Mudança de hábitos dos brasileiros fortalece mercado de produtos saudáveis e gera novas oportunidades para o varejo
Em um cenário marcado por desafios econômicos e mudanças no comportamento do consumidor, o varejo busca aproveitar o potencial de tendências como a saudabilidade. A busca por um estilo de vida mais saudável e a crescente preocupação com o bem-estar têm criado oportunidades para o setor, impulsionando a demanda por produtos de maior valor agregado e rentabilidade.
O diretor de atendimento ao varejo da NielsenIQ, Domenico Tremaroli Filho, ressalta que a saudabilidade é uma tendência que vem ganhando força no mercado brasileiro. Segundo ele, a popularização das chamadas canetas emagrecedoras tem contribuído para acelerar esse movimento.
Os consumidores estão cada vez mais atentos ao valor nutricional dos alimentos e mais preocupados com o peso corporal, influenciados por fatores médicos, estéticos e sociais. De acordo com dados do Instituto Global de Bem-Estar, esse mercado movimentou US$ 6,3 trilhões em todo o planeta.
A estimativa é de crescimento de 7,3% entre 2023 e 2028, acima da expansão projetada para o Produto Interno Bruto (PIB) global, de 4,8%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dessa forma, o mercado global de bem-estar deverá atingir US$ 9 trilhões nos próximos dois anos.
Um estudo da NielsenIQ mostra que os brasileiros são mais proativos em relação ao autocuidado: 84% afirmam adotar práticas voltadas ao bem-estar, ante 70% no restante do mundo. Além disso, os brasileiros demonstram maior disposição para investir em bem-estar do que a média global. Segundo a pesquisa, 53% pretendem gastar entre R$ 250 e R$ 1 mil com esse objetivo. “Isso começa a explicar para nós alguns fenômenos que vêm acontecendo no Brasil de uma forma mais intensa”, diz Tremaroli Filho.
No aspecto comportamental, 86% dos brasileiros afirmam ter incorporado ao menos um hábito mais saudável à rotina. Mais da metade dos entrevistados (57%) se considera acima do peso ideal; 45% reduziram o consumo de alimentos industrializados; 58% diminuíram o consumo de carnes; e 41% passaram a praticar exercícios físicos com mais frequência.
A mudança de comportamento também fez com que 35% passassem a verificar atentamente informações nutricionais. Além disso, 59% afirmam gastar mais com produtos voltados à saúde, 23% consomem suplementos alimentares e 51% procuram produtos com adição de fibras e vitaminas.
Oportunidades para o varejo

Tremaroli Filho avalia esse movimento como positivo para o varejo, já que o cenário tem impulsionado categorias com margens de lucro mais elevadas, como produtos proteicos e suplementos alimentares. Além disso, ele destaca que a adoção de hábitos mais saudáveis pode reduzir os gastos com medicamentos, ampliando a disponibilidade de renda para o consumo no comércio varejista.
A implementação de corredores de produtos saudáveis já se consolidou como uma estratégia bem-sucedida no varejo. O mercado de itens saudáveis movimenta R$ 21,1 bilhões no País e apresenta crescimento acelerado: avanço de 20% em valor, índice 2,3 vezes superior ao mercado geral, além de alta de 13% no volume de unidades vendidas, desempenho oito vezes acima da média do setor.
Enquanto o mercado geral registra redução de 8% na quantidade de itens presentes no carrinho de compras dos brasileiros, os consumidores de produtos saudáveis ampliaram esse volume em 11%. Categorias como frutas, legumes e verduras (FLV), lácteos, proteínas e bebidas não alcoólicas têm se destacado nesse movimento. “Existem muitos desafios, mas também muitas oportunidades a serem exploradas”, afirmou.
Outro ponto a ser levado em consideração é o avanço dos produtos diet, light e zero álcool ou açúcar. Os energéticos, por exemplo, têm apresentado um aumento de 62,5% no faturamento, contra uma queda de 1,9% no regular. Já entre os refrigerantes, a diferença é de alta de 33% contra uma retração de 3,2%. Quanto à cerveja, a opção mais saudável teve variação positiva de 14% contra um leve crescimento de 1,2% no produto convencional.
Como o varejo pode se conectar ao consumidor saudável

O especialista ressalta que empresas do varejo e do atacado distribuidor podem explorar a tendência da saudabilidade de diversas formas, sem necessariamente comercializar produtos voltados a esse segmento. Em Minas Gerais, por exemplo, diversas redes supermercadistas têm apostado na realização e no patrocínio de corridas de rua, uma das estratégias apontadas pelo executivo para aproximar a marca desse público.
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Para Tremaroli Filho, é fundamental ouvir o consumidor para compreender suas demandas e expectativas. Segundo ele, ao associar sua marca à busca por hábitos mais saudáveis, o varejista aumenta as chances de fidelização do cliente, tanto na compra de produtos saudáveis quanto em outras categorias do dia a dia.
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