25% e nenhuma certeza

Novo tarifaço isenta principais produtos exportados por Minas, mas afeta segmentos que o Estado domina nas vendas nacionais
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25% e nenhuma certeza
Cerca de 80% da produção das usinas independentes é exportada | Foto: Divulgação SDS Siderúrgica

A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, imposta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 e em vigor desde a quarta-feira (22), chega a Minas Gerais com um recorte que merece atenção além dos números absolutos. Um levantamento da Fiemg mostra que os 15 principais produtos mineiros afetados somaram cerca de US$ 234 milhões em exportações em 2025, valor modesto perto dos US$ 3,3 bilhões embarcados nos itens que ficaram de fora da cobrança. Café verde, ferro-gusa, ferronióbio e carne bovina, que sustentam boa parte da pauta exportadora do Estado, foram preservados pela lista de exceções.

O alívio, no entanto, é parcial e tem prazo de validade incerto. A pauta atingida concentra setores em que Minas tem participação quase absoluta na exportação nacional, caso dos disjuntores de baixa tensão, das obras com magnesita e dolomita e da ardósia trabalhada, todos com mais de 97% de participação mineira. São segmentos pequenos na balança comercial do Estado, mas onde a tarifa pesa integralmente sobre empresas que não têm para onde diluir o custo.

O problema real não está apenas no tamanho do adicional, mas na ausência de regras estáveis. A Fiemg já sinaliza preocupação com um segundo anúncio prometido para esta sexta-feira, ligado à investigação americana sobre trabalho forçado, que pode somar mais 12,5% aos produtos já tarifados e levar o adicional total a 37,5%. Empresas que negociam contratos de médio prazo com compradores americanos não conseguem precificar risco quando as regras do jogo mudam a cada semana. Isso afeta decisões de investimento, renegociação de margem e a própria permanência de fornecedores brasileiros em mercados que concorrentes de outros países disputam com mais previsibilidade.

Cabe ao poder público e às entidades de representação, a Fiemg, entre elas, transformar essa pressão em agenda concreta de negociação, com pedidos claros de ampliação de exceções e de regras sobre eventual acumulação de tarifas. Mas até quando o setor produtivo mineiro vai operar sob esse regime de incerteza permanente? Quantas rodadas de negociação serão necessárias até que o exportador e comprador americano tenham alguma garantia mínima de estabilidade contratual? E, principalmente, o que o Brasil está oferecendo em troca nessa negociação, além de esperar por exceções pontuais? Para o noticiário econômico de Minas, o episódio confirma um padrão que já vínhamos acompanhando, o comércio exterior do Estado está cada vez mais sujeito a decisões tomadas fora do País, com pouca margem de reação local. A pergunta que fica é se essa dependência vai continuar sendo tratada como fatalidade ou se vai finalmente entrar na pauta estratégica de quem exporta.

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