O transporte de passageiros na RMBH pode ser suspenso a partir de 7 de abril | Crédito: Divulgação

A crise do novo coronavírus (Covid-19) poderá levar o transporte de passageiros da Capital, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e intermunicipal a um colapso. É que as medidas de restrição e circulação de pessoas impostas pelas autoridades governamentais e sanitárias como forma de evitar o avanço da doença no País reduziram drasticamente a demanda pelo serviço, ao mesmo tempo em que elevaram os custos com o aumento do número de veículos e viagens.

De acordo com o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros de Minas Gerais (Fetram), Rubens Lessa, com o isolamento social dos últimos dias, incluindo a suspensão de aulas e paralisação do comércio, por exemplo, houve forte queda nas receitas das empresas, o que levou o setor a uma situação dramática. Segundo ele, caso não haja ajuda do poder público, os serviços poderão ser suspensos a partir do dia 7 de abril.

“As contas não fecham. Enquanto a demanda caiu, em média, 30% (nas empresas que prestam o serviço urbano e metropolitano chegou a 70%), os custos foram elevados em até 60%, já que estamos tendo que rodar mais vezes e com limite de passageiros por veículo”, explicou.

Com isso, conforme o dirigente, as despesas financeiras ficaram muito acima do custo de operação, já que 50% da receita diz respeito apenas à folha de pagamento e 25% à compra de óleo diesel. Além disso, as empresas estão cumprindo a determinação das prefeituras e do governo de transportar passageiros apenas sentados, o que acabou limitando a ocupação dos veículos em 50% e indiretamente vem onerando ainda mais a operação.

“O reflexo já está sendo sentido por algumas empresas que estão sem condições financeiras para arcar com compromissos com seus funcionários e fornecedores”, alertou.

Intermunicipal – No caso da condução intermunicipal, segundo Lessa, a pandemia também vem afetando toda a operação das empresas de transporte rodoviário. Isso porque várias prefeituras de cidades do interior do Estado, com a intenção de conter a disseminação do vírus, proibiram totalmente o acesso dos veículos de outras cidades às suas rodoviárias, enquanto outras restringiram parcialmente a circulação, resultando, mais uma vez, na redução do número de viagens.

“Neste caso, não são apenas os passageiros que ficam limitados de circular. Muitas empresas deixarão de entregar itens básicos de saúde, como medicamentos e produtos médico-hospitalares”, lembrou, citando que estas empresas também transportam pequenas remessas de mercadorias entre os municípios.

“Toda essa situação é muito preocupante. Precisamos de uma ação imediata do poder público que traga recursos para as empresas poderem continuar prestando o serviço. Caso contrário, teremos um colapso do sistema nos próximos dias”, completou.

Questionado sobre possíveis pleitos do setor aos órgãos públicos, o presidente da Fetram disse que vão no mesmo sentido do que já foi aprovado em outros estados, com o custeio da operação mínima do sistema de ônibus enquanto as medidas de prevenção ao coronavírus continuarem em vigor.