Economia

Tíquete médio para presente no Dia das Mães em BH atinge maior patamar em dois anos

Com tíquete médio de R$ 160, consumidores priorizam experiências e reforçam expectativa positiva para comércio e restaurantes
Tíquete médio para presente no Dia das Mães em BH atinge maior patamar em dois anos
Foto: Allos / Divulgação

Os consumidores belo-horizontinos estão mais dispostos a gastar neste Dia das Mães. Celebrada no próximo domingo (10), a data deve gerar uma receita maior para o varejo. Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (4), pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead-MG), revela que o tíquete médio com os presentes em BH deve ser de R$ 160,71. O número é o maior dos últimos dois anos: cresceu 26,69% em comparação ao mesmo período de 2025 (R$ 126,86) e 33,79% em relação à celebração de 2024 (R$ 120,12).

Além do valor médio dos presentes, a pesquisa mostra que 74,07% dos entrevistados pretendem comprar presentes acima de R$ 100. A faixa de preço de R$ 101 a R$ 150 foi a mais citada (31,11%) em 2026.

Para a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Gabriela Martins, o crescimento do poder de compra dos consumidores em Belo Horizonte pode estar atrelado ao aumento da inflação. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central (BC), a estimativa para este ano subiu de 4,86% para 4,89%.

“Em suma, o aumento inflacionário demanda um maior gasto para o consumidor comprar aquilo que ele comprava no ano passado, por exemplo”, explica a economista, destacando que o período do Dia das Mães é caracterizado pela demanda por produtos específicos, como roupas, calçados, cosméticos e perfumes. “Esses itens, em especial, sofreram muito com os impactos do aumento dos preços nos últimos meses”, diz.

Outro fator que, segundo Gabriela Martins, também pode ter corroborado para a alta do tíquete médio é o uso do crédito para a compra de presentes. “Um tíquete médio de R$ 160 já é considerável, pensando no rendimento das famílias. Por isso, muitos consumidores recorrem ao crédito, cujas taxas de juros contribuem para encarecer os produtos”, explica.

Por outro lado, a especialista afirma que fatores positivos, como o ganho de renda das famílias motivado por políticas econômicas do governo, nos últimos anos, além do próprio valor sentimental da data, podem influenciar os consumidores a desembolsarem mais nas compras.

Consumidor vai apostar na experiência ao presentear

Segundo o gerente de pesquisas da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, uma grata surpresa da pesquisa foi a preferência dos consumidores de Belo Horizonte em relação ao tipo de presente escolhido para a data: 26,67% dos entrevistados pretendem dar um almoço especial para as mães, seguido por roupas (23,70%), acessórios (22,96%), calçados e cosméticos / produtos de beleza, todos com 20%. “O resultado mostra claramente uma mudança de comportamento do consumidor, que vem apostando, cada vez mais, no investimento em experiências para além do produto físico”, analisa.

De massagem a espumante: restaurantes preparam experiências para a data

Já que a preferência dos consumidores, na data, é sair para almoçar com as mães e investir na experiência, restaurantes de Belo Horizonte já preparam um menu farto de opções que vão além de um cardápio especial.

O Bebedouro Bar & Fogo vai presentear todas as mães que almoçarem na casa, no próximo domingo (10), com uma taça de espumante. A ação acontece das 12h às 15h nas duas unidades do restaurante, nos bairros São Luiz e Olhos D’Água, nas regiões da Pampulha e Oeste, respectivamente.

No Al Mar, também no bairro São Luiz, as homenageadas vão poder desfrutar de massagens durante a visita ao estabelecimento no Dia das Mães. O bar também preparou um menu com duas opções de entrada, prato principal e sobremesa. “Nossa capacidade é receber até 300 pessoas. Abrimos as reservas hoje e já temos um número considerável de pedidos”, revela o proprietário da casa, Vitor Cestaro, que espera, assim como no ano passado, lotação máxima no domingo.

Quem também está otimista com o período é o empresário Reginaldo Calixto, à frente da Casa Calixto no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte. O estabelecimento, que trabalha com uma cozinha contemporânea autoral, espera aumento de 10% no volume de clientes em relação à mesma data de 2025. “No ano passado, tínhamos apenas oito meses de funcionamento. Agora estamos mais conhecidos, então acredito que a procura será maior. Além disso, nosso cardápio é variado. Servimos desde pratos para pessoas com intolerância, a massas e frutos do mar, o que facilita a decisão de escolha das famílias”, diz.

Para atender a demanda do Dia das Mães, Calixto conta ainda que contratou três profissionais temporários para o setor de cozinha e auxiliar de serviços. A expectativa é mantê-los no quadro de colaboradores após a data.

Outros dados da pesquisa da Fundação Ipead para o Dia das Mães

  • A pesquisa sobre a pretensão de compra dos consumidores de BH referente ao Dia das Mães, mostra que 59,21% dos entrevistados pretendem presentear a mãe ou pessoa próxima, o que representa uma alta de 3,98% em relação ao ano anterior.
  • Houve um recuo das pessoas que afirmaram pretender gastar um valor igual ao ano anterior (de 66,12% para 58,65%). Houve aumento tanto para pessoas que pretendem gastar valor superior (de 17,36% para 19,55%) quanto para as pessoas que pretendem gastar menos (de 10,74% para 16,54%).
  • A compra presencial foi citada como a forma principal para a aquisição do presente para o Dia das Mães (49,63%). A diversificação das compras (presencial e internet), com 13,33% de citações, caiu sete pontos percentuais em relação a 2025.

Desenvolvida pela Fundação Ipead, a pesquisa sobre a pretensão de compra para o Dia das Mães foi realizada durante o mês de abril com 228 consumidores da capital mineira.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas