Crédito: Manoel Evandro

Embora ainda não tenha data definida, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) divulgou novo plano de reabertura do comércio da cidade. Por enquanto, seguem funcionando apenas as atividades essenciais, mas, assim que os índices de ocupação dos leitos hospitalares para Covid-19 e de transmissão do vírus alcançarem os patamares estabelecidos pelo município, a maioria dos setores poderá abrir as portas.

A medida segue dividindo opiniões entre as entidades de classe dos diversos setores econômicos da Capital. O Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte (Sindhorb-BH) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) receberam as mudanças com entusiasmo e apostam na liberação das atividades nos próximo dias.

Apesar disso, as entidades reclamaram de bares e restaurantes não figurarem na primeira fase de flexibilização e a Abrasel disse que entrará na Justiça assim que o decreto de reabertura for publicado. Já a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) repudiaram a decisão da PBH de manter o comércio fechado.

Segundo o secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, que lidera o Comitê de Enfrentamento à Pandemia da prefeitura, há uma perspectiva de liberação das atividades em breve, pois, apesar de a curva da doença na cidade ainda estar em elevação, a demanda por leitos está diminuindo. Conforme ele, na sexta-feira (31) havia apenas um paciente na espera por leito de UTI, número que já chegou a 130.

“Mas esta é uma doença imprevisível e isso pode mudar. Ainda é preciso ter cautela, pois estamos lidando com vidas. Temos recursos para abrir leitos ou contratá-los da iniciativa privada, porém, hoje, os números mostram que não é necessário. Esperar mais 15 dias (para reabrir o comércio) não vai matar ninguém. E CNPJ depende do CPF”, justificou em entrevista coletiva.

Cenário atual – A Capital conta atualmente com 422 leitos de UTIs para Covid-19, cuja ocupação está em 88%, e 1.115 enfermarias voltadas para a doença, com taxa de 68% de uso, o que, conforme o secretário, significa níveis de alerta vermelho e amarelo, respectivamente, segundo a metodologia estabelecida pelo comitê. Já a taxa de transmissão do vírus chegou a 0,97, nível verde.

Questionado sobre a proposta da Abrasel e da CDL-BH de considerar 80% de ocupação dos leitos como patamar de segurança para a abertura, Machado respondeu que “não tem o menor cabimento” e que o índice foge a todos os padrões, inclusive internacionais, de segurança.

O novo plano de reabertura foi apresentado pelo secretário de Orçamento e Gestão, André Reis, que ressaltou que a reabertura gradual das atividades será feita em três fases subsequentes e cumulativas, mas que Belo Horizonte ainda permanece na chamada fase de controle e o avanço dependerá da análise dos indicadores epidemiológicos.

“Quando tivermos todos os indicadores no verde ou amarelo, teremos a liberação imediata das atividades e teremos um período de 15 dias de transição entre cada uma das fases”, explicou.

Shoppings e salões vão integrar Fase 1

O novo protocolo para retomada das atividades econômicas de Belo Horizonte prevê para a Fase 1 todo o comércio varejista não contemplado na fase de controle, inclusive os shoppings, salões e galerias. Na Fase 2, parques públicos, bares, restaurantes e lanchonetes e museus, com horários limitados para venda de bebidas alcoólicas.

Já na Fase 3, estão academias, centros de ginástica e estabelecimentos de condicionamento físico, clubes sociais, esportivos e similares, eventos (exposições, congressos e seminários) e clínicas de estética. Escolas, cinemas e feiras livres não entraram em nenhum dos grupos.

Na avaliação do presidente do Sindilojas-BH, Nadim Donato, a proposta é satisfatória, porém, ele disse que bares poderiam estar junto com as demais atividades na primeira fase, porque o comércio é uma engrenagem única. O dirigente também destacou que, apesar de a PBH não ter dado uma data para a reabertura, os balizadores são positivos. “É fundamental para nós a abertura. Vamos trabalhar uma dinâmica rápida para tentar recuperar empregos em Belo Horizonte”, citou.

O presidente do Sindihorb, Paulo Pedrosa, disse que o novo plano mostra a evolução das discussões e que aposta na volta das atividades nos próximos dias. “Não concordamos estar apenas na fase 2 e vamos insistir na antecipação de fase”, ponderou.

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, questionou a não abertura de novos leitos por parte da prefeitura e prometeu judicializar a ausência da categoria na primeira fase de flexibilização.

“Vamos transformar os argumentos de ciência e técnica em números e estudos com assinaturas e não em falas soltas em reuniões. Não é razoável que a prefeitura alegue economizar dinheiro para manter leitos fechados quando poderiam estar abertos. Nosso setor que está pagando a maior conta após 133 dias fechado”, reivindicou.

A CDL-BH, por meio de nota, definiu a postura da PBH como “cruel e desumana”, alegando que o prefeito Alexandre Kalil (PSD) virou as costas para o comércio. “A prefeitura poderia abrir leitos. Mas não investe nessa abertura dos novos leitos e faz a clara opção por manter o comércio fechado”, comentou.

Por fim, a Fecomércio-MG, também por nota, disse que a medida do Executivo municipal de manter o comércio fechado vai na contramão das inúmeras reivindicações da entidade, de empresários e de todo o setor. “A federação manifesta sua indignação com a postura do poder Executivo municipal, que penaliza não apenas o setor terciário, responsável por 88,37% dos negócios na Capital, mas milhares de empregos da cidade, achata a renda de famílias inteiras e expõe a população a diversos problemas financeiros”, avaliou.

Governo revela que MG tem menor taxa de óbito por 100 mil/hab

Crédito: Gil Leonardi/Secom MG

O chefe de Gabinete da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), João Pinho, informou, em coletiva virtual na sexta-feira (31), que o Estado apresenta a menor taxa de óbito pelo Covid-19 por 100 mil habitantes.

“Estamos bem satisfeitos com o trabalho que vem sendo realizado, fruto de um movimento de muitos profissionais tanto do Estado quanto dos municípios e também de outras secretarias que partilham deste cotidiano conosco”, afirmou João Pinho.

Até o momento, foram registrados 2.769 óbitos por Covid-19 em Minas e a taxa de mortalidade no Estado é de 12,7 por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde. Nesse contexto, João Pinho destacou o rigor de critérios para testagem adotados pela SES-MG. “Nossos critérios são muito bem trabalhados e vale reforçar que todos os óbitos suspeitos são testados”, disse.

Minas Gerais já vinha mantendo a posição de segunda menor taxa de mortalidade por Covid-19 no País. Em coletiva do último dia 20 de julho, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, destacou uma propensão à estabilização de óbitos, considerando a data de ocorrência.

Ações – O primeiro caso do Covid-19 em Minas Gerais foi confirmado em 8 de março. Mas, desde o início do ano, o governo de Minas vem atuando preventivamente no enfrentamento à pandemia.

Em janeiro, foi criado o Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes-Minas) para monitoramento e estudo dos casos e para atuação na tomada de decisões, organizando, assim, as ações de enfrentamento. No mês seguinte, em 27 de fevereiro, a SES-MG apresentou o Plano de Contingência para Emergência em Saúde Pública Covid-19.

Em abril, com o objetivo de garantir Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para profissionais de Saúde que trabalham na linha frente contra o Covid-19 no Estado, foi lançado o programa Protege Minas. No mesmo mês também teve início o plano Minas Consciente, para orientar prefeitos na retomada segura das atividades econômicas, a partir de critérios técnicos e epidemiológicos.

Com relação à qualificação da rede de saúde pública de Minas Gerais, de fevereiro a julho deste ano, foram abertos 1.655 leitos de UTI em todo o Estado. Além disso, o governo adquiriu 1.047 respiradores para auxiliar os municípios no enfrentamento da pandemia. Outros 343 equipamentos foram enviados ao Estado pelo Ministério da Saúde, sendo 174 para uso em UTIs e 169 ventiladores de transporte, utilizados em ambulâncias.

Todos os 1.390 respiradores que chegaram a Minas durante a pandemia farão parte do legado do Estado para a Rede Pública de Saúde.

“Chegar a este momento de platô, que tudo indica ser o ápice da doença em Minas Gerais, com essa taxa de mortalidade e com números bem abaixo dos registrados em outros estados, mostra-nos que o trabalho realizado até aqui no enfrentamento à epidemia está no caminho adequado”, disse o chefe de Gabinete da SES-MG.  (Com informações da Agência Minas)