PIB de Minas recua 0,5% no primeiro trimestre e fica atrás da média nacional
O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais apresentou retração de 0,5% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os últimos três meses de 2025. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (17) pela Fundação João Pinheiro. Segundo a entidade, o resultado indica perda de fôlego da atividade econômica mineira no início do ano, sobretudo quando comparado ao desempenho nacional, que avançou 1,1% na mesma base de comparação.
Em valores correntes, o PIB estadual totalizou R$ 285,7 bilhões no período, sendo composto por R$ 248,3 bilhões de valor adicionado e R$ 37,5 bilhões em impostos sobre produtos líquidos de subsídios.
Pela ótica setorial, os serviços responderam por R$ 160,1 bilhões, seguidos pela indústria, com R$ 64,7 bilhões, e pela agropecuária, com R$ 23,5 bilhões.
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Na margem, tanto a agropecuária quanto a indústria contribuíram negativamente para o desempenho da economia mineira, com recuos de 9,9% e 0,5%, respectivamente.
Entre as atividades industriais, o desempenho negativo esteve concentrado na indústria extrativa, que registrou queda de 5,4%, e na construção civil, que apresentou leve recuo de 0,2%. O resultado foi parcialmente compensado pelo avanço da indústria de transformação, de 0,4%, e pelo crescimento de 0,9% do segmento de energia e saneamento.
Em sentido oposto, os serviços contribuíram positivamente para a atividade econômica estadual, com crescimento de 0,7% no trimestre. O resultado foi sustentado pelo avanço do comércio, de 0,8%, e de outros serviços, de 0,6%, enquanto transportes e administração pública apresentaram variações negativas de 0,7% e 0,1%, respectivamente.
Consumo das famílias ainda sustenta atividade, mas economia perde ritmo
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), os resultados do primeiro trimestre de 2026 já sinalizam uma desaceleração da economia mineira, movimento que deve se manter ao longo dos próximos trimestres. “Embora a atividade ainda conte com alguns vetores de sustentação, o cenário prospectivo aponta para um crescimento mais moderado, condicionado por juros elevados, pressões inflacionárias, incertezas externas e maior cautela nas decisões de investimento”, analisa a entidade.
Ainda conforme a Fiemg, pelo lado da demanda, o consumo das famílias deve continuar contribuindo positivamente para a atividade econômica, sustentado por estímulos fiscais e creditícios, além de um mercado de trabalho ainda resiliente. “Esse ambiente tende a favorecer setores ligados à renda corrente das famílias, especialmente comércio e serviços”, destaca a Federação.
Construção civil deve sustentar indústria, segundo Fiemg; El Niño preocupa agropecuária
Na indústria, a Fiemg aponta que o cenário permanece heterogêneo. A construção civil deve ganhar algum fôlego ao longo dos próximos meses, favorecida por programas habitacionais, crédito direcionado e investimentos em infraestrutura. Esse movimento tende a gerar efeitos positivos sobre cadeias industriais relevantes para Minas Gerais, como materiais de construção, metalurgia, cimento e máquinas e equipamentos.
Por sua vez, os segmentos industriais mais sensíveis ao custo do crédito devem seguir enfrentando restrições, diante do encarecimento do financiamento e da maior cautela do setor produtivo.
Já a agropecuária deve permanecer como fonte de incerteza até o fim de 2026 e, sobretudo, no início de 2027. “A possível confirmação do El Niño pode afetar o regime de chuvas e as condições climáticas relevantes para importantes culturas agrícolas, com impactos sobre produção, custos e preços”, reforça a entidade representativa da indústria mineira. Nesse contexto, a Fiemg projeta crescimento de 1,6% para a economia mineira em 2026, com avanço de 2% da indústria, 1,5% dos serviços e 0,9% da agropecuária.
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