Quase nove décadas se passaram desde que o jornalista e fundador do então “Informador Comercial”, José Costa, dera os primeiros passos acerca daquele que se transformaria em um importante veículo de comunicação de Minas Gerais. Hoje, o Diário do Comércio se destaca como um dos mais antigos jornais de economia e negócios do País e o único especializado no Estado, tendo sua história marcada pela identificação com a economia regional e com os empresários mineiros.

Mas o Diário do Comércio vai além. Desde 18 de outubro de 1932, quando foi criado, já carregava consigo a missão de não apenas informar, mas de contribuir para as transformações da sociedade, a partir das contribuições para o desenvolvimento de Minas Gerais.

Tanto é que marcos econômicos como a criação de importantes empresas, como Petrobras, Vale, Cemig, Usiminas e Açominas, se confundem com a história do próprio jornal. Isso porque, encontraram no DC, um defensor incansável e, porque não, intransigente de seus projetos. É o que lembra o presidente do Conselho da empresa, Luiz Carlos Motta Costa, filho de José Costa.

Luiz Carlos Costa recorda que seu pai e outros empresários acreditavam que a realidade nacional poderia ser transformada por meio do desenvolvimento econômico e que isso foi possível por meio da força das entidades de classe e do veículo de comunicação. Tanto que, conforme ele, a história e os registros mostram que empreendimentos estaduais e nacionais contaram com campanhas memoráveis no jornal.

“O pensamento sempre foi de gerar valor. Eles pensavam: ‘Se podemos exportar pelotas, por que vamos focar apenas no minério? Se podemos exportar aço, por que focaremos nas pelotas? Se podemos exportar aço, por que vamos nos restringir às chapas?’. Felizmente, eles conseguiram e estes movimentos fizeram do DC um veículo que sempre lutou pelos interesses do empresariado mineiro. Tenho vivas, em minha memória, essas lembranças, já que muitas delas, eu mesmo pude vivenciar e reportar nas páginas do jornal”, afirmou.

Pioneirismo – O presidente do Conselho destacou ainda a atuação do DC, ao longo de sua história, como um propulsor de inovações não apenas no ambiente de negócios, mas, principalmente, no jornalismo mineiro. Para isso, ele citou o pioneirismo do pai na importação e adoção de tecnologias, como, por exemplo, a impressora plana nos anos 1950 e depois, em meados de 1960, a impressão offset.

“Do mimeógrafo, a um dos jornais mais avançados e tecnológicos do Brasil. Tivemos também a tecnologia que nos permitiu fazer tudo na tela, integrando texto e imagem, deixando para trás o trabalho manual. Este foi o primeiro equipamento feito especificamente para jornal e ele trouxe para o DC. Mais uma vez saímos na frente e grandes veículos do País, como O Globo, Zero Hora, Veja, jornais de Recife e Salvador, também adquiriram a tecnologia e vieram aprender a manuseá-la conosco”, lembrou.

Por fim, Luiz Carlos avalia que a intenção de José Costa de fazer do jornal uma ferramenta de trabalho, instrumento de prospecção de negócios, de identificação de oportunidades e compreensão de cenários permanece até hoje. Para ele, a linha editorial definida há 88 anos, de um jornalismo independente e imparcial, continua fazendo do Diário do Comércio um dos mais influentes e respeitados jornais mineiros, reconhecido como formador de opinião.

“Ao investir nessas tecnologias, ele (José Costa) já almejava ampliar a capacidade de produção e entrega. Mas estou certo que não podia imaginar aonde chegaríamos. Temos avançado muito com as ferramentas e transformações adotadas, alcançando uma capacidade de produção e entrega fantástica, que só tendem a crescer”,
finalizou.

Trabalho para reafirmar o espírito da 1ª geração

Diante do contexto econômico de profundas e rápidas mudanças, o Diário do Comércio, empresa familiar, fundada em 18 de outubro de 1932, trabalha, nos últimos anos, para reafirmar o espírito que norteava a primeira geração, de não apenas informar a população, mas conectar agentes econômicos e promover o desenvolvimento do Estado. Desde então, se posiciona como veículo que horizontaliza e articula as discussões necessárias para a retomada do protagonismo de Minas Gerais.

À frente deste trabalho, Adriana Costa Muls, integrante da terceira geração da família, que completa um ano na presidência da empresa. Conforme Adriana, a intenção de transformação já está presente no DC há alguns anos. No entanto, a partir de 2019, com a criação do Conselho Consultivo e a definição de papéis, tornou-se possível ampliar o posicionamento e elevar o patamar de entrega do veículo.

“O Diário do Comércio é fruto de um projeto de vida do grande homem que foi José Costa. Honrar essa trajetória e projetar o futuro é uma responsabilidade muito grande. Justamente, por isso, minha primeira ação foi fazer uma reflexão mais profunda sobre o propósito do DC, visando entender a relevância, o histórico e a trajetória do veículo, traduzindo-os em entregas ao mercado, incluindo a dinâmica e a velocidade das transformações, principalmente no campo digital”, explicou.

Outra preocupação, conforme a executiva, diz respeito a contribuir para o fortalecimento do Estado, a partir de um jornalismo propositivo e seguindo os pilares do capitalismo consciente. Neste sentido, entendendo a necessidade de acompanhar as tendências de novos movimentos da economia, a empresa se associou ao Movimento de Capitalismo Consciente Brasil.

“Em um ambiente tão desafiador, o DC, que sempre fez um jornalismo de qualidade, precisa agora também oferecer um jornalismo que faça sentido. Mais do que entregar informação, colaborar para a construção da informação e da formação das pessoas. E, por ser um jornal de nicho, estar próximo dos agentes econômicos e das áreas de conhecimento, e ter no seu DNA uma atuação propositiva, precisa estruturar melhor suas colaborações e apontar caminhos”, argumentou, completando que, com o objetivo de abrir para escuta e receber contribuições de temas e olhares que alimentem o propósito do jornal, outra iniciativa foi a instituição do Conselho Editorial, ideia antiga que tomou corpo no último ano.

Conforme a jornalista, que também acumula o posto de Diretora Editorial e de Operações do Diário do Comércio, foi elaborado ainda o Planejamento Estratégico 2020/2023, em parceria com o Instituto Áquila, por meio do qual propósito e valores foram restabelecidos e novos modelos de negócios e plataformas de atuação desenvolvidos.

Trata-se de um processo de transformação digital, que vai permitir o veículo diversificar a atuação, com novos canais de informação e outras formas de linguagem, ampliando a audiência. “É um sonho grande e ousado, mas que vai permitir que o Diário do Comércio seja, de forma ainda mais efetiva, um instrumento que contribua para o fortalecimento de Minas Gerais”, disse.

Planejamento estratégico – Da mesma maneira, o Diretor Executivo e de Mercado, Yvan Muls, destacou o novo Planejamento Estratégico da empresa, por meio do qual, segundo ele, foi possível pensar e reformular a gestão, com a definição de papéis, em vistas ao resultado econômico-financeiro e ao desenvolvimento de novos modelos de negócios para o DC.

Ele apontou que propósito de fortalecimento da economia mineira, por meio do veículo, ocorre a partir de uma mudança na cultura da organização em direção ao jornalismo consciente e o aprimoramento deste mesmo jornalismo com uma visão mais propositiva.

“Com o objetivo final de alcançar a transformação digital para criação de um ecossistema comunicacional que contemple ações em ambientes on e off-line, além da inserção de uma nova rotina de produção de projetos e experimentos”, revelou.

Como exemplo, Muls citou o #juntosporminas, uma iniciativa com conteúdos e temas essenciais para o fortalecimento do Estado, que além da cobertura assídua pelo jornal, contempla uma landing page e novos formatos de mídia, como lives e podcasts, visando contar as histórias e os números de Minas Gerais.

Neste primeiro momento, o assunto abordado são as reformas estruturais. Mas outros temas essenciais, como infraestrutura, energia, logística, transporte e inovação já estão em desenvolvimento. “Este é apenas o primeiro passo desta transformação digital, que envolve uma série de projetos, modelos e experimentações e que vai culminar com o lançamento do novo portal de notícias do Diário do Comércio no início do ano que vem”, anunciou.