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Especial: Setor de bebidas se reinventa em Minas

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Cervejaria Sátira está, mais uma vez, apertando os cintos, mantendo a operação em um nível mínimo | Crédito: CARLOS HAUCK

A tragédia da Covid-19 no Brasil, que tirou o prazer dos brindes e, muitas vezes, qualquer possibilidade de comemoração, atingiu em cheio as indústrias de bebidas. A Pesquisa Conjuntural realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) mostra que, em vendas reais, as categorias com as maiores quedas foram bebidas, 8,3%; e derivados de trigo, com 1,9%.

Nem mesmo o badalado circuito das cervejas artesanais da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi poupado. Sediada em Nova Lima, a cervejaria Sátira já estava pronta para inaugurar três novas casas quando o novo fechamento do comércio não essencial decretado pela prefeitura da Capital e depois reforçado pelo governo do Estado atingiu os planos em cheio.

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De acordo com o sócio-fundador da Sátira, Eduardo Gomes, a marca, diferentemente de muitas outras, sempre apostou no crescimento através de casas próprias e, ainda, continua firme na ideia. Para suprir a demanda que migrou para o delivery, atendendo o cliente dentro de casa, formatos maiores foram valorizados.

“Apostamos em casas próprias, com maior controle maior da cadeia produtiva. Agora, quando íamos acelerar, abrindo, entre abril e junho de 2020, três novas unidades, veio a piora da pandemia. Seguramos por um ano, fazendo mágica como a maioria, procurando soluções. As linhas de crédito são de acesso muito difícil para as pequenas e médias empresas. Passamos por um processo de profissionalização nos últimos três anos que nos deu estrutura”, revela Gomes.

Uma das casas será uma cervejaria no Boulevard Shopping, na região Leste. A segunda, estará em um rooftop na AvantGarde, prestigiada loja de automóveis de luxo, na região Centro-Sul. E, por fim, com a terceira unidade, Sátira assume a operação gastronômica e do bar do Guaja, também na região Centro-Sul, que reabrirá as portas este ano.

Também nos planos da cervejaria está o lançamento do seu primeiro destilado: o JinGin. “As pessoas vão procurar marcas que transmitam mais confiança e profissionalismo. O e-commerce e a compra digital tendem a ter uma queda, mas vão se manter em um patamar extremamente superior em relação ao anterior à pandemia. Ao mesmo tempo, acreditamos que, mais do que nunca, as pessoas vão valorizar os encontros, os momentos de socialização e os lugares abertos. Estamos mais uma vez apertando os cintos, mantendo a operação em um nível mínimo”, afirma.

Teremos clubes de compras e outras vertentes, diz Gilberto Luiz | Crédito: KLEBER SCHMIDT

Comemoração

A tradicional cachaçaria Seleta, em Salinas, no Norte de Minas, segue no firme propósito de comemorar o aniversário de 40 anos a despeito de todas as dificuldades e transformações impostas pela pandemia.

Segundo o diretor executivo da Seleta, Gilberto Luiz, já em 2021 foram dois lançamentos importantes: a primeira bebida mista da marca, a “Seleta Eu Garanto” e o rótulo comemorativo de 40 anos, em edição limitada da versão tradicional da cachaça.

A Eu Garanto é armazenada em barris de umburana por dois anos e meio, tem teor alcoólico de 33%, inferior ao das cachaças tradicionais. Na sua composição, além da seleta tradicional, estão associados mel e castanha de Baru.

“Logo no início da pandemia o impacto foi devastador com o fechamento de bares e restaurantes. Tivemos que mudar o foco para a venda da garrafa para a pessoa consumir em casa, reforçando e buscando novas parcerias com supermercados. Implantamos uma série de estratégias com redução de custos, renegociação de contratos e armazenamento de insumos. Tínhamos alguns lançamentos que foram desacelerados. Lançamos, no final de janeiro, a nossa primeira bebida mista. É a primeira de muitas. Para comemorar os 40 anos, desenvolvemos um rótulo muito bonito, que já está performando muito bem nas redes sociais e nos marketplaces. Dentro do pacote dos 40 anos vamos ter um site novo e, em um mês, vamos lançar nosso e-commerce próprio. Teremos clubes de compras e outras vertentes”, anuncia Gilberto Luiz.

Vendas da Destilaria Ouropretana para todo o Brasil é realizada pelo comércio on-line | Crédito: LEO HOMSSI

Destilaria aposta em funcionalidade

Na falta dos bares e restaurantes – fechados como medida de combate a Covid-19 -, o consumo de bebidas dentro de casa cresce e se transforma. Aliado a uma preocupação com o meio ambiente crescente, consumidores do mundo inteiro já cobram das indústrias de alimentos e bebidas respostas mais criativas e efetivas para essa demanda.

Atenta a essa tendência e imbuída de princípios que a norteiam desde a fundação, que a Destilaria Ouropretana, fundada em 2011, em Ouro Preto, na região Central, lança a primeira embalagem econômica com um litro da receita “Ouropretana London Dry Gin”, que permite custo menor, utilização como refil e reúso do frasco.

Segundo o fundador e responsável pela produção da Ouropretana, Leonardo Trópia, a receita da bebida é a mesma, lançada em 2020, nas versões 750ml e 375ml. A embalagem, porém, tem outras funcionalidades, focadas na sustentabilidade. São três pontos de troca na cidade histórica.

“Ela é um refil para as demais garrafas de Ouropretana London Dry Gin, permitindo também ter outros usos, após higienização, como o growler para chopes ou garrafa para água. Em 2020, tivemos que rever nossos planos. Convergimos para a garrafa e isso é um peso para nós. A garrafa é um estorvo porque a logística é mais cara e complicada. Nós, consumidores, compramos muito pelo visual. Para ter essa qualidade estética preciso cobrar mais. Pesquisamos essa garrafa que é usada na indústria farmacêutica, mudamos o design para que ela tenha vários usos. Isso é uma tendência na Europa, onde é possível comprar o refil da bebida em sachê. Em Ouro Preto, remuneramos quem devolve a garrafa. As nossas próximas linhas de destilados serão assim também, inclusive para a vodka que estamos desenvolvendo”, explica Trópia.

Encontrada apenas em Ouro Preto, Belo Horizonte (nas redes de supermercados Verdemar e Supernosso) e em um restaurante em Fernando de Noronha (PE), a marca promete seguir primando pelos aspectos ESG (traduzido do inglês: Governança Ambiental, Social e Corporativa). A venda para todo o País é feita pelo comércio on-line.

“Vejo isso ainda como um assunto ainda nichado. O novo na década de 1990 era o ambiental e agora é o social. Trabalhamos em um lugar que a gente gosta, não temos escala. Esse é um processo natural. Nosso sistema de energia é totalmente solar. Temos um projeto de sustentabilidade da água porque a gente acredita. Lançamos uma nova linha de produtos e produtos que abraçam a causa ambiental sem forçar o marketing”, destaca o fundador da Ouropretana.

Mercado de bebidas no Brasil ainda tem muito a crescer, avalia o empresário Leandro Dias | Crédito: Divulgação

Empresa lança mão de curso on-line

É certo que a pandemia abalou a indústria de alimentos e bebidas brasileira, mas, ainda assim, muita gente vê na crise uma oportunidade de se estabelecer no setor. Seja por um sonho antigo ou por necessidade de novos empreendedores, o mercado de microdestilarias vem crescendo. E foi por isso que o empresário e fundador da Middas – cachaça com flocos de ouro -, Leandro Dias, criou um curso on-line para ensinar como criar a própria marca de destilado a partir do zero, com baixo investimento e sem a necessidade de possuir uma destilaria.

Batizado como “Lucrando com Bebidas”, o curso foi lançado em junho do ano passado. “O objetivo é dar mais tranquilidade para potenciais empreendedores terem sua própria bebida destilada. Não importa o ambiente, as pessoas sempre consomem bebidas alcoólicas, seja para comemorar ou esquecer. Criei a minha própria marca terceirizando a produção. Já tem um bom tempo que é assim, mas as pessoas não sabem disso. Hoje, com um investimento baixo, é possível ter a marca e o primeiro estoque. O dinheiro não desaparece, ele troca de mãos. A crise é uma oportunidade para aquelas pessoas que vislumbram um futuro se lançando em um negócio na indústria de alimentos e bebidas”, explica Dias.

O “Lucrando com bebidas” promete ensinar o passo a passo de como criar a sua própria marca de cachaça, whisky, gin, vodka, rum, bebidas mistas e licores do zero. Mais de mil alunos já passaram pelo curso e o interesse maior é pelo gin, uísque e cachaça.

“Cerca de 90% dos alunos já sonhavam em ter uma bebida muito antes. Entre eles, temos de todos os perfis: CEOs, profissionais liberais, desempregados. De quem tem uma distribuidora de bebidas ao advogado. Homens e mulheres. Já aparece também interessados em bebidas mistas ou drinks prontos, que é uma tendência forte fora do País. Acredito que o mercado de bebidas no Brasil ainda tem muito a crescer. Existe um movimento das destilarias pequenas que tem foco na qualidade e não quantidade. Isso começou com o pessoal da cachaça. Existe uma cadeia em volta muito grande, até o turismo de experiência. A maioria ainda não recebe a visitação estruturada. Esse é um mercado em crescimento”, completa o professor.

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