Se por um lado a iniciativa privada tenta se reinventar perante a crise imposta pelo novo coronavírus (Covid-19), por outro, o setor público tem a oportunidade de se firmar como agente transformador do processo de retomada da atividade econômica no cenário pós-pandemia.

Diferentes órgãos e instituições nos âmbitos federal, estadual e municipal possuem o papel de conduzir empresas e pessoas rumo ao “novo normal”.

Esta é a avaliação de representantes de algumas instituições públicas de Minas Gerais, que participaram do painel “O Setor Público como Agente de Transformação”, no webinar #JuntosPelasEmpresasDeMinas. Os participantes apresentaram e discutiram ações e projetos que já contribuem para o desenvolvimento econômico, social, tecnológico e científico do Estado e que poderão fazer a diferença também no futuro.

Para o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fundação vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Evaldo Vilela, orquestrar o processo de retomada e de tirada dos proveitos e aprendizados da pandemia é papel fundamental do Estado, que precisa estabelecer um plano de onde e como chegar, passando, inclusive, pela ciência.

“Não vejo isso simplesmente nas mãos dos empreendedores. Precisamos reindustrializar o Brasil e gerar empregos e isso é uma grande preocupação dos empresários. Mas trata-se também de um papel que o Estado não pode abdicar. Ele precisa parar de atrapalhar e auxiliar no planejamento. Falta inteligência estratégica”, opinou.

Neste sentido, o professor lembrou que economia e conhecimento precisam “andar juntos” na absorção das oportunidades que estão surgindo mesmo em meio à pandemia e ressaltou a importância dos investimentos em ciência e tecnologia.

“A pandemia traz novas oportunidades para o mundo inteiro, inclusive para o Brasil. Mas se continuarmos fazendo o mesmo do mesmo jeito não teremos futuro. Não queremos enfrentar grandes potências como China ou Estados Unidos, pois não temos condições. Mas devemos participar e tirar vantagens diante do que está acontecendo”, completou.

Fomento – Da mesma maneira, o presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Sergio Gusmão, reiterou que o Estado pode ser um agente transformador do presente e do futuro. E que o papel das instituições passa pela cobrança da evolução e da inovação dos processos.

“Uma andorinha só não faz verão, temos que trabalhar juntos. Essa é a receita de sucesso de países como os Estados Unidos. Vamos utilizar nossa imaginação brasileira de forma positiva, para que tenhamos capacidade de planejamento e de continuidade. Este é o caminho e o Estado tem seu papel”, defendeu.

Gusmão também falou da atuação do banco de fomento desde os primeiros impactos do novo coronavírus nas empresas mineiras e citou uma série de medidas para ajudá-las diante da situação. Entre as ações, possibilidade de renegociação de dívidas, criação de novas linhas de crédito, redução de taxas de juros, ampliação de prazos e desburocratização na contratação de financiamentos.

“A partir do momento que identificamos a chegada da pandemia em Minas, começamos a desenvolver programas e linhas específicas para auxiliá-las. A primeira ação foi a abertura de linhas de crédito com condições especiais para auxiliar empresas do setor de saúde. Depois lançamos condições de financiamento facilitadas para as micro e pequenas empresas (MPEs) da cadeia do turismo. E, por fim, linhas multissetoriais para diversas atividades em todo o Estado”, enumerou.

Gusmão também falou do aumento da capacidade de investimento da instituição, anunciado pelo governador Romeu Zema (Novo) na semana passada. Trata-se de um aporte de R$ 100 milhões da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) para dar suporte às operações durante a pandemia.

Atuação conjunta de órgãos do governo dá resultado

Para o presidente da Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi), Thiago Toscano, essa organização precisará ocorrer também internamente. Não é de hoje que ele defende que o Estado seja um facilitador das relações entre os setores público e privado. Toscano ressaltou a importância da atuação conjunta dos diferentes órgãos do governo na captação de investimentos para Minas.

“Acredito que seremos o Estado melhor preparado para a retomada econômica depois da pandemia. Para terem uma ideia, os investimentos atraídos em maio já estão maiores do que os observados no mesmo mês de 2019. E o mês ainda nem acabou”, disse sem, no entanto, revelar detalhes.

Por fim, o presidente da Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Prodemge), Rodrigo Paiva, garantiu que a instituição está focada em disponibilizar para o empresariado e para o cidadão mineiro a maioria dos serviços em plataformas digitais. Ele argumentou que entre as mudanças impostas pela pandemia do novo coronavírus, muitas serão irreversíveis e as pessoas precisarão não apenas se adaptar a elas, mas tirar o maior proveito.

“O futuro chegou e temos que aderir a essa nova realidade. Tem a questão do trabalho remoto, da telemedicina, das aulas a distância e tantas outras mudanças. A ciência e tecnologia vão fazer a diferença nestes novos tempos e a Prodemge já está buscando se adequar”, citou.