Amadurecer tem um preço
Minas Gerais perdeu cervejarias em 2025. O dado, registrado no Anuário da Cerveja 2026, poderia ser lido como sinal de crise. Não é. É sinal de que um setor que cresceu de forma acelerada na última década começa a cobrar de seus participantes algo que o entusiasmo inicial dispensava: gestão. Os 25 cancelamentos ou vencimentos de registros no Estado, terceiro maior volume do País nesse indicador, não contam uma história de fracasso. Contam uma história de seleção natural de mercado.
O Estado ainda figura entre os quatro maiores polos cervejeiros do País, com densidade acima da média nacional e o segundo maior portfólio de marcas registradas, com 6.299 produtos, o equivalente a 14% de tudo que circula no Brasil. Belo Horizonte, Nova Lima, Juiz de Fora e Uberlândia aparecem entre as cidades mais relevantes do setor em todo o Brasil. Juntas, concentram operações, empregos e inovação que colocam Minas numa posição que vai além do número de estabelecimentos ativos. São mais de 4.700 postos de trabalho diretos, cadeia produtiva que alimenta turismo, gastronomia e desenvolvimento regional. Não é um mercado em retração. É um mercado que aprendeu a selecionar.
O movimento reflete uma transição conhecida em outros setores: a fase da proliferação cede lugar à fase da consolidação. Abrir uma cervejaria ficou mais difícil não porque o mercado encolheu, mas porque o consumidor ficou mais exigente e os custos mais implacáveis. Juros elevados, pressão operacional e concorrência crescente eliminaram operações que dependiam mais do momento favorável do que de um modelo de negócio sustentável. A década anterior foi generosa com quem tinha boa receita e disposição. A atual exige mais. Exige que o empreendedor saiba precificar, comunicar, fidelizar e inovar sem perder o controle do caixa.
Para Minas, que combina tradição, turismo consolidado e forte cultura gastronômica, o caminho segue aberto. O interior do Estado revela esse potencial com clareza: municípios como Córrego do Bom Jesus e Gonçalves, no Sul de Minas, figuram entre as maiores densidades cervejeiras do País, provando que o fenômeno não é exclusivo das grandes cidades. Há espaço para projetos locais com identidade regional forte, para experiências de consumo ligadas ao território, para cervejas que contam a história do lugar onde são feitas. Esse é um ativo que nenhuma grande indústria consegue replicar em escala.
Crescer menos pode ser crescer melhor.
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