Preços em salões de beleza de BH têm diferenças de até 880%, aponta pesquisa
Homens e mulheres que querem dar um retoque no visual podem pagar até 880,2% mais caro por um mesmo serviço, dependendo do local em Belo Horizonte. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Mercado Mineiro entre os dias 20 e 23 de setembro, em 45 estabelecimentos da Capital.
A maior diferença foi identificada no serviço de tintura, com preços entre R$ 49,99 e R$ 490. Apesar da disparidade entre os estabelecimentos, os valores médios dos serviços permaneceram praticamente estáveis nos últimos três meses.
A diferença também ultrapassa 800% em outros procedimentos. Na hidratação, os preços variam entre R$ 29,99 e R$ 282, diferença de 840,31%. Já o corte feminino custa entre R$ 50 e R$ 468, variação de 836% entre o menor e o maior valor encontrado.
Segundo o administrador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, a localização é um dos principais fatores que explicam a diferença de preços, especialmente entre estabelecimentos situados em regiões com custos operacionais distintos. A estrutura do negócio, as despesas com funcionários e os produtos utilizados nos procedimentos também influenciam a formação dos valores.
“O que mais interfere na diferença de preço é a localização do salão de beleza. Quando analisamos um salão da Zona Sul, o preço tende a ser mais caro porque o custo operacional é muito maior”, esclarece.
Segundo Abreu, a comparação entre os estabelecimentos deve considerar que os custos de uma empresa formalizada são diferentes daqueles enfrentados por profissionais autônomos, que podem não ter despesas equivalentes com aluguel comercial, contabilidade e funcionários.
Preços médios quase não mudam em três meses
Apesar das diferenças entre os estabelecimentos, a comparação dos preços médios entre junho e setembro aponta estabilidade na maior parte dos serviços pesquisados.
O corte feminino, por exemplo, passou de R$ 136,21 para R$ 137,09, alta de 0,64%. A escova teve aumento de 0,40%, chegando a R$ 73,32, enquanto o preço médio da hidratação avançou 0,20%, para R$ 140,56. Já a escova progressiva permaneceu em R$ 232,90 no período.
Entre os serviços de manicure e pedicure, as variações também foram pequenas. A manicure passou de R$ 34,36 para R$ 34,52, enquanto a pedicure subiu de R$ 34,48 para R$ 34,64. O serviço combinado de mãos e pés registrou a maior elevação entre os três, de 1,15%, alcançando R$ 66,27.
A maior alta entre os preços médios dos serviços avaliados foi registrada na barba, que passou de R$ 52,22 para R$ 53,06, avanço de 1,6%. No corte masculino, a variação foi de 0,20%, com preço médio de R$ 71,32.
Custos e comportamento do consumidor
Na avaliação de Abreu, a estabilidade dos preços médios também deve ser analisada diante da dificuldade de repassar aumentos de custos aos clientes. Segundo ele, a preocupação com a reação dos consumidores pode levar proprietários de salões a adiar reajustes, especialmente em períodos de maior restrição financeira.
O administrador observa que, embora parte dos consumidores considere os serviços de beleza necessários, a frequência de utilização pode diminuir em momentos de maior restrição financeira. Clientes que costumam frequentar o salão uma ou duas vezes por mês podem espaçar os atendimentos ou optar por realizar alguns procedimentos em casa.
A diferença entre os preços, contudo, não significa necessariamente que os serviços oferecidos sejam equivalentes. Abreu ressalta que a pesquisa não consegue mensurar todas as particularidades dos atendimentos, especialmente em procedimentos que utilizam produtos com diferentes características e faixas de preço.
“Se analisarmos por exemplo a maior diferença por tintura, normalmente a tintura que cobra R$ 49,99 não é a mesma que cobra R$ 490 e a gente não tem como mensurar isso na pesquisa”, avalia.
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