Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Quase mil instituições financeiras estão participando do processo de adesão ao PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), que começará a funcionar no País em novembro. Fazem parte do grupo bancos, cooperativas de crédito e fintechs.

Entre os impactos que a plataforma poderá trazer ao sistema financeiro nacional, às empresas e aos consumidores, está o da usabilidade, da instantaneidade e, no longo prazo, a redução do custo por transação.

A avaliação é de especialistas que chamam atenção para uma tendência natural e global do processo de digitalização não apenas junto a instituições financeiras, mas em diversas outras áreas como construção civil, agronegócio e saúde – todas recentemente e amplamente transformadas pela tecnologia.

Quanto ao enfraquecimento dos arranjos tradicionais de transferências e pagamentos, como TED, DOC e boleto, eles acreditam que será inevitável, mas ponderam que os modelos permanecerão ativos, como ainda ocorre no caso do cheque.

“Todo mundo apostava na extinção completa do cheque, o que não ocorreu, porque muitas pessoas o utilizam como nota promissória. Com as demais formas de transferência e pagamento deverá ocorrer o mesmo. Em questão de tempo serão extintas ou terão suas formas de uso alteradas”, explicou o especialista em Finanças e Mercado Financeiro, da Fipecafi, instituição ligada à FEA-USP, George Sales.

Na última semana, o BC instituiu oficialmente o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) e a Conta de Pagamentos Instantâneos (Conta PI), mais um passo para a implementação do PIX.

Conforme a autoridade monetária, 980 instituições financeiras e de pagamento estão participando da etapa de homologação. Na lista, estão os cinco maiores bancos do País (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) e também instituições como bancos digitais, credenciadoras de cartões e as carteiras digitais.

Desse total, 34 instituições têm participação obrigatória – aquelas com mais de 500 mil contas corrente, pré-paga ou poupança. Já outras 946 têm participação facultativa.

O PIX está atualmente em fase de testes, com lançamento previsto para novembro.
Para Sales, os impactos da implementação do sistema serão sumariamente positivos, porque vai permitir, entre outras coisas, transações, ofertas e pagamentos sem um intermediador, deixando o crédito para outras finalidades.

Em termos de custos, ele ressaltou que, como toda tecnologia, num primeiro momento não os reduzirá, porque haverá gastos com o desenvolvimento das ferramentas, mas destacou que no médio e longo prazos acabará sendo mais barato. “O PIX vai permitir uma série de conveniências e processos muito mais elaborados e dinâmicos”, resumiu.

O professor e integrante do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC), Hugo Braga, ressaltou que o assunto não pode ser limitado apenas ao sistema financeiro e aos modelos tradicionais de instituições, já que as empresas de tecnologia e os fundos de investimentos participam do movimento de digitalização econômica desde o início do processo. “Basicamente, o BC está trabalhando no índice de eficiência dos bancos, que inclui a redução de custos”, citou.

Ferramentas tradicionais – Sob o ponto de vista de usabilidade, conforme o especialista, as transformações são positivas. Ele também citou que inicialmente os custos serão mais elevados, mas que em algum momento poderá haver redução. E sobre o desuso das ferramentas tradicionais, Braga citou China e Estados Unidos.

“Na China, por exemplo, já há uma queda superior a 40% na movimentação financeira por TED e DOC. Inclusive, transações financeiras por meio de aplicativo de mensagens, naquele país, é supernormal. Já nos Estados Unidos, os principais investimentos têm ocorrido, justamente, em novas tecnologias para soluções de meios de pagamento. Como o mercado brasileiro ainda muito limitado aos cinco maiores bancos, cuja entidade representativa é muito forte, o discurso ocorre em torno de que os modelos tradicionais irão prevalecer”, avaliou.

Inclusão financeira – A Federação Nacional dos Bancos (Febraban), por sua vez, disse, por meio de nota que a entidade e os bancos colaboram e apoiam o Banco Central para o desenho do sistema de pagamentos instantâneos.

A Federação afirmou ser favorável a medidas que reduzam a necessidade de circulação de dinheiro em espécie, que somente de custo de logística totalizam cerca de R$ 10 bilhões ao ano em gastos.

Disse ainda que a iniciativa irá aumentar a inclusão financeira no País, estimular a competitividade e aprimorar a eficiência no mercado de pagamentos.

Banco Inter participa da homologação

O Banco Inter, sediado em Belo Horizonte, é uma das instituições financeiras que estão participando da etapa de homologação para ingressar no PIX. De acordo com o diretor de Contas Digitais e Meios de Pagamento do banco, Ray Chalub, a aposta está na maior competitividade que o sistema de pagamentos instantâneos irá permitir, por meio da instantaneidade e flexibilização dos produtos no ambiente virtual, já explorado pela instituição.

“O PIX vai dar muito mais experiência para o cliente e oferece uma concepção mais barata para as instituições financeiras. No Inter já não cobramos tarifas para operações bancárias e estas também serão gratuitas”, garantiu.

Para o diretor, o papel do BC é promover a competitividade do mercado financeiro e oferecer as ferramentas para tal. Assim, não existe a finalidade da extinção dos arranjos de TED, DOC e boleto. No entanto, as mesmas tenderão a ser menos utilizadas.

“Os modelos vão coexistir e os clientes vão optar por aqueles que julgarem mais eficientes e adequados”, finalizou.