Produção de aço no País fecha 2020 com queda

No último ano, no auge da pandemia, 13 altos-fornos chegaram a ser desligados
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Produção de aço no País fecha 2020 com queda
Crédito: Divulgação/Usiminas

A produção brasileira de aço bruto chegou a 31 milhões de toneladas em 2020. O volume representa queda de 4,9% em relação ao ano anterior e é apenas um dos impactos causados pela pandemia de Covid-19 no decorrer do exercício passado. No auge da crise sanitária, treze altos-fornos chegaram a ser desligados em todo o País, dos quais sete localizados em Minas Gerais.

Apesar da retração, as vendas internas foram de 19,2 milhões de toneladas de janeiro a dezembro de 2020, representando alta de 2,4% em relação a igual período do ano anterior. Já o consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 21,2 milhões de toneladas, elevação de 1,2% na mesma base de comparação, enquanto as exportações somaram 10,7 milhões de toneladas, ficando 16,1% abaixo do total de embarques realizados em 2019.

“A produção de aço sofreu queda em relação ao que foi produzido em 2019, fundamentalmente devido à parada de equipamentos ocorrida no momento mais agudo da grave crise de demanda enfrentada pela indústria em abril do ano passado”, comentou o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

Para 2021, as expectativas são mais otimistas. De acordo com o Instituto Aço Brasil, a perspectiva é de que as vendas avancem em mais de 5% neste ano, enquanto o consumo de produtos siderúrgicos deverá ter alta de quase 6% em relação a 2020.

Em coletiva de imprensa no fim do ano passado, a entidade justificou que se caminhava para normalização do abastecimento. Assim como outros setores, as siderúrgicas sentiram forte retração de demanda, no início da pandemia, o que afetou toda a cadeia. Na sequência, o consumo se normalizou e, posteriormente, voltou a crescer.

Neste sentido, a entidade divulgou o Índice de Confiança da Indústria do Aço (Icia) referente ao primeiro mês de 2021 e o mesmo ficou estável na comparação com o mês anterior, em 78,9 pontos. “A estabilidade frente ao mês de dezembro, após duas quedas consecutivas, ainda mantém o Icia em patamares historicamente elevados”, afirmou o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil.

Retomada – O analista da Terra Investimentos Régis Chinchila disse que os números confirmam a expectativa de recuperação da indústria do aço. Ele lembrou que a chegada da pandemia ao Brasil causou tantas incertezas ao mercado siderúrgico que impactou rapidamente a oferta de maneira a levar empresas a diminuírem a produção paralisando fornos.

Esse movimento gerou alta nos preços, porque a demanda, principalmente da China, não acompanhou o arrefecimento e até mesmo o Brasil mostrou recuperação da sua atividade antes do projetado. “A atividade industrial do Brasil recuperou, em setembro, o patamar pré-pandemia e isso foi o bastante para gerar falta de matéria-prima e elevar os preços, fazendo o aço subir mais de 10% apenas entre o terceiro e o quarto trimestre”, comentou.

Para 2021, a aposta do especialista é que essa dinâmica permaneça, a partir, principalmente, do aumento do preço do minério de ferro e do desequilíbrio ainda existente entre oferta e demanda, ocasionando elevação também nas siderúrgicas. Consequentemente, “a pressão por metais continuará atingindo setores de automóveis e construção civil”.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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