Crédito: Divulgação

Para a criação de infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação e ainda assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, a academia tem papel fundamental.

É dentro das universidades que nascem as novas tecnologias que melhoram processos e novos produtos capazes de gerar uma produção e consumo mais conscientes em todos os setores, inclusive aqueles apontados como mais críticos, como siderurgia e mineração, por exemplo, que fazem parte da base da economia de Minas Gerais.

No Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), com dois campi na região Oeste, o Grupo de Pesquisa Química Verde se empenha para transformar a indústria química – sempre apontada como de grande impacto ambiental – em referência em processos limpos e sustentáveis.

De acordo com a professora do Departamento de Química do Cefet-MG e líder do Grupo de Pesquisa, Adriana Akemi Okuma, o princípio fundamental da Química Verde é a prevenção, com a não geração ou a minimização de resíduos. Vários trabalhos têm sido realizados no sentido de promover o desenvolvimento de processos e produtos sustentáveis, baseados em matérias-primas renováveis, técnicas e metodologias alternativas, fontes de energia mais limpas e eficientes, biotecnologia, entre outras abordagens direcionadas à aplicações industriais.

“A Química Verde se relaciona diretamente com as metas 12.4 (Até 2020, alcançar o manejo ambientalmente adequado dos produtos químicos e de todos os resíduos) e 12.5 (Até 2030, reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reúso) do ODS 12, promovendo o desenvolvimento científico e tecnológico sustentável”, explica Adriana Okuma.

A Química Verde atua em diferentes frentes de pesquisa no mundo: design de novos produtos visando à degradação, reciclagem; uso de matérias-primas, reagentes e solventes renováveis e menos tóxicos; desenvolvimento de processos mais eficientes; desenvolvimento e uso de fontes de energia mais limpas e eficientes; aplicação da catálise, biotecnologia, nanotecnologia em processos e produtos.

O grupo belo-horizontino além de formar profissionais capacitados para a atuação ética e responsável, alinhados com os princípios da Química Verde, busca em suas pesquisas: uso de biomassa renovável e rejeitos diversos como matéria-prima em processos químicos e biotecnológicos; desenvolvimento de processos e produtos sustentáveis para as indústrias de alimentos e bebidas, fármacos, cosméticos, catalisadores, aditivos, materiais diversos; promoção do estudo e do trabalho multi e interdisciplinar para o desenvolvimento de tecnologias verdes, de modo a eliminar o uso e a geração de substâncias e produtos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente; aplicação de fontes alternativas e eficientes de energia (micro-ondas e ultrassom) em processos químicos.

A perspectiva é que logo as pesquisas desenvolvidas pelo grupo cheguem ao mercado através da transferência de tecnologia para empresas mineiras. “Teremos, em breve, considerando que há vários projetos em andamento com diversas empresas. O Projeto “Rotas Sintéticas – Química Verde” foi aprovado, em maio, na Nascente Incubadora de Empresas do Cefet-MG / Unidade Contagem e encontra-se em andamento. O Grupo de Pesquisa Química Verde trabalha em parceria com a Biocarbo Indústria e Comércio Ltda, desenvolvendo processos e produtos a partir de rejeitos lignocelulósicos gerados no setor siderúrgico, no tema Siderurgia Sustentável”, pontua a professora do Cefet-MG.

LEIA MAIS:

Governo de Minas adere ao movimento

DIÁLOGOS DC | Canudinhos têm dias contados na Arcos Dourados e Cefet-MG

DIÁLOGOS DC | Ações simples em prol da sustentabilidade