As restrições impostas ao comércio pela pandemia da Covid-19 refletiram nas vendas na Capital | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O comércio de Belo Horizonte acumulou queda de 8,83% nas vendas entre janeiro e julho. A retração é resultado da crise provocada pela pandemia da Covid-19. Com as medidas de isolamento, adotadas para controle da disseminação do novo coronavírus, as lojas ficaram mais de quatro meses fechadas.

Além disso, o aumento do desemprego aliado à queda de renda das famílias e o maior receio de contaminação impactaram de forma negativa nos resultados. Os dados são da pesquisa “Termômetro de Vendas – BH”, realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH).

Mesmo com a reabertura do comércio, ainda que com algumas restrições, as estimativas são cautelosas para os próximos meses. Existe um grande receio em relação ao aumento das demissões quando terminar o período de estabilidade de trabalhadores que tiveram a carga horária reduzida ou o contrato suspenso, processo que foi permitido pelo programa emergencial do governo federal.

A pesquisa mostrou ainda que no acumulado dos sete primeiros meses de 2020 comparado com o mesmo período do ano passado, os segmentos que amargaram maior retração foram o de informática, com queda de 9,98%, e de veículos e peças (9,33%).

No confronto de julho de 2020 com igual mês de 2019, o desempenho do comércio da Capital registrou uma retração de 3,15%. Fatores como lojas fechadas, queda na renda das famílias, aumento do desemprego e as incertezas em relação à pandemia contribuíram para o resultado negativo. Mantendo a base de comparação, os segmentos mais afetados em julho foram papelaria e livraria (7,26%) e vestuários e calçados (6,28%).

A queda também foi registrada na comparação de julho com junho, quando as vendas recuaram 1,67%. Os segmentos que apresentaram maior queda foram vestuários e calçados (4,39%) e papelaria e livraria (3,22%).

“Surpresa “positiva” – De acordo com o vice-presidente da CDL-BH, Marco Antônio Gaspar, o resultado surpreendeu de forma positiva. Ele explica que a queda esperada era maior, porém, os resultados das vendas nos comércios de bairros contribuíram para que o desempenho não fosse ainda pior.

“Com a população em casa e o receio de contaminação, as pessoas estão priorizando o comércio perto dos lares. Isso foi importante para que a queda não fosse ainda maior. Porém, é importante falar que, em importantes centros comerciais, como no hipercentro, Venda Nova, Barro Preto, Barreiro e Savassi, a queda foi muito grande. Por isso, a situação é crítica”, ressaltou Gaspar.

A queda também foi minimizada devido ao aumento da comercialização em supermercados e farmácias. A pesquisa da CDL/BH mostrou que em julho, frente ao mesmo mês do ano anterior, as vendas cresceram 1,61% nos supermercados e 0,18% nas farmácias. Já no acumulado do ano, as altas foram de 0,52% em farmácias e de 1,61% nos supermercados. Para Gaspar, as pessoas estão evitando visitar muitas lojas, por isso, concentram as compras em produtos essenciais e em lojas que oferecem uma grande gama de itens.

Cenário é de cautela mesmo com reabertura

Em Belo Horizonte, as estimativas para o desempenho do comércio, ao longo dos próximos meses, ainda são cautelosas. Mesmo com a reabertura de grande parte das atividades econômicas e datas comemorativas importantes, como o Dia das Crianças e o Natal, o receio é que as comercializações sejam comprometidas pelo desemprego e queda de renda da população. A manutenção das aulas suspensas também impacta de forma negativa.

Segundo o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marco Antônio Gaspar, o aumento do desemprego na Capital pode acontecer porque muitas empresas utilizaram o plano emergencial do governo federal, que permitiu a suspensão dos contratos ou a redução da carga horária, o que gerou um período de estabilidade para os trabalhadores. O medo é que após essa estabilidade, ocorra aumento das demissões.

“O aumento do desemprego e a queda da renda da população são péssimos para o desempenho do comércio. Estamos muito receosos em relação a isso. Além disso, por receio de contaminação, as pessoas estão evitando passear pelas lojas, estão mais focadas no que precisam comprar, isso também pode prejudicar o desempenho”, argumentou.

A recomendação da CDL/BH para os lojistas é que invistam no e-commerce e no delivery para alavancar as vendas.