursos para efetivar os pagamentos aos agentes que não estão beneficiados por decisões judiciais, acrescentou a câmara.

A operação, realizada pela CCEE, envolveu 8.528 agentes, sendo 980 devedores e 7.548 credores.

Moody´s – A agência de classificação de risco Moody’s manteve estável a perspectiva para a indústria de distribuição e transmissão de energia no Brasil em 2020, em meio a um ambiente regulatório favorável, conforme relatório publicado ontem.

Nos próximos 12 a 18 meses, as companhias de distribuição se beneficiarão de aumento na demanda, enquanto aquelas focadas na transmissão continuarão ganhando com receitas baseadas em disponibilidade, pontuou a Moody’s na análise.

“Esperamos que o consumo de energia cresça cerca de 2,6% no ano que vem, o que levará a fluxos de caixa combinados mais fortes para companhias de distribuição, mas são os esforços para reduzir despesas operacionais que sustentarão as margens próximas de 15%”, disse a vice-presidente e analista sênior da agência de risco, Cristiane Spercel.

“Para as companhias de transmissão, as margens provavelmente permanecerão na faixa de 75%-80%”, acrescentou.

A redução de alavancagem, segundo a agência, é limitada devido às elevadas necessidades de investimento das empresas desses setores.

Embora a qualidade dos serviços venha melhorando, as perdas de energia permanecem elevadas, o que pode levar a potenciais metas regulatórias mais restritivas e exigências de investimentos mais elevados, segundo o relatório.

A Moody’s ressaltou, no entanto, que a perspectiva para o segmento de distribuição “pode mudar para positiva se as margens de caixa operacional permanecerem acima de 15%”. Por outro lado, pode haver redução das expectativas, para negativas, se essas métricas caírem abaixo de 7%.

Já para o setor de transmissão, uma perspectiva positiva é provável se as margens permanecerem acima de 85% em uma base sustentável, enquanto margens caindo abaixo de 70% podem levar a uma perspectiva negativa. (Reuters)