Com duas etapas de retomada do comércio, 824 mil empregos ficam ativos na capital mineira | Crédito: Adão de Souza/PBH

O Comitê de Enfrentamento à Pandemia do novo coronavírus (Covid-19) da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) autorizou o avanço da flexibilização das medidas de distanciamento social e mais uma parte do comércio da Capital será reaberta na segunda-feira (8).

Agora, lojas de artigos esportivos, de camping, calçados, artigos de viagem, joalherias, instrumentos musicais, objetos de arte e decoração também poderão funcionar.

Ainda constam na lista estabelecimentos comerciais de artigos usados (desde que já permitidos pela prefeitura), souvenires, bijuterias e artesanatos, bebidas (sem consumo no local), tabacaria, armamentos e lubrificantes.

O anúncio foi feito pelo secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, que lidera o Comitê de Enfrentamento à Pandemia da prefeitura. Segundo ele, a segunda fase de reabertura do comércio permitirá que 92% dos empregos de Belo Horizonte estejam ativos a partir da semana que vem.

Conforme a prefeitura, somente esta etapa da flexibilização permitirá a retomada de mais 15 mil pessoas ao mercado de trabalho. Na fase anterior foram 30 mil. Somando com as atividades essenciais são, ao todo, 824 mil empregos ativos na cidade.

“Se a gente pudesse abriria tudo, mas não é possível neste momento. A gente está preocupado com a atividade econômica, mas está fazendo tudo com muita responsabilidade. Não é fácil tomar estas decisões, mas tudo está ancorado nos nossos bancos de dados e nos parâmetros pré-estabelecidos, sempre pensando na preservação da vida com o menor impacto possível na economia”, afirmou.

Mais uma vez, conforme o secretário, a escolha das atividades levou em conta o potencial de aglomeração de cada setor. Por isso, atividades como lojas de vestuário, bares e restaurantes, academias, clubes sociais, galerias e shoppings, boates, eventos e escolas seguem suspensas. Um novo balanço será apresentado na semana que vem, quando novos setores poderão ser contemplados.

“Limitamos a segunda fase porque estamos com receio da explosão do número de casos. Estamos com medo, mas como temos uma folga no número de leitos e a velocidade de transmissão do vírus caiu, achamos que valeria a pena correr o risco. Mas nada impede de a qualquer momento, ao menor sinal de perigo, recuarmos e adotarmos até lockdown. Trabalhamos desde janeiro para que não haja pico de contaminação na cidade, de maneira a manter a curva abaixo da linha de oferta dos serviços de saúde”, explicou.

Ainda conforme Machado, quando terminar a abertura do comércio, o Comitê vai começar a ouvir as escolas, os shoppings e os clubes de lazer. “Vamos sentar com esses setores, ver os protocolos possíveis e pesar o risco dessas atividades para liberar. Mas liberar com segurança, com tranquilidade, para não haver impacto nem na ocupação de leitos, nem no número de óbitos da cidade”, frisou.

Indicadores – O secretário também lembrou que para analisar o processo de reabertura, o grupo leva em consideração três variáveis para detectar a expansão da doença: número médio de transmissão por infectado, ocupação de leitos UTI e ocupação de leitos de enfermaria da rede hospitalar pública da cidade.

Segundo o comitê, o uso dos 220 leitos de UTI exclusivos para Covid-19 de Belo Horizonte está em 64% (amarelo) e os de enfermaria, 45% (amarelo) e a taxa de transmissão está em 1,07 (amarelo).

“Nós temos uma possibilidade de expansão dos leitos de UTI em breve. Caso essa expansão seja realmente necessária, se a gente mantiver o mesmo número de pessoas internadas hoje, essa taxa de ocupação passa a ser de 41%”, completou Machado.
Segundo o boletim epidemiológico divulgado na sexta-feira (5) pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), Belo Horizonte registra 2.305 casos de coronavírus e 58 óbitos.

Entidades comemoram a decisão do comitê

Entidades representantes do comércio da Capital comemoram a decisão da PBH de avançar com a retomada gradual, mas lamentaram a ausência de determinados setores como o de vestuário, que conta com cerca de 8 mil estabelecimentos e seriam beneficiados com as vendas do Dia dos Namorados.

O presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, enfatizou que foram duas notícias positivas: o avanço da flexibilização e os índices razoáveis de controle da doença.

“Demos um passo nem tão grande como esperávamos, mas um passo para a frente. Além disso, nossos índices estão em patamares bem razoáveis. Temos que agradecer à população de Belo Horizonte e também aos comerciantes que estão abertos, pois todos estão fazendo seu papel. Precisamos que todos continuem fazendo essa mobilização e continue com o planejamento de abertura dos outros setores”, ressaltou.

O presidente do Sindilojas-BH, Nadim Donato, por sua vez, lamentou a ausência das lojas de vestuário na lista da segunda fase de reabertura. Segundo ele, a entidade concentrará todos os esforços para conseguir a liberação do setor na próxima etapa.

“É uma pena as lojas de vestuário terem ficado de fora. Mas estamos vencendo. O mais importante é não recuar e fechar. Porque se fechar tudo vai quebrar metade da cidade”, alertou. Dados preliminares da entidade já indicam o fechamento definitivo de 5 mil estabelecimentos e mais de 20 mil empregos cortados na cidade.

Sobre a judicialização do processo de retomada, a exemplo do que fez a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), que entrou com um pedido de liminar na Justiça para reabrir os estabelecimentos, tanto CDL-BH quanto Sindilojas-BH descartaram a possibilidade e afirmaram que vão prosseguir com as negociações.

“Não vamos recorrera à Justiça, porque envolve vidas, mas vamos continuar na mesa de negociação e só vamos sair quando a última atividade for liberada”, garantiu Donato.