A Feira Hippie poderá retomar as atividades no próximo dia 27, entre a avenida Carandaí e a Praça Sete | Crédito: Luciana Montes

Há seis meses, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) publicava o Decreto nº 17.304, limitando o funcionamento de diversas atividades na cidade, em vistas de combater a disseminação do novo coronavírus.

Agora, diante da manutenção dos índices epidemiológicos em níveis considerados seguros, o Comitê de Enfrentamento ao Covid-19 tem anunciado, semanalmente, o retorno dos setores, desde que adotados os protocolos de segurança elaborados em conjunto com representantes de cada área.

Dessa vez, foram contemplados os clubes de lazer (que poderão abrir a partir do dia 26 de setembro) e a Feira Hippie (que poderá funcionar a partir do próximo dia 27 – da avenida Carandaí até a Praça Sete).

Além disso, bares e restaurantes agora poderão funcionar de segunda-feira a domingo, de 11h às 22h, com venda de bebidas alcoólicas a partir das quartas-feiras, sempre de 17h às 22h. As apresentações ao vivo nestes locais também estão liberadas, desde que os músicos fiquem separados da plateia por um anteparo de acrílico e as praças de alimentação nos shoppings – estão autorizadas de 12h às 22h, sendo que as lojas continuam até as 20h.

O anúncio foi feito pelo secretário municipal de Saúde e coordenador do Comitê, Jackson Machado Pinto, que ressaltou a necessidade de a população manter os cuidados, pois a pandemia não acabou, a doença é grave e o nível de mortalidade ainda é muito alto. Por isso, o recuo na flexibilização, caso necessário, não está descartado.

“Caso os indicadores piorem, é possível um retrocesso à fase anterior ou até mesmo ao funcionamento apenas dos serviços essenciais. O Comitê nunca esteve insensível ao sofrimento de quem não trabalhou neste período. Pelo contrário, a gente sempre teve a preocupação e sofreu muito quando os segmentos deixaram de auferir ganhos com seu trabalho e isso trazia muita angústia para todos nós. Mas precisamos seguir a risca as recomendações de saúde”, explicou.

Machado ressaltou que um balanço sobre os últimos seis meses pode ser resumido em: muitos acontecimentos, muito trabalho, muita pressão e muitas dúvidas. Mas disse ousar dizer que o grande acerto do Comitê foi ter aconselhado o prefeito a fechar a cidade logo nos primeiros casos, em março.

“Foram muitas medidas e um trabalho intenso para aumentar o número de leitos e manter a curva de casos abaixo da oferta de serviços”, completou.

Os infectologistas que fazem parte do Comitê de Enfrentamento da PBH, Carlos Starling, Estevão Urbano e Unaí Tupinambás também participaram da coletiva e avaliaram o trabalho que vem sendo feito pelo executivo municipal. Starling citou como outro ponto fundamental, a adesão da população às medidas que foram estabelecida.

“Por isso conseguimos manter uma das maiores regiões metropolitanas do País com a menor taxa de mortalidade por milhão de habitantes. O período de isolamento foi essencial para a preparação do serviço de saúde e a consciência está sendo fundamental para a manutenção dos índices em níveis seguros durante a retomada”, afirmou.

Ainda conforme o médico, tudo foi e está sendo feito de forma coerente. Segundo ele, há hoje um momento confortável para seguir com a flexibilização progressiva. Entretanto, estamos só começando a descer a curva da doença.

“Existe sofrimento na subida, no platô e na descida. E se houver relaxamento nos cuidados, certamente teremos problemas pela frente. A epidemia está longe de acabar. Não existe uma perspectiva próxima de definição definitiva”, ressaltou.

Colaboração – Estevão Urbano, por sua vez, destacou que mais de 80% dos belo-horizontinos estão colaborando para o combate da disseminação da doença, respeitando o distanciamento social e o uso de máscaras. E lembrou que os cerca de 20% mais resistentes, possivelmente contribuíram para algumas mortes.

“Quem não consegue compreender o problema de quase 1 milhão de mortes no mundo e 140 mil mortes no País, sem saber, acabou contribuindo com algum óbito”, alertou.

Secretário ressalta adesão da população

O secretário Municipal de Orçamento e Gestão, André Reis, comentou que a adesão da população de Belo Horizonte realmente é de se ressaltar. Isso porque, conforme ele, antes da pandemia, o isolamento na capital mineira, ou seja, pessoas que não de deslocavam, por diversos motivos, era de 35%. No pico das medidas, chegou a 50% e hoje está em 45%.

“Ou seja, toda a liberação que realizamos até agora alcançou 5% do isolamento. Os outros 10% em relação ao período anterior ao Covid-19, não necessariamente correspondem aos setores que ainda não foram autorizados a funcionar. Atribuímos mais às empresas e organizações que aderiram ao trabalho remoto, às escolas e à administração pública”, explicou.

É que, no caso de Belo Horizonte, continuam proibidos eventos em geral, boates, danceterias, casa de festas e eventos, cinemas, teatros, museus, parques de diversões e escolas. Conforme Reis, sob o ponto de vista econômico, isso significa que mais de 90% das atividades da cidade já estão liberadas.

Empresariado comemora a medida

Os setores contemplados nesta nova fase de flexibilização da capital mineira comemoram os anúncios da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). O presidente da Federação dos Clubes de Minas Gerais (Fecemg), Marcolino de Oliveira, agradeceu ao atendimento do pleito de liberação dos espaços, apesar de os mesmos terem ficado seis meses fechados.

“Sem dúvida, a liberação vai nos ajudar a recuperar no curto ou médio prazo, os problemas administrativos e financeiros adquiridos nos últimos meses. E também a estarmos disponíveis aos associados que desejarem tomar sol, passear e fazer exercícios físicos”, resumiu.

Durante o anúncio de liberação dos clubes sociais e desportivos, o secretário municipal de Saúde, Jackson Pinto Machado, destacou algumas mudanças importantes: as saunas seguirão fechadas e as piscinas terão limite máximo de pessoas, por exemplo.

No decorrer da última semana, o setor buscou entendimento com a prefeitura, diante das perdas e da divulgação de possibilidade de falências de unidades tradicionais da capital mineira. Belo Horizonte conta com cerca de 60 clubes, que reúnem quase 500 mil sócios. Já os empregos gerados chegam a aproximadamente 10 mil.

Já o presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, ressaltou a importância a ampliação dos horários de funcionamento de bares e restaurantes nas praças de alimentação dos shoppings para os lojistas. “Essa coesão de lojas e do setor de alimentação dentro do shopping é fundamental. As pessoas iam às compras e não tinham o que comer e isso estava atrapalhando as lojas”, comentou.

Ainda conforme Nadim, um levantamento do Sindilojas aponta uma previsão de faturamento de cerca de 80% do que era registrado antes da pandemia de Covid-19, com a flexibilização. “Agora vamos poder trabalhar de segunda a sábado, fazendo um trabalho qualitativo e quantitativo. Esta medida mostra um entendimento entre o equilíbrio de saúde e economia”, resumiu.

Os protocolos de funcionamento dos setores liberados encontram-se disponíveis no site da Prefeitura.

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) voltou reivindicar junto a Prefeitura a liberação do horário de funcionamento do comércio. Hoje as lojas só podem abrir as portas a partir das 11h.

Por nota, a entidade justificou que com os indicadores na cor verde, termômetro utilizado pela Prefeitura para direcionar as medidas de flexibilização da economia, o comércio já pode voltar ao seu horário normal de funcionamento.

“Pelos dados da Prefeitura, a cidade tem mantido os cuidados necessários para o controle do Covid-19. Desta forma, o comércio pode ter de volta o seu horário livre de funcionamento, que na maioria dos centros comerciais é de 9h às 19h”, disse o presidente em exercício, José Angelo de Melo.