México: quando a liderança feminina se torna política de Estado
Nas últimas duas semanas estive no México para conduzir palestras e rodas de conversa sobre liderança feminina, autoliderança, comunicação consciente e desenvolvimento humano. Entre encontros, eventos e conversas com mulheres de diferentes realidades, algo chamou minha atenção de forma especial: a presença feminina nos espaços de poder não é mais uma exceção. Está se tornando uma característica da nova realidade mexicana.
Enquanto muitos países ainda discutem formas de ampliar a participação das mulheres na política, o México já colhe resultados concretos de decisões tomadas ao longo dos últimos anos. O país alcançou um dos mais altos níveis de representatividade feminina no mundo e se tornou uma referência internacional em paridade política.
O marco mais visível dessa transformação ocorreu em 2024, quando os mexicanos elegeram Claudia Sheinbaum como a primeira mulher presidente da história do país. Mais do que um acontecimento simbólico, sua eleição consolidou um processo que vem sendo construído há décadas por meio de reformas eleitorais, mudanças legislativas e políticas públicas voltadas para a participação feminina.
Hoje, aproximadamente 50% das cadeiras do Congresso mexicano são ocupadas por mulheres. Trata-se de um dos raros casos de paridade efetiva no Legislativo em escala mundial. Além disso, cerca de 45% dos ministérios do governo federal são liderados por mulheres, percentual muito superior à média global.
Esses números não representam apenas presença feminina, representam influência real nas decisões que impactam milhões de pessoas. São mulheres participando da construção de políticas públicas, da definição de prioridades nacionais e da condução dos rumos econômicos e sociais do país.
Durante minha passagem pelo México, percebi que essa transformação já produz efeitos culturais importantes. Meninas e jovens crescem vendo mulheres ocuparem os cargos mais altos da República. O imaginário coletivo muda. A liderança feminina deixa de ser uma possibilidade distante para se tornar uma realidade concreta e acessível.
Outro aspecto que me chamou atenção foi o pragmatismo dessa mudança. O debate não gira apenas em torno de representatividade. Existe uma compreensão crescente de que a diversidade de perspectivas fortalece a qualidade das decisões públicas — e que a comunicação consciente entre líderes é parte essencial desse processo. Quanto maior a pluralidade nas mesas de decisão, maior a capacidade de compreender as necessidades de uma sociedade complexa e diversa.
Naturalmente, ainda existem desafios. Mulheres continuam enfrentando obstáculos para alcançar determinados espaços de poder, especialmente em níveis locais e em algumas estruturas administrativas. Contudo, o avanço conquistado pelo México demonstra que mudanças profundas são possíveis quando existe compromisso institucional.
A experiência mexicana mostra que a presença feminina na liderança não deve ser tratada como uma pauta secundária. Trata-se de uma estratégia de fortalecimento democrático. Quando mulheres participam das decisões em condições de igualdade, e o fazem por meio de uma comunicação consciente e afetiva, toda a sociedade ganha.
Volto dessa experiência convencida de que o México oferece importantes lições para a América Latina. A principal delas talvez seja a compreensão de que a liderança feminina não é apenas uma conquista das mulheres. É uma conquista da democracia, da boa governança e do desenvolvimento sustentável.
Ao observar esse movimento de perto, fica evidente que o futuro das nações passa, cada vez mais, pela capacidade de incluir diferentes vozes nos espaços de decisão. E o México demonstra que, quando as mulheres ocupam seu lugar de liderança, não apenas transformam suas próprias trajetórias — transformam também o destino de um país inteiro.
Parto desses dias de trocas enriquecedoras com a certeza de que compartilhar reflexões sobre comunicação consciente e afetiva, como ferramentas essenciais para fortalecer lideranças mais humanas, colaborativas e transformadoras, é também uma forma de contribuir para esse caminho.
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