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Pandemia deve afetar economia em 2021

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Crédito: Amanda Perobelli / Reuters

Daniel Vilela

O ano de 2020 ainda não chegou ao fim, e muito menos a pandemia, mas, para muitos especialistas, o momento é de tentar medir o impacto que o coronavírus causou na economia brasileira e prever as reverberações que serão sentidas ainda em 2021.

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Segundo a Agência Senado, o total de despesas autorizadas com a pandemia neste ano é de R$ 591,8 bilhões, sendo R$ 322 bilhões destinados somente para o pagamento do auxílio emergencial. Em ano com tantos gastos, economistas preveem baixo crescimento em 2021.

Entre outros gastos governamentais estão as despesas com as ações emergenciais voltadas para empresas, que somaram R$ 140 bilhões até o final de outubro, de acordo com dados da Câmara dos Deputados. Para o professor de economia do Ibmec, Paulo Pacheco, um dos principais problemas a serem enfrentados em 2021 é o aumento da dívida pública. “O governo federal, por uma ajuda direta às famílias e também algumas ajudas às empresas, fez a dívida pública estourar. Sempre que falamos de dívida é para o futuro e terá de ser pago”, alerta.

A relação entre a dívida pública do governo federal e o Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 90,6% em outubro deste ano, segundo o Banco Central. Com relação à dívida pública, o professor de economia do Ibmec explica que a principal questão levantada por especialistas é de que forma as intenções do governo em emitir novos títulos será vista pelo mercado.

“O mercado precisa estar com apetite para comprar esses títulos, se ele não acreditar, irá exigir ganhos maiores, o que levaria o governo a subir a Selic. A previsão é que teremos aumento da taxa de juros no próximo ano”, diz. Já para o economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, a inflação no primeiro semestre não será algo tão preocupante a ponto de levar o Banco Central (BC) a remanejar a taxa Selic. “Mas isso ainda depende do ritmo da pandemia e da manutenção do descompasso entre oferta e demanda. Se isso se mantiver no primeiro semestre, pode ser que, na segunda metade do ano, o BC tenha que mexer na taxa base”, pondera.

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Segundo o economista do Ibmec, outro problema que o governo terá que enfrentar em 2021 é a inflação. O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) acumulado dos últimos 12 meses está em 24,52%, e, de acordo com Pacheco, os primeiros impactos serão sentidos durante a renovação dos contratos de planos de saúde e aluguéis.

“Existe também a expectativa de alta do custo de energia, combustíveis, principalmente. O consumo de combustível vem retornando, os preços já começam a ficar mais pressionados, e a retomada aos valores de antes da pandemia se torna inflação”, explica.

Segundo o pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Cláudio Considera, a inflação não deve fugir do controle em 2021. “A inflação deve subir um pouco, isso por causa da escassez de insumos. Mas o quanto ela irá subir vai depender um pouco da demanda no início do próximo ano”.

O professor de economia do Ibmec pontua ainda que a alta taxa de juros aliada à inflação crescente são um cenário propício para o surgimento de uma nova recessão. “O único jeito é reduzir os gastos públicos, fazer reformas. Sem elas, o próximo ano será de baixo crescimento e pouca geração de emprego”, afirma o especialista.

Reformas – Segundo o economista da Fecomércio-MG, a realização das reformas administrativa e tributária aumentaria a confiança dos investidores no governo. “Se o governo já sinalizar que irá fazer essas reformas estruturais, isso tem potencial para atrair investimentos. É algo que acredito que deva estar na pauta do governo já no primeiro semestre”, comenta.

Mercado de trabalho pode ter piora sem o auxílio

Na opinião do professor de economia do Ibmec Paulo Pacheco, é praticamente impossível para o governo manter o pagamento do auxílio emergencial para o próximo ano. “É como um chefe de uma família onde todos estão endividados. Ele pode tomar um novo empréstimo e manter o padrão de vida de todos, mas, no fim das contas, tudo é dívida”, explica.

Para o economista-chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida, o auxílio emergencial tem importância social e seu fim irá trazer efeitos para famílias e empresários. “Sabemos da necessidade do auxílio emergencial, mas provavelmente ele não será continuado. O comércio sentirá o impacto disso logo no início do ano, que já é um período de baixo consumo. A preocupação que fica é se isso pode deteriorar ainda mais a situação do mercado de trabalho”, salienta.

Almeida destaca que a recuperação será demorada. “A gente tem um problema muito grande no mercado de trabalho. Um ponto que poucas pessoas estão observando é a taxa de participação na força de trabalho. Quando a economia começar a se recuperar, muitas pessoas que estavam à margem do mercado de trabalho, que não estavam nem trabalhando nem procurando trabalho, vão voltar a procurar uma posição e isso vai aumentar a taxa de desemprego”, explica.

Mesmo com grandes desafios à frente, Pacheco acredita que, economicamente, o pior já passou. “Estamos produzindo novamente, as cadeias produtivas voltaram. A indústria já está perto da produção pré-Covid, somente o setor de serviços ainda está em baixa. Eu tenho certa tranquilidade para dizer que o ano que vem será um ano melhor”, comenta.

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