O novo comportamento dos consumidores reflete na queda da comercialização | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

Apesar de os shoppings de Belo Horizonte, pouco a pouco, estarem retomando as atividades após ficarem fechados por conta das medidas de isolamento social adotadas para combater a Covid-19, o cenário ainda não está bom em relação às vendas. Quem afirma é o superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping), Alexandre França. A queda nas comercializações, diz ele, gira em torno de 50% a 70% e só pioram a cada dia.

O motivo para isso são diversos, segundo França. Um deles tem a ver com o próprio comportamento do consumidor, que pouco tem comprado determinados produtos, como roupas e calçados, por exemplo. “O comportamento dos consumidores mudou muito. Não está tendo festas, casamentos, entre outros eventos, então, eles não têm investido em vestuário”, justifica.

As comercializações, embora menos volumosas, têm sido mais presentes na área de artigos para o lar, como os de cama, mesa e banho. Mas, mesmo assim, nada como era antes, até porque, explica França, praticamente acabaram as vendas por impulso, algo que era muito intenso nos shoppings.

Antes, explica, as pessoas iam aos cinemas (que permanecem fechados) e ficavam mais nas praças de alimentação. O tempo de permanência nos centros de compras no pré-pandemia era de, em média, 69 minutos. A circulação mais demorada alavancava o consumo. Atualmente, o tempo de permanência é de cerca de 23 minutos. “As pessoas compram algo e já vão embora”, diz França.

Com todo esse cenário, conta o superintendente do Aloshopping, cerca de 15% dos lojistas de shoppings da capital mineira já fecharam as portas definitivamente. Os outros têm conseguido negociações com os administradores em relação ao aluguel e ao condomínio. No entanto, agora, as situações têm sido analisadas caso a caso e mês a mês, o que também tem sido um desafio.

“O que estamos pleiteando é algo mais definido por um período, como até o fim do ano. Como o lojista pode planejar qualquer coisa sem saber o boleto que terá de pagar?”, indaga. De acordo com ele, se as contas apertarem mais, serão ainda mais lojas fechadas.

Aumento de preços – No entanto, esses não são os únicos desafios enfrentados pelos lojistas. França diz que há, atualmente, dificuldades de comprar determinados produtos. “Muitos lojistas não estão conseguindo comprar o que eles querem. Está faltando matéria-prima”, afirma.

Segundo o superintendente do Aloshopping, pelo fato de muitas indústrias terem paralisado as atividades por um tempo por conta da pandemia, há itens escassos no mercado, o que afeta os preços.

Com isso, a previsão é de que, mesmo sem muita demanda, haja aumento dos valores dos produtos também nas lojas, pois os lojistas poderão ter de repassar a alta para os consumidores, por já estarem em uma situação complicada. “Nós estamos prevendo um aumento grande no preço de mercadorias”, ressalta França.

Mais uma vez, o setor de vestuário, também nesse sentido, tem sido um dos mais afetados, assim como o de colchões, por falta de matéria-prima, além do aumento do valor do algodão.

Perspectivas – Nem mesmo o Natal, data tão importante para o comércio, tem conseguido alcançar expectativas positivas do segmento. Segundo França, as vendas de fim de ano nos shoppings deverão ser 30% menores em relação ao ano passado. A queda nas comercializações deve permanecer em 50% até o mês de novembro, em comparação ao período antes da pandemia.

Já em relação às perspectivas de abertura dos shoppings em um horário mais amplo, França diz que espera-se que os shoppings voltem a funcionar de 10h às 22h ainda em outubro.