Varejo brasileiro cresce 0,9% em julho e mantém alta de 4,7% em um ano
As vendas do comércio brasileiro voltaram a crescer em julho, com alta de 0,9% na comparação mensal, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Na comparação com o mesmo período no ano passado, o comércio avançou 4,7%, mantendo o volume de vendas acima do observado em 2025. O estudo, que acompanha mensalmente a movimentação do varejo no País, é uma iniciativa da Stone.
Segundo o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, o avanço registrado em julho consolida a retomada iniciada no mês anterior, mas ainda ocorre em um ambiente de condições financeiras restritivas.
“O varejo apresentou dois meses consecutivos de crescimento na margem, com julho mantendo a atividade em patamar superior ao observado no ano passado. O mercado de trabalho continua sendo o principal sustentáculo do consumo, com desemprego baixo, renda em nível elevado e crescimento do rendimento real”, analisa.
Por outro lado, ele observa que o elevado comprometimento da renda das famílias e o custo ainda alto do crédito segue limitando uma recuperação mais disseminada, especialmente nos segmentos mais dependentes de financiamento. “O ciclo de redução dos juros tende a contribuir para uma melhora das condições financeiras, mas seus efeitos ainda devem levar algum tempo para se refletir de forma mais ampla na atividade”, afirma.
Segmentos
No recorte mensal, cinco dos oito segmentos analisados no levantamento apresentaram crescimento em julho. A maior alta foi registrada em artigos farmacêuticos (2,5%), seguida por combustíveis e lubrificantes (2,1%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,6%) e material de construção (1%).
Entre os segmentos que registraram retração estão tecidos, vestuário e calçados (-4,1%), móveis e eletrodomésticos (- 2,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%).
No comparativo anual, sete dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento. A maior alta foi observada em combustíveis e lubrificantes (9,1%), seguida por hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,4%), material de construção (5,2%), artigos farmacêuticos (5%), livros, jornais, revistas e papelaria (3,9%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,8%) e móveis e eletrodomésticos (0,8%).
Tecidos, vestuário e calçados foi o único segmento a apresentar retração, com queda de 5,6%.
Atividade registra alta em 24 estados
No recorte regional do Índice do Varejo Stone (IVS), a maioria dos estados (24) registaram desempenho positivo em julho, na comparação anual. O maior avanço foi de Roraima (18,2%), seguido por Mato Grosso do Sul (9,5%), Acre (7,4%), Rondônia (6,3%), Amapá (5,7%), Amazonas e Pará (5,2%).
Minas Gerais também está no grupo que registrou alta nas vendas no período, com incremento de 4,8%, bem como Alagoas e Distrito Federal, que tiveram expansão de 4,6%. Paraíba (4,5%), Maranhão (4,4%), São Paulo (4,2%), Pernambuco (3,4%), Bahia e Santa Catarina (3%), Rio Grande do Norte (2,9%), Sergipe (2,7%), Goiás (2,2%), Rio de Janeiro (1,9%), Piauí (1,7%), Paraná (1,4%), Ceará, Espírito Santo e Mato Grosso (0,5%) completam o grupo que apresentou alta na comercialização da atividade.
Entre os estados que registraram retração estão Rio Grande do Sul (2,6%) e Tocantins (1,9%).
Já na análise por regiões do País, o Norte apresentou o maior crescimento, com alta de 6,6%, seguido por Centro-Oeste (4,2%), Nordeste (3,1%), Sudeste (2,9%) e Sul (0,6%).
“O desempenho de julho mostra uma retomada ainda disseminada do varejo, mas com diferenças importantes entre as regiões. O Norte apresentou o resultado mais forte, com destaque para Roraima, enquanto o Centro-Oeste também ficou acima da média nacional”, observa o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas.
Ele acrescenta que a sustentação do mercado de trabalho e da renda ajuda a explicar a continuidade do crescimento em boa parte do País. No entanto, o especialista ressalta que as condições de crédito ainda restringem uma recuperação mais homogênea. “A combinação desses fatores deve continuar determinando o ritmo das economias regionais nos próximos meses”, avalia Guilherme Freitas.
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