Proteção que empobrece
Em períodos de desaceleração econômica, o protecionismo reaparece como uma solução sedutora. A promessa é simples: ao dificultar a entrada de produtos estrangeiros, protege-se a indústria nacional, preservam-se empregos e fortalece-se a economia. O problema é que essa narrativa raramente resiste à experiência internacional.
Desde David Ricardo, a economia demonstra que o comércio internacional permite que países se especializem naquilo em que são relativamente mais eficientes, elevando a produtividade e a renda. O comércio não é um jogo de soma zero. Ao contrário, ele amplia a capacidade de produzir, consumir e inovar de todos os participantes.
Isso ocorre porque boa parte das importações é composta por máquinas, equipamentos, componentes eletrônicos, fertilizantes e outras tecnologias que tornam as empresas mais produtivas. Quando governos elevam tarifas sobre esses produtos, não apenas reduzem as importações, aumentam o custo de produção das próprias empresas nacionais. Trata-se de um imposto sobre investimento e produtividade.
A literatura econômica também mostra que mercados protegidos tendem a gerar empresas menos eficientes. Sem concorrência internacional, diminuem os incentivos para inovar, reduzir custos e melhorar a qualidade dos produtos. Em vez de competir por consumidores, muitas empresas passam a competir por subsídios, tarifas e privilégios regulatórios.
Durante décadas, Brasil e Argentina adotaram políticas de substituição de importações, impondo elevadas barreiras comerciais para estimular a industrialização. Embora tenham criado capacidade produtiva inicial, acabaram formando setores pouco competitivos, dependentes de proteção permanente e incapazes de acompanhar o avanço tecnológico internacional. A antiga reserva de mercado para informática no Brasil ilustra bem esse processo.
Frequentemente citada como exemplo de intervencionismo, a estratégia da Coreia do Sul foi bastante diferente. O governo apoiou setores estratégicos, mas condicionou esse apoio à capacidade de competir nos mercados globais. As empresas protegidas precisavam exportar, inovar e ganhar produtividade. A proteção era temporária, mas a concorrência internacional, permanente.
Isso não significa que toda barreira comercial seja equivocada. Há situações específicas, como segurança nacional, combate ao dumping ou proteção temporária de indústrias nascentes, em que alguma intervenção pode ser justificável. O problema surge quando a proteção deixa de ser um instrumento transitório para se tornar um privilégio permanente.
O desenvolvimento econômico depende, sobretudo, do crescimento da produtividade. E produtividade nasce da concorrência, da inovação e da incorporação de tecnologia, fatores que florescem em economias abertas, não em mercados isolados. Ao tentar proteger empresas da competição internacional, o protecionismo frequentemente acaba protegendo apenas a ineficiência.
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