Crédito: José Paulo Lacerda

Apesar de classificarem como frustrante o crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2019, representantes da Coalizão Indústria – que reúne importantes setores da indústria da transformação e da construção civil, responsáveis por 45% do PIB da indústria nacional –, defendem a política econômica do governo federal, sob o argumento de que resultados mais robustos virão no longo prazo. Dentro deste contexto, a reforma tributária é o principal pleito dos dirigentes para 2020.

“A reforma tributária é imprescindível. Uma mudança nos impostos pode significar ganhos imediatos, por isso, tem que ser resolvida com a maior rapidez possível. Na nossa visão, ainda no primeiro semestre”, afirmou o presidente do Instituto Aço Brasil (Aço Brasil), Marco Polo de Mello Lopes.

Segundo o grupo, composto pelos setores automotivo, químico, têxtil, de cimento, brinquedos, construção, plásticos, máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, entre outros, as incertezas quanto à reforma tributária paralisaram os investimentos no fim do ano passado, prejudicando o desempenho da economia brasileira. Para eles, o que afugentou possíveis investidores foram, mais uma vez, os impostos e o chamado “custo Brasil”.

Neste sentido, Lopes destacou que a prioridade da Coalizão Indústria é a retomada do crescimento econômico. “E para esta retomada é preciso primeiro arrumar a casa, fazendo o ajuste fiscal. Depois da reforma da Previdência tem agora a tributária, mas tem também a parte referente à necessidade de redução dos gastos públicos, que envolve a reforma administrativa. Esta e a previdenciária são corretivas. Os efeitos para a indústria virão mesmo, a partir da tributária”, ressaltou.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, chamou atenção para a importância das medidas em prol da redução do custo Brasil, que hoje representa de R$ 1,4 trilhão a R$ 1,6 trilhão para as indústrias, prejudicando a competitividade nacional.

“O conjunto de reformas vem de encontro ao nosso desejo de reconstruir o Brasil. A indústria é o maior pagador de impostos deste País, o ente mais exposto à competitividade mundial. Por isso, o reequilíbrio é tão importante. O desafio é grande, mas entendemos que a direção é correta”, resumiu completando que “para isso, é preciso ter uma indústria pujante, capaz de atender as reais demandas da sociedade”.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, por sua vez, chamou atenção para a perda de competitividade da indústria nas últimas décadas, em função da elevada carga tributária, citando que hoje a carga da indústria de transformação é de 46%, enquanto outros setores com menor relevância para o PIB pagam bem menos.

“O Brasil é o único país do mundo que exporta impostos e o único que tributa investimentos”, reclamou.

Velloso lembrou ainda que o grupo apoia as propostas para a reforma tributária que estão em discussão no Congresso que convergem para a criação de um imposto único. “A nossa visão é que não cabe colocar uma energia monumental em uma mudança que não seja profunda e completa. Estas propostas vão caminhar para um modelo ideal para o País”, disse.

Encontro – Estes e outros argumentos foram apresentados pelos executivos ao ministro da Economia, Paulo Guedes, na última sexta-feira (6). De acordo com o presidente do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a interlocução com o governo tem sido constante em vistas de fortalecer a indústria brasileira.

Entre as medidas apresentadas pela Coalizão ao ministro, como ponto de partida para a reforma tributária, o equilíbrio das cargas tributárias intersetoriais, o fim da cumulatividade de impostos com a mudança do conceito de crédito físico para crédito financeiro, a desoneração das exportações, dos investimentos e da folha de pagamento, e a simplificação e a redução dos tributos.

“Apresentamos um balanço da situação atual, diante de um mercado interno que não se recuperou na velocidade esperada e, cujo nível de ociosidade das indústrias segue elevado e preocupante. Daí a importância de incentivar as exportações, mas que, num cenário internacional tão complexo, exige uma competitividade ainda maior”, finalizou.