CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

O fluxo de passageiros no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins (RMBH), caiu 96% em abril, em função da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), das medidas de restrição de circulação de pessoas e da consequente suspensão de voos em todo o País.

Ao todo, cerca de 35 mil passageiros passaram pelo terminal no mês passado, enquanto eram esperados números próximos de 1 milhão. Os voos diminuíram de uma média diária de 350 para menos de 30 por dia.

As informações são do gestor de Marketing, Comunicação e Ouvidoria da BH Airport, concessionária que administra o aeroporto, Nicolau Maranini. Segundo ele, ao que tudo indica, o aeroporto deverá encerrar 2020 com 70% da movimentação de passageiros prevista inicialmente para o exercício, totalizando 12,2 milhões de pessoas. Caso a estimativa se confirme, pouco mais de 8,5 milhões de pessoas terão embarcado e desembarcado no terminal no decorrer deste exercício.

Aeroporto-indústria – Para tentar amenizar as perdas de receitas, a empresa vai investir em outras frentes que não dependam de passageiros, como é o caso do aeroporto-indústria, recentemente homologado pela Receita Federal e cujas negociações seguem a todo vapor.

“Criamos um grupo de trabalho para listar vários projetos que não dependem da movimentação de passageiros, como o próprio aeroporto-indústria. Há pelo menos seis negociações em andamento com empresas que desejam se instalar na região e vários pedidos de instalação sendo analisados”, revelou.

A expectativa, conforme ele, é que, além da Clamper Indústria e Comércio S/A, pelo menos mais uma empresa entre em operação no terminal no decorrer do segundo semestre.

No mês passado, o CEO da Amerisolar Brasil – joint venture entre Nova Renováveis e a chinesa Amerisolar -, Gustavo Henrique de Almeida, revelou ao DIÁRIO DO COMÉRCIO que a empresa iniciaria, em julho, as operações no terminal. Segundo ele, instalada desde o início do ano no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, a multinacional, que, até então, apenas importava e comercializava os equipamentos de energia solar, passará agora a produzi-los em território mineiro.

Balanço – Sobre a movimentação de passageiros, Maranini disse que os números de março foram razoáveis, uma vez que a doença ainda não havia se espalhado pelo País e a suspensão dos voos ainda era parcial. Neste sentido, dados da concessionária revelam que, ao todo, foram 539.715 passageiros no terceiro mês deste ano contra 884.163 na mesma época de 2019, indicando recuo de 39% entre os períodos.

Desta maneira, no primeiro trimestre, o número de movimentação de pessoas foi de 2,471 milhões sobre 2,715 milhões no acumulado de janeiro a março do exercício passado. Isso indica recuo de quase 9% entre os trimestres.

No caso de abril, conforme o gestor, enquanto o fluxo de pessoas que passaram pelo terminal foi de 35 mil pessoas, no quarto mês do ano passado o número chegou a 879 mil passageiros.

“Já em maio, pelo o que as companhias aéreas estão falando, deveremos ter um pequeno aumento tanto no número de voos, quanto no volume de passageiros. Mas a demanda maior deverá vir somente a partir de junho”, apostou.

Enquanto isso, conforme Maranini, o aeroporto se prepara adotando todas as medidas e recomendações dos órgãos e autoridades de saúde. “Para o período de baixa demanda, fechamos o terminal internacional, o terminal 2, parte do estacionamento, colocamos todo nosso time em home office e revisamos diversos contratos de prestação de serviços. Agora, para o retorno, vamos tomar todas as medidas necessárias para a segurança dos profissionais do aeroporto, das companhias e também dos passageiros”, garantiu.