PIB mineiro deve fechar o ano com retração de 1,4%

Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
PIB mineiro deve fechar o ano com retração de 1,4%
Apesar da queda em 2019, Flávio Roscoe está otimista para 2020 e prevê alta acima de 3% no PIB de MG - Crédito: SEBASTIÃO JACINTO JÚNIOR / FIEMG

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro, foi um dos principais fatores para o fraco desempenho da economia mineira em 2019. Balanço apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta retração de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado neste exercício, na contramão do resultado inicialmente esperado, de crescimento de 3,3%.

Ainda segundo a entidade, pelos mesmos motivos, a produção industrial mineira deverá encerrar 2019 com queda de 4,96% sobre o ano anterior. A produção física da indústria da transformação deverá apresentar elevação de 1,55%, enquanto a da indústria extrativa deverá cair 23,95%, sempre no mesmo tipo de confronto.

De acordo com o presidente da entidade, Flávio Roscoe, contribuíram ainda para o número negativo fatores conjunturais, como a lenta retomada da economia, e o cenário internacional, como a crise econômica na Argentina e a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

“A retração foi puxada principalmente pelas perdas da atividade da mineração, mas é importante ressaltar que as projeções também já estiveram piores. Logo após a tragédia de Brumadinho chegamos a estimar impacto negativo de até 6% no PIB de Minas. Mas com o trabalho feito pela Fiemg, conseguimos retomar boa parte da produção mineral do Estado”, explicou em coletiva de imprensa a jornalistas.

O presidente ainda destacou que o desempenho da indústria no decorrer do primeiro semestre foi bem aquém do projetado, mas que na segunda metade do ano a economia ganhou novo ritmo e os resultados já estão sendo observados, atrelados principalmente às taxas de juros praticadas atualmente, as mais baixas da história recente do País, e que fomentam o investimento. “Acredito que vamos encerrar 2019 com queda do PIB próxima de 1%”, disse.

Expectativa – O otimismo do dirigente se mantém para o próximo exercício. Enquanto as projeções oficiais da Fiemg dão conta de um crescimento do PIB de Minas Gerais de 2,34% para o próximo ano, contra 2,17% para o PIB do País, Roscoe aposta em porcentagens acima dos 3%. De acordo com ele, tamanha expectativa se baseia não apenas na percepção junto ao empresariado, mas na agenda de reformas do Estado e do País.

“Acredito que a continuidade das reformas estruturais brasileiras e a conjuntura nacional vão proporcionar um crescimento da ordem de 3% do Produto Interno Bruno no ano que vem. E Minas Gerais vai crescer muito mais, caso o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do Estado seja aprovado. Aposto em algo superior a 5%”, declarou.

Outro fator que deverá impulsionar o desempenho da economia mineira a partir do ano que vem, segundo Roscoe, é a retomada das atividades da mineração no Estado. A começar pela própria mineradora Samarco, que obteve recentemente a Licença de Operação Corretiva (LOC) para poder retomar as atividades no Complexo de Germano, nas cidades de Mariana e Ouro Preto, na região Central de Minas.

As operações da mineradora estão paralisadas desde novembro de 2015, quando houve o rompimento da barragem de Fundão. A tragédia matou 19 pessoas e teve uma série de impactos ambientais, como a poluição do rio Doce.

Projeções da companhia dão conta de uma produção aproximada de 7 a 8 milhões de toneladas por ano, inicialmente, e dobrar este volume em até seis anos. Já um volume superior a 22 milhões de toneladas anualmente poderá ocorrer em dez anos. “Só a retomada da Samarco prevista para o segundo semestre do ano que vem nos confere cerca de 1% de retomada no PIB”, citou o presidente da Fiemg.

Outras projeções da Federação para o ano que vem dão conta de que a produção industrial mineira irá avançar 3,15%, resultando de um avanço de 2,05% na produção física da indústria da transformação e de 6,9% na produção da indústria extrativa, comparando sempre com 2019.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas