A paralisação dos malls da RMBH provocou a suspensão de 10% a 15% dos contratos de aluguel das lojas | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Com as operações paralisadas há quase um mês, em virtude de decretos municipais que visam conter a disseminação do novo coronavírus (Covid-19) no Estado, os shopping centers da Região Metropolitana de Belo Horizonte já amargam perdas e contabilizam pelo menos 5 mil demissões.

Entre 10% e 15% dos lojistas suspenderam os contratos de aluguéis e o nível de vacância dos malls que estava abaixo dos 10% no início do ano poderá chegar ao fim de 2020 superior a 50%, a depender das negociações.

As informações são do superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (AloShopping), Alexandre Dolabella França. Segundo ele, embora as administradoras dos centros de compras tenham negociado parte dos aluguéis, condomínios e fundos de promoção referentes ao mês de março, os descontos precisarão não apenas ser estendidos para os próximos meses, mas também revistos, de forma que os lojistas consigam manter as lojas abertas.

“Ou os empreendedores negociam e flexibilizam as cobranças de maneira a permitir que os empresários mantenham as operações, para que todos saiam juntos da crise, ou ao invés de lojas, terão apenas tapumes nos corredores”, alertou.

Do contrário, conforme ele, o nível de vacância dos empreendimentos da capital mineira e região, que no início do ano estava em cerca de 8%, poderá atingir recorde histórico nos próximos meses e ultrapassar os 50%. Nem mesmo na crise econômica dos últimos anos esse patamar foi atingido. O máximo foi de 30%, mesmo assim, somente em shoppings recém inaugurados.

Neste sentido, França afirmou que os descontos de 50% no valor dos aluguéis e condomínios e a isenção nos fundos de promoção concedidos no primeiro mês de quarentena foram suficientes neste primeiro momento. No entanto, chamou atenção para novas negociações e para a cobrança do aluguel sobre o faturamento nos próximos meses, uma vez que a expectativa é de que o fluxo nos malls caia pela metade, mesmo após a flexibilização das medidas de distanciamento social.

“O funcionamento não vai voltar por completo. As pessoas não voltarão de vez para os shoppings. Teremos limites de horários e de consumidores. A retomada também precisa ser pensada e negociada, de maneira a dar fôlego e sobrevivência aos lojistas. Caso contrário, muitos deles não sobreviverão sequer por dois meses”, ressaltou.

Propostas – Segundo ele, algumas administradoras dos malls da RMBH já começaram a contatar os lojistas para comunicar novas medidas para o mês corrente, com vencimentos em maio. No entanto, nenhuma delas apresentou proposta de longo prazo ou que justificasse a manutenção das operações nos centros de compras no decorrer de 2020.

Por isso, entre 10% e 15% dos empresários já está optando por suspender os contratos, fechar de vez as lojas e esperar o fim da quarentena para recomeçar o negócio em outro lugar. “Os custos já eram elevados. Após um mês de venda quase nula, o cenário piorou”, justificou.

O superintendente disse que o pleito do setor é reforçado pelo fato de 80% dos shoppings ser composto por lojas satélites e cujos faturamentos são menores. Conforme ele, existe uma bolha neste mercado. “O preço do aluguel mínimo é altíssimo e os pequenos pagam pelos grandes (lojas âncoras). O custo de um lojista deste não deveria passar de 10% de seu faturamento e hoje supera os 18%”, completou.

Sobre a retomada das operações e do funcionamento dos shopping centers na Capital e Região Metropolitana, a posição do AloShopping acompanha a do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas BH) de que o distanciamento social é importante neste momento para frear o avanço da pandemia no País. Mas alertou: “os lojistas querem uma data, uma posição de quando poderão retomar as atividades, até para que possam se planejar”.