Crédito: Bruno Henriques Corrêa/AVIVA

Enquanto a maioria das atividades econômicas já amarga perdas com a crise causada pelo novo coronavírus (Covid-19), outras estão sendo beneficiadas pela nova realidade imposta pela doença. Este é o caso do setor logístico.

As demandas da Log Commercial Properties, empresa especializada em aluguel de galpões e condomínios logísticos, que tem os donos da MRV como principais acionistas, cresceram de tal maneira que o projeto “Todos por um” poderá ser dobrado até 2024.

A informação é do CEO da Log, Sérgio Fischer. Segundo ele, embora ainda seja cedo para entender como a demanda vai se comportar no restante do ano, a empresa já prospecta terrenos em novas regiões para construção de galpões para além dos 1 milhão de metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) previstos no plano de expansão da companhia. Lançado no ano passado, o “Todos por um” prevê o investimento de R$ 1,5 bilhão entre 2020 e 2024 em todo o País.

“Podemos, eventualmente, até expandir nosso plano de expansão. Não sabemos ainda se dobrando ou ampliando em 50%. Mas, é certo que estamos sendo beneficiados com esse novo cenário. Percebemos uma demanda muito forte para galpão logístico classe A, principalmente pelo fato da Log oferecer um modelo diferenciado, com atuação nacional”, explicou.

A empresa conta com complexos logísticos não apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas também em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Bahia, Sergipe e Ceará. Além disso, segundo Fischer, há aproximadamente 160 milhões de metros quadrados de ABL de galpões no Brasil. Mas só 10% deles são classe A.

“Um galpão classe A tem até 12 metros de pé direito e permite operações verticais de até seis andares. Além disso, a distância entre os pilares é de pelo menos 11 metros. O complexo conta ainda com diferenciais como pátio de manobra, refeitório e dormitórios. Alguns funcionam quase que como uma cidade”, explicou.

A procura, conforme o CEO, tem vindo de empresas de e-commerce – segmento que tem se beneficiado da crise – e por clientes que buscam migrar para empreendimentos de maior qualidade, movimento conhecido como “fly-to-quality”. Atualmente, 25% dos clientes da Log estão no mercado de e-commerce ou ligados diretamente ao segmento.

Assim, a companhia que atua neste momento em 27 municípios em nove estados no País, já prevê a construção de galpões em outras dez novas cidades ainda neste exercício. No foco estão cidades sugeridas por alguns dos mais de 200 clientes da companhia. “São municípios que não pensávamos em ir agora, mas que por demanda de nossos clientes estamos avaliando”, disse.

Sobre as perspectivas pós-pandemia, o executivo avaliou que as vendas pela internet deverão prevalecer como tendência. De acordo com ele, em abril já foi possível perceber a busca por mais galpões por parte dos clientes do e-commerce. “O hábito de consumo mudou muito rápido. Muitas empresas foram forçadas a adotar a estratégia de venda e grandes operadores logísticos do Brasil vieram nos procurar. Ainda assim, apenas 5% do varejo nacional está na Internet, enquanto no Estados Unidos esse índice é de 12% e na China de 25%. Ainda temos muito espaço para crescer”, ressaltou.

Atualmente, a empresa já trabalha com taxa de ocupação de quase 100%. A vacância está em 4,5%, uma das mais baixas da história da companhia, que abriu capital no fim de 2018 e em outubro do ano passado fez captação de recursos na bolsa ao colocar mais ações à venda, por meio de um follow-on, capitalizando-se em R$ 640 milhões para realizar novo ciclo de crescimento.

Resultados – Em relação aos resultados do primeiro trimestre de 2020, o executivo destacou a entrega de 10 mil metros quadrados de ABL próprio em março já 100% locado; renovação de 75% dos contratos de locação que venceram no período e relocação em apenas 1,7 mês todos os espaços devolvidos; lucro líquido de R$ 17,5 milhões versus R$ 13,1 milhões na mesma época de 2019 e o alcance de R$ 34 milhões de receita operacional líquida nos primeiros três meses deste ano, 13,4% frente à mesma época do exercício anterior.

Além disso, a Log encerrou o primeiro trimestre deste ano com aproximadamente 47,4 mil metros quadrados de ABL próprio em construção, levando em consideração a nova obra BTS no Parque Industrial de Betim. Desse total, 18,7 mil metros quadrados têm previsão de entrega nos próximos meses.

O BTS no Parque Industrial de Betim é o primeiro projeto de galpão com contrato atípico no local e será desenvolvido pela Log. Este contrato, com uma subsidiária da ArcelorMittal terá inicialmente 11 mil metros quadrados de ABL e terá retorno estimado de 11,6%, mas poderá atingir até 44 mil metros quadrados de ABL, incluindo a implantação de uma fábrica na última etapa. As obras foram iniciadas em abril e a previsão de entrega é para o primeiro trimestre de 2021.

Barreiro – Sobre o complexo industrial e logístico a ser construído na região do Barreiro em parceria com o Grupo EPO, Fischer afirmou que ainda se encontra na fase de aprovação pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), mas que a empresa tem grande expectativa quanto ao projeto. “É um projeto bem robusto e com complexidades para aprovação demandando muitos estudos. Mas será um ganho para a região nos próximos anos”, comentou.

Com investimentos estimados em aproximadamente R$ 180 milhões e ABL de 160 mil metros quadrados, o empreendimento deve abrigar quatro condomínios logísticos e um centro comercial no formato power center, com variedade de comércio, incluindo supermercado e lanchonete, e vasta prestação de serviços.