Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) deve publicar, nos próximos dias, um conjunto de normas para o funcionamento de toda e qualquer atividade econômica da cidade em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

As medidas foram elaboradas pelo Comitê de Enfrentamento à doença, liderado pela Secretaria Municipal de Saúde, e possivelmente serão anunciadas antes mesmo do decreto da flexibilização do distanciamento social na capital mineira.

Durante transmissão on-line realizada pelo Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), o secretário municipal de Saúde, Jackson Pinto Machado, alertou para a importância de lojistas e consumidores estarem atentos e em conformidade com as regras que serão estabelecidas, de forma a se evitar um adiamento da flexibilização ou uma nova suspensão das atividades, em virtude do avanço dos níveis de contaminação na Capital.

Segundo ele, estabelecimentos que forem autorizados a funcionar e que, porventura, vierem a descumprir as orientações, poderão ter seus alvarás de funcionamento suspensos novamente.

“O ideal seria que 70% da população tivesse tido contato com o vírus antes da flexibilização, mas isso só vai ocorrer daqui quatro ou cinco anos ou quando tivermos uma vacina. Enquanto isso, precisamos manter as taxas de propagação da doença abaixo dos 1,20%. O índice varia dia a dia e hoje (19) está em 1,09%. Se em algum momento passar os 1,20%, teremos que voltar atrás na flexibilização, talvez de forma até mais rígida”, alertou.

O secretário disse ainda que com a flexibilização e a volta de um grande volume de pessoas circulando pela cidade inevitavelmente as taxas irão aumentar. Por isso, ele voltou a falar sobre a importância da população manter o distanciamento quando possível e as práticas indicadas pelas autoridades sanitárias.

“Estamos falando de um inimigo invisível e poderosíssimo, que tem grande capacidade de disseminação. Ficamos mais de 60 dias com a maioria das atividades paradas e, a partir da próxima semana, poderemos ter 100 mil pessoas a mais circulando nos transportes públicos. Se a população não se cuidar, corremos risco de ter que fechar novamente, o que daria um prejuízo ainda maior ao comércio e à economia de Belo Horizonte”, justificou.

Entre as orientações que o conjunto de normas que a PBH vai publicar nos próximos dias vai trazer, possivelmente estará a determinação de horários escalonados e diferenciados por segmento.

No fim do mês passado, o Sindilojas BH e outras entidades representantes do comércio e serviços elaboraram a proposta “Plano de Retomada das Atividades do Comércio e Emprego” para a reativação gradual e segura das atividades econômicas da capital mineira e apresentaram ao Comitê de Enfrentamento ao novo coronavírus do executivo municipal.

Horários – Na transmissão on-line do Sindilojas-BH, o vereador Léo Burguês (PSL), que também integra o grupo que acompanha as decisões do comitê da PBH, falou como seria a proposta. Segundo ele, haveria a abertura dos comércios de rua, bairro e hipercentro das 9 horas às 17 horas durante a semana e de 9 horas às 13 horas no sábado. As lojas de shopping funcionariam das 12 horas às 20 horas de segunda-feira a sábado e estariam fechadas aos domingos. As lojas de home center e autosserviços de materiais de construção funcionariam de segundo a sábado de 7 horas às 19 horas e aos domingos de 9 horas às 19 horas.

“A abertura teria início às 5 horas da manhã, com a Ceasa; às 6 horas abririam as padarias; às 7 horas os supermercados; às 8 horas as lojas de materiais de construção; às 9 horas lojas de bairros; às 10 horas os restaurantes; às 12 horas os shoppings center. Já o fechamento ocorreria também de forma escalonada, de 15 horas às 22 horas. Mas isso ainda está sendo ajustado, de acordo com o volume de pessoas empregadas por cada setor”, detalhou.

Sindilojas é a favor da volta de todos setores

O presidente do Sindilojas, Nadim Donato, por sua vez, disse que na visão da entidade, os setores deveriam ser flexibilizados ao mesmo tempo, em virtude da importância econômica de todos os 35 mil estabelecimentos de Belo Horizonte que constam na base do sindicato. Mas, ponderou que entende que as orientações técnico-científicas devam ser obedecidas.

“Acreditamos que foi feito até aqui e vamos respeitar as decisões do Comitê. Estamos certos de que da mesma maneira como fomos mais cedo para casa, também sairemos de casa mais cedo”, apostou.

Setores – Há informações de que lojas de móveis, colchões, decoração, armarinhos, produtos de higiene e bicicletas possuem as chances de serem reabertas a partir do dia 25 de maio. Salões de beleza também poderão integrar a lista. Já os shoppings populares do hipercentro são a maior preocupação do Comitê, em vistas de se evitar que os camelôs retomem as ruas da cidade.

Já o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, garantiu que os 43 estabelecimentos de Minas Gerais estão preparados para retomarem as atividades. Conforme ele, o protocolo desenvolvido pelo setor para os mais de 400 empreendimentos espalhados pelo País contemplam 23 ações básicas que deverão ser adotadas por todos no caso de flexibilização.

“As recomendações incluem questões de monitoramento, higienização e distanciamento social, com controle de fluxo, fiscalização do uso de máscaras, disponibilização de álcool em gel, etc. Estamos falando de um ambiente totalmente controlado com capacidade de se ajustar, conforme a orientação do poder público”, finalizou.