Crédito: Adão de Souza/PBH

As incertezas e crise econômica provocada pela pandemia do Covid-19 vão interferir nas vendas do comércio varejista para o Dia dos Pais, em Belo Horizonte.

Mesmo que os estabelecimentos obtenham autorização para abrir, a estimativa é que a comercialização fique até 40% menor do que a registrada no mesmo período do ano passado. O aumento do desemprego, a queda da renda da população e o medo em relação à contaminação pelo Covid-19 são fatores que irão interferir nas vendas.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas BH), Nadim Donato, o setor vem negociando junto à Prefeitura para que o comércio seja reaberto a partir do dia 3 de agosto. Mesmo que a reabertura aconteça, a tendência é que as vendas fiquem entre 30% e 40% menores quando comparado com o Dia dos Pais de 2019.

“Esperamos que o comércio possa funcionar, estamos discutindo as proposta com a Prefeitura. Com a crise provocada pela pandemia, mesmo com o comércio aberto, esperamos vendas entre 30% e 40% menores que as geradas no mesmo período do ano passado. Isso se deve ao aumento do desemprego, a queda de renda da população e ao receio em relação à doença”, explicou.

Ainda segundo Nadim, as pessoas também estão muito receosas em relação à contaminação pelo Covid-19. No período em que o comércio pôde reabrir, o tempo médio do consumidor dentro das lojas foi reduzido.

“Percebemos que o consumidor está com medo. Ele entra nas lojas já sabendo o que irá comprar e, com isso, o tempo de permanência foi muito reduzido, o que impacta de forma negativa na concretização das vendas”.

A proposta do Sindilojas é que a Prefeitura permita a reabertura total do comércio a partir do dia 3 de agosto, o que seria importante para as vendas do Dia dos Pais. A abertura ocorreria de terça a sexta e o fechamento de sábado a segunda.

“Abrindo todo o comércio, os consumidores teriam mais opções de lojas e não ocorreriam aglomerações. Além disso, com o intervalo de dias fechados, será possível medir os índices de contaminação da população e tomar as decisões”.

O economista- chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, explica que estamos em um momento complicado, com muitas incertezas, por isso, a tendência é que as vendas voltadas para o Dia dos Pais fiquem menores que as realizadas no ano anterior, onde havia uma estimativa de recuperação da economia e queda do desemprego.

“O comércio para o Dia dos Pais atua na ponta, direto com o consumidor, que hoje enfrenta o desemprego elevado e o achatamento da renda. Além disso, o índice de confiança, tanto dos empresários como dos clientes, está baixo. As datas comemorativas, por terem um apelo emocional, geraram uma sazonalidade de vendas frente a dias tradicionais, provocando aumento. Mas a expectativa para o Dias dos Pais em 2020 é pessimista para o comércio”.

Ainda segundo Almeida, mesmo que o comércio tenha permissão para funcionar, a tendência é de resultados menores que os gerados no Dias dos Pais de 2019. Porém, será benéfico para o empresário, que terá oportunidade de vender e reduzir os prejuízos.

Caso não ocorra a reabertura, a queda nas vendas tende a ser maior e será necessário que os comerciantes invistam nas vendas on-line e no delivery.

“Se a reabertura não for permitida, o empresário deve utilizar todas as ferramentas disponíveis para tentar vender, seja por plataformas próprias, whatsapp, Instagran, marketing place e demais mídias sociais”.

Potencial – O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, também espera que o comércio esteja aberto para atender a demanda do Dia dos Pais.

A estimativa é que as vendas em agosto fiquem entre 6,8% e 7% menores que em agosto de 2019. O potencial de venda para o mês, que abrange o Dia dos Pais, é de R$ 1,7 bilhão, valor considerado baixo e que está no mesmo patamar alcançado em 2011, quando se iniciava a crise econômica.

A CDL-BH também está negociando junto a Prefeitura de Belo Horizonte para que a reabertura aconteça antes do Dia dos Pais para reduzir os prejuízos e aproveitar a demanda que é maior que nos dias comuns de venda. A proposta é reabrir as lojas de segunda a sábado em horários reduzidos.

“As estimativas para a data comemorativa ainda são muito nebulosos, porque não sabemos se as lojas terão permissão para abrir”, explicou.

Caso não aconteça a reativação do comércio, a indicação é que os empresários invistam nas vendas on-line para tentar reduzir os prejuízos.

“Mesmo fazendo as vendas on-line, a tendência é que ocorra queda, uma vez que a grande maioria dos empresários, por serem de menor porte, não tem condições de concorrer com as grandes redes, que já têm estruturas desenvolvidas para o e-commerce”, explicou Souza e Silva.