Bancos brasileiros vão investir R$ 3 bilhões em inteligência artificial em 2026
Os bancos brasileiros pretendem investir cerca de R$ 3 bilhões em inteligência artificial (IA), Analytics e Big Data neste ano, montante 8% superior ao registrado em 2025. Os recursos serão destinados a tecnologias voltadas ao aumento da eficiência das operações, análise de dados, redução do tempo de resposta aos clientes, melhoria do atendimento e prevenção a fraudes.
Os dados fazem parte da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte e divulgada na terça-feira (25), durante o Febraban Tech. Os R$ 3 bilhões destinados a IA e soluções de dados integram os R$ 50 bilhões que o setor bancário prevê investir em tecnologia ao longo deste ano.
Outro destaque é a migração para cloud (nuvem). Os investimentos nessa área devem alcançar R$ 3,9 bilhões em 2026, crescimento de 30%. A tecnologia é considerada pelos bancos uma das bases para ampliar a capacidade de inovação e desenvolver novos produtos e soluções financeiras.
A pesquisa mostra que a inteligência artificial já produz impactos nas operações das instituições. Entre os bancos consultados, 92% apontam o aumento da velocidade na execução de tarefas rotineiras como o principal benefício percebido com o uso da tecnologia.
Outros 52% destacam redução do tempo de resposta aos clientes, diminuição de custos e maior eficiência na análise de dados. Para 48%, a tecnologia também proporciona ganhos na detecção e prevenção de fraudes.
No caso dos agentes inteligentes de IA, 76% dos bancos apontam a automação de processos internos entre as principais aplicações. O atendimento aos clientes por meio de chatbots e voicebots e a geração de relatórios e documentos aparecem em seguida, ambos citados por 71% das instituições.
A geração de conteúdo para marketing e o suporte às equipes, por meio de assistentes virtuais para os funcionários, são apontados por 53% dos bancos.
Capacitação
O avanço da inteligência artificial também está ampliando a demanda por profissionais especializados. Os bancos preveem investir R$ 29,4 milhões em treinamento e capacitação em IA e inteligência artificial generativa (GenAI) neste ano, alta de 31%.
No último ano, as instituições investiram R$ 100,4 milhões em treinamentos de tecnologia, alcançando 226,1 mil profissionais. Desse montante, R$ 61,9 milhões foram destinados especificamente à capacitação dos profissionais de tecnologia da informação (TI).
De acordo com o levantamento, 42% dos bancos pretendem ampliar o número de profissionais de TI, com crescimento médio previsto de 22%. Atualmente, em média, 11% dos funcionários das instituições bancárias atuam nessa área.
Os cinco profissionais de tecnologia mais demandados pelos bancos em 2025 foram desenvolvedor de software, engenheiro de IA, engenheiro de dados, arquiteto corporativo e engenheiro de DevOps.
Além disso, 70% das instituições já possuem ou estão desenvolvendo estratégias de requalificação profissional.
“Os investimentos dos bancos em IA, Analytics, Big Data e Cloud demonstram o compromisso do setor com inovação, eficiência e segurança. Essas tecnologias aceleram a transformação digital e ampliam o uso inteligente dos dados. Mas o diferencial está nas pessoas: capacitar profissionais é essencial para aplicar essas ferramentas com responsabilidade e gerar valor real para clientes e instituições”, afirma o diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, Rodrigo Mulinari.
Cibersegurança
Segundo a pesquisa, 58% das instituições contam com pelo menos um profissional especialista no tema em seu conselho de administração.
A pesquisa aponta ainda avanços na utilização de IA generativa e do Open Finance. Entre as instituições consultadas, 84% utilizam IA e GenAI em infraestruturas de TI.
“Os resultados da pesquisa mostram que o setor bancário brasileiro entra em uma nova fase da transformação digital, marcada pela convergência entre Data & AI, GenAI, Cloud e Cyber. Esses investimentos promovem ganhos de eficiência operacional e o fortalecimento da resiliência das instituições, criando as bases para novas formas de relacionamento, personalização e geração de valor para os clientes”, afirma o sócio-líder de Banking & Capital Markets da Deloitte, Sergio Biagini.
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