Viridis inclui etapa de refino e estima investimentos de US$ 449 milhões no projeto de terras-raras no Sul de Minas

Com a instalação de um circuito de refino, que deve custar quase US$ 50 milhões, o produto final do empreendimento terá maior valor agregado
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Viridis inclui etapa de refino e estima investimentos de US$ 449 milhões no projeto de terras-raras no Sul de Minas
Produção anual prevista é de aproximadamente 9 mil toneladas de carbonato misto refinado | Foto: Divulgação Viridis

O estudo de viabilidade definitivo (DFS, na sigla em inglês) do projeto de terras-raras Colossus, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, prevê um capex de US$ 449 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões na cotação atual) pela Viridis Mining and Minerals.

Divulgado na última quarta-feira (19), o documento aponta investimentos de US$ 343 milhões em custos diretos, US$ 53 milhões em indiretos, US$ 44 milhões de reserva de contingência, além de US$ 9 milhões em custos do proprietário.

O relatório também sinaliza um avanço na cadeia do setor no Brasil, com a inclusão no empreendimento de um circuito de refino de carbonato misto de terras-raras, o que possibilita a companhia australiana ter um produto final de maior valor agregado.

Ao adicionar esse processo, a Viridis estima produzir um carbonato misto refinado de terras-raras com 63,9% de óxidos de neodímio-praseodímio (NdPr) e 2,8% de disprósio-térbio (DyTb). No estudo de pré-viabilidade (PFS, na sigla em inglês), publicado em julho de 2025, previa um carbonato misto de terras-raras com 37,4% de NdPr e 1,5% de DyTb.

Circuito eleva projeção de investimentos em quase US$ 50 milhões

Conforme o gerente da empresa no País, Klaus Petersen, a incorporação do circuito de refino significa que uma parte da etapa mais complexa da cadeia produtiva, a separação dos óxidos de terras-raras, será feita no Projeto Colossus. “É um grande salto para a base dessa indústria vindo para Poços de Caldas”, afirma ao Diário do Comércio.

Segundo ele, trata-se de uma tecnologia da empresa de origem belga Solvay. No processo, é realizada a extração por solvente de lantânio, um elemento de baixo valor de mercado, ampliando proporcionalmente a concentração de terras-raras magnéticas de maior valor.

“Apenas esse circuito vai custar quase US$ 50 milhões a mais no capex”, ressalta Petersen, explicando os motivos pelo qual a projeção de investimentos para o empreendimento cresceu em relação ao estudo de pré-viabilidade (US$ 373 milhões, incluindo contingência).

Projeto Colossus
O Projeto Colossus tem uma produção anual estimada de 9 mil toneladas de carbonato misto refinado de terras-raras | Foto: Divulgação Viridis Mining And Minerals

O executivo diz que a produção anual da companhia deve ficar em aproximadamente 9 mil toneladas de carbonato misto refinado de terras-raras, ante 15 mil toneladas (sem a retirada de lantânio). “Você remove 40% do material que não tem muita utilidade”, pontua.

“É uma separação que remove apenas o que estamos considerando uma impureza para o mercado europeu. Estamos elevando a química do nosso carbonato”, diz. Ele pondera que a implementação de uma planta de refino completa custaria em torno de US$ 200 milhões.

Destino do produto e expectativa para início da produção

A Solvay vem recebendo amostras do carbonato misto de terras-raras produzido na planta de demonstração da Viridis, inaugurada em maio no Sul do Estado. Conforme Petersen, a empresa belga realiza neste momento testes metalúrgicos na França, onde concentra sua operação de terras-raras, que passa por uma reestruturação, para adequação do processo de remoção do lantânio e da engenharia final.

O gerente da companhia australiana no Brasil revela que a própria Solvay também deve receber entre 70% e 80% do produto final do Projeto Colossus, além de ter direito de cobrir o valor que outros clientes possam ofertar pelo percentual restante. O contrato definitivo de fornecimento (offtake) com a empresa está previsto para ser fechado em duas semanas.

“Esse é o último requisito para começar a fechar os memorandos com os bancos das garantias, a estrutura bancária que vai abarcar os 70% da dívida [de financiamento] do projeto”, afirma. Segundo ele, a expectativa é finalizar os contratos em três meses.

A Viridis estima a primeira produção de carbonato misto refinado de terras-raras em Poços de Caldas para o segundo semestre de 2028. A empresa, que já tem a licença prévia (LP) para o empreendimento desde dezembro de 2025, prevê obter a licença de instalação (LI) e tomar a decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês) ainda em 2026.

Empresa garante US$ 120 milhões para o projeto

Além dos 70% de dívida, a estrutura financeira do Projeto Colossus inclui 30% de equity. Em outro documento divulgado nesta semana, a Viridis afirma que garantiu compromissos de até US$ 120 milhões em financiamento de capital próprio, antes dos custos.

Esse valor inclui um aporte de até US$ 75 milhões da gestora global One Investment Management (OneIM),US$ 40 milhões de um grupo de investidores estratégicos, majoritariamente brasileiros, além de US$ 5 milhões antecipados pela ORE Investments e Régia Capital em um acordo já existente que previa o pagamento para novembro.

Com a somatória dos novos recursos, de US$ 14 milhões em caixa e de US$ 20 milhões remanescentes disponíveis sob o acordo com a ORE/Régia, a companhia diz possuir aproximadamente US$ 154 milhões em capital próprio, montante que supera os US$ 135 milhões que precisa para cobrir o projeto, considerando a estrutura financeira que almejada.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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