Mesmo com famílias endividadas, comércio espera crescimento para o Dia das Mães
O Dia das Mães, segunda melhor data do comércio do ano, será celebrado no dia10 de maio, segundo domingo do mês. E como é de hábito, o comércio mineiro, assim como no Brasil, tem expectativas de incremento nas vendas para homenagear, com todo o merecimento, as mamães. Nem mesmo entraves financeiros, como o alto endividamento das famílias, deverão impedir os gastos.
Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), o gasto médio no Dia das Mães será de até R$ 480, superando os R$ 353,10 registrados em 2025. O mesmo levantamento indica que 54% dos consumidores da Capital pretendem comprar presentes para a data, reforçando a força da celebração e seu potencial de movimentação econômica.
“O Dia das Mães é uma data extremamente relevante para o comércio, não apenas pelo volume de vendas, mas pelo apelo emocional que envolve a escolha do presente. Mesmo diante de um cenário econômico mais restritivo, o consumidor que decidiu comprar está mais disposto a investir em qualidade e significado”, afirma o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva.
De acordo com a pesquisa Expectativa de Vendas Dia das Mães 2026, realizada pelo Núcleo de Pesquisa & Inteligência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), 98,5% dos estabelecimentos comerciais do Estado serão impactados pela data.
O levantamento também aponta que, para 56% dos empresários do setor, as vendas deste ano devem superar as do Dia das Mães de 2025. Ainda assim, o volume de trabalho gerado será menor: a contratação de mão de obra temporária será feita por 5,2% das empresas, percentual abaixo dos 5,5% registrados no ano anterior.
Crescimento
O poder da data consegue superar barreiras. Tudo para poder homenagear as mães. Essa é a percepção da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping), que projeta crescimento expressivo para o comércio até a celebração da data.
“Nossa projeção aponta para um crescimento de 4% nas vendas em relação ao ano passado, impulsionado pela resiliência do consumo emocional, que costuma “blindar” datas afetivas contra a pressão inflacionária”, comenta o superintendente da Aloshopping-MG, Marcelo Silveira. “Em Belo Horizonte, o protagonismo deve ficar com os segmentos de cosméticos e perfumaria, que oferecem tíquete médio controlado e alto valor afetivo, e com o vestuário, que segue como o carro-chefe dos shoppings com o lançamento das coleções de outono-inverno. Calçados e eletroeletrônicos também aparecem com força, sendo que estes últimos dependem significativamente de condições facilitadas de parcelamento para viabilizar o tíquete mais elevado”, completa.
O pico de vendas deve ocorrer na própria semana do Dia das Mães, conforme 72,2% dos entrevistados da pesquisa da Fecomércio MG. As modalidades de pagamento mais utilizadas devem ser o Pix (28,5%), o cartão de crédito à vista (28,3%) e o cartão de crédito parcelado (27%). Segundo 52,3% dos entrevistados, as vendas serão realizadas pela internet, enquanto 47,7% não farão comercialização on-line. O WhatsApp centraliza as vendas digitais, com 88,5% de preferência entre os comerciantes, seguido pelo Instagram, escolhido por 46,2%.
Inadimplência e estratégias
A economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, concorda que o apelo da data pode impulsionar as vendas. Todavia, haverá maior cautela por conta da inadimplência, que pode reduzir ou até mesmo inviabilizar compras de tíquete mais elevado.
“O endividamento das famílias está muito alto e precisamos considerar também o aumento da inadimplência. Isso faz com que o consumidor fique mais cauteloso na hora de fazer uma nova compra ou ao buscar acesso a alguma forma de crédito. A crise econômica está muito atrelada à questão dos juros altos, que geram impacto direto e negativo para o consumo”, explica.
Ainda assim, como o comércio precisa do giro para sobreviver, Gabriela afirma que algumas estratégias deverão compor o leque de ações para atrair o consumidor. “O Dia das Mães segue sendo uma data de forte apelo emocional, o que ajuda a sustentar o consumo mesmo em um cenário de orçamento mais apertado. Além do valor afetivo, as estratégias adotadas pelos empresários são de extrema importância para atrair o consumidor, como promoções e ações de divulgação”, completa.
“Para atrair o consumidor mineiro nesse contexto desafiador, a estratégia de experiência e conveniência tornou-se vital. O lojista de shopping em Minas Gerais tem se destacado pela comunicabilidade, integrando o estoque físico às vendas por WhatsApp e Instagram com opções de retirada rápida. O uso de kits personalizados e o marketing de experiência dentro dos centros de compras transformam a jornada de consumo em um momento de lazer familiar, agregando valor perceptível sem necessariamente inflar o preço final”, conclui Marcelo Silveira, da Aloshopping.
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