A produção de aço deve cair 8,2% neste ano no País - Crédito: Divulgação

O ano de 2019 não foi positivo para a indústria do aço no País. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil, este ano deverá registrar queda de 2,3% nas vendas internas, na comparação com 2018, somando 18,5 milhões de toneladas. A previsão de baixa no consumo aparente, que deverá atingir 20,7 milhões de toneladas, é de 2,4%. Já a produção deverá apresentar queda de 8,2%, somando 32,5 milhões de toneladas este ano. Enquanto as importações deverão ter um crescimento de 2,1%, totalizando 2,5 milhões de toneladas, a previsão é de que as exportações apresentem queda de 6,7%, atingindo 13 milhões de toneladas.

Em coletiva para a imprensa, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, lembrou que o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro deste ano, foi um dos responsáveis pelo impacto negativo nos números do setor.

“Foi uma tragédia monumental, que chocou o País, com mortes que não poderiam ter acontecido”, disse ele. “Trouxe um impacto grande na indústria do aço. Acabou por comprometer, de uma forma diferente para cada empresa, o abastecimento de uma matéria-prima estratégica, que é o minério de ferro”, destacou.

No entanto, outros fatores também tiveram peso para os “dados infelizmente negativos”, conforme pontuou o presidente do Instituto Aço Brasil. Ele destacou um mercado interno deprimido no primeiro semestre e um mercado internacional de “cabeça para baixo”. Além disso, Lopes frisou o fato de o segmento começar a tratar com um governo novo, que traz uma estrutura e uma forma de atuar diferentes, o que exige um trabalho de adaptação, de acordo com ele.

Confiança – Apesar dos números negativos e do cenário turbulento, as expectativas para o ano que vem são de retomada. De acordo com os dados do Instituto Aço Brasil, a produção de aço em 2020 deverá apresentar um incremento de 5,3%, alcançando 34,2 milhões de toneladas. As vendas internas deverão crescer 5,1%, somando 19,4 milhões de toneladas. Já o consumo interno deverá apresentar alta de 5,2%, somando 21,8 milhões de toneladas.

Além disso, o Índice de Confiança da Indústria do Aço (Icia) chegou aos 62,2 pontos, o maior patamar desde quando começou a ser apurado, em abril deste ano. O índice de expectativas para os próximos seis meses, por sua vez, atingiu os 68,8 pontos.

Segundo o Instituto Aço Brasil, o otimismo “baseia-se no fato de que a política econômica do governo vem assegurando as condições necessárias para que se tenha uma retomada do crescimento de forma sustentada. A aposta na construção civil, até então estagnada; a expectativa da retomada das obras de infraestrutura, e uma maior participação da indústria nacional no setor de óleo e gás e energia renovável, consolidam essa percepção”.

No entanto, o setor também precisa vencer alguns entraves para que possa se fortalecer cada vez mais. Lopes lembrou, por exemplo, a necessidade de haver o aumento das exportações, o que afetaria positivamente o grau de utilização da capacidade instalada, que atualmente está em 64%. Para 2020, as projeções são de que esse número aumente para 67%. No entanto, o presidente do Instituto Aço Brasil frisou a importância de esses níveis estarem “acima dos 85%” e da relevância de se corrigir o chamado custo Brasil.

Investimentos – Quando o assunto é o futuro do segmento nos próximos cinco anos, Lopes afirmou que as expectativas são de que as companhias da área invistam US$ 9 bilhões nesse período.

“Deverá haver a melhoria do índice de competição, novos produtos, automação. Isso tudo está ligado ao processo de modernização”, disse ele, que destacou a importância da percepção de que se tem que investir constantemente para ter a capacidade de competir nesse “mundo maluco aí fora”.

Barreiras às exportações preocupam

Uma necessidade que permeia o setor, de acordo com o Instituto Aço Brasil, é a de remover barreiras impostas às exportações. O presidente executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, mencionou o anúncio que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez no Twitter no último dia 2 de dezembro, de que iria restaurar as tarifas norte-americanas sobre a importação do aço e alumínio da Argentina e do Brasil. A alegação foi de que ambos os países estavam promovendo a desvalorização de suas moedas, o que prejudicaria os agricultores dos Estados Unidos.

“Ficamos perplexos. O posicionamento é desprovido de sentido técnico. A afirmação de que o Brasil manipula o seu câmbio não tem sentido”, diz ele, que pontuou, ainda, que “agricultura não tem nada a ver com aço”.

De acordo com Lopes, a declaração de Donald Trump causou um verdadeiro furacão nas negociações com os clientes norte-americanos, que estão paradas. “Há um grau de insegurança”, ressaltou ele, que lembrou que os contratos já firmados, porém, estão sendo cumpridos.

O presidente do Instituto Aço Brasil também afirmou que já foram procurados por escritórios de advocacia internacional, mas que nenhuma decisão foi tomada ainda, uma vez que não existe nada formalizado pelos Estados Unidos até agora.