Setor de papel e papelão estima queda de 10% neste ano

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Setor de papel e papelão estima queda de 10% neste ano
Empresas do setor recorreram às medidas do governo federal, como a suspensão de contratos de trabalho para enfrentar a crise | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC Redepel - 31/05/10

Com redução de média de 15% nas atividades desde a chegada da pandemia de Covid-19 ao País, as indústrias de celulose, papel e papelão de Minas Gerais estão otimistas com a retomada, mesmo que gradual, das atividades econômicas no Estado, especialmente em Belo Horizonte. Ainda assim, é aguardada queda de 10% no faturamento do setor ao final deste exercício.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel), Antônio Eduardo Baggio, a recuperação em si deverá ocorrer apenas no ano que vem. É que a crise provocada pelas medidas de distanciamento social em combate ao novo coronavírus afetou fortemente o setor.

“Houve diminuição drástica do consumo e descarte de embalagens, que alimentavam a indústria de reciclagem de papel. Além disso, com menos embalagens descartadas e com o auxílio emergencial do governo, a maioria dos catadores de papel, sem matéria-prima para o trabalho e com restrições igualmente impostas pelas autoridades, acabou não realizando o ofício”, justificou.

E mesmo com o aumento expressivo do consumo de embalagens para entregas, uma vez que os serviços de delivery não chegaram a ser suspensos e tornou-se a única opção para muitos setores, Baggio ponderou que o consumo deste tipo de material não compensou as perdas nos volumes de embalagens recicláveis perdidos por outras atividades.

Conforme ele, a falta de papel e papelão usados para reciclagem está impactando a produção de papel para fabricação de papelão, o que tem acarretado no aumento de prazos de entregas. Além disso, o cenário tem causado também aumento nos custos de produção.

Sem contar os fabricantes de embalagens para lojas e o comércio em geral, que foram ainda mais afetados na produção de sacolas e caixas, devido aos decretos de limitação do funcionamento das atividades.

“Uma combinação de fatores, que inclui ainda a forte desvalorização cambial e a influência sobre alguns dos insumos químicos, está fazendo de 2020 um ano perdido. Ainda temos alguns meses que nos permitirão encerrar o ano com os níveis de produção próximos ao do período pré-pandemia, mas ainda abaixo do registrado no ano passado”, afirmou.

Medidas – Para amenizar os impactos, as empresas recorreram às linhas de crédito e medidas protetivas do governo federal, incluindo a suspensão de contratos de trabalho e redução de jornada. Assim, segundo o presidente do Sinpapel, 25% das empresas do setor chegaram até a contratar novos profissionais, outros 25% tiveram que demitir por causa da baixa nos pedidos e metade (50%) mantém os mesmos níveis de emprego. Ao todo, o setor empregava mais de 30 mil pessoas antes da crise do coronavírus.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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