Apesar do resultado positivo, no 2º trimestre instituição teve prejuízo de R$ 582 milhões | Crédito: Nacho Doce /Reuters

Rio de Janeiro – O apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor aéreo, um dos mais afetados pelas consequências econômicas da pandemia de coronavírus, deve ser viabilizado no mês que vem, disseram duas fontes da área econômica do governo, citando que as demandas feitas pelas principais companhias aéreas que operam no País foram elevadas.

O banco já foi procurado pelas três maiores empresas de aviação que atuam no Brasil – Azul, Gol e Latam – mas os pedidos de apoio vieram bem acima das expectativas do banco de fomento, segundo as fontes.

“O governo está engajado em resolver o problema do setor aéreo; é o mais avançado e tende a ser o primeiro a ser beneficiado. Os bancos estão sendo chamados para sentar à mesa e negociar e ninguém quer ser dono de empresa, muito menos o governo”, disse uma das fontes à Reuters.

“Temos bons indicativos dos bancos para renegociar dívidas, modular a estrutura financeira da operação. Já se falou com as empresas aéreas, elas vieram com um valor um pouco alto (de apoio financeiro). Todos estão deglutindo e refinando o que eles estão pedindo”, acrescentou a fonte sem especificar valores.
Procurado, o BNDES não comentou o assunto.

No começo do mês, o presidente-executivo da Gol, Paulo Kakinoff, afirmou que a empresa deveria definir, em até duas semanas, se aceitaria uma linha de crédito do BNDES. O valor seria de cerca de até R$ 3 bilhões.

Segundo as fontes, o apoio às empresas aéreas virá na forma de aquisição de debêntures conversíveis em ações. No entanto, o BNDES já decidiu que não vai assumir sozinho a responsabilidade de socorrer empresas de qualquer setor e tem liderado conversas com bancos privados, credores, empresas de leasing e outras partes envolvidas na crise das companhias aéreas, que deixaram praticamente todos seus aviões em solo devido às quarentenas decretadas contra o coronavírus.

Para socorrer as empresas, o BNDES está exigindo doses de colaboração das próprias companhias, como corte no pagamento de bônus para executivos, redução no nível de investimentos no pós-crise, suspensão de dividendos e até diluição do capital, um dos pontos citados por Kakinoff na ocasião como ainda não resolvidos.

“As próprias empresas têm que repensar os recursos que elas têm para operar. A aérea não vai operar cheia depois da pandemia e a necessidade de caixa será menor. O cheque do BNDES diminui”, disse a primeira fonte. “Ninguém pode achar que vai sair ileso, sem arranhões ou sem sua cota de sacrifício de uma crise como essa”, adicionou a segunda fonte.

A Gol, nesta semana, acertou acordo com a Boeing em que cortou em 34 pedidos o número de aeronaves que havia encomendado junto à fabricante norte-americana.

Outros setores – A lista de potenciais segmentos a serem apoiados pelo BNDES também inclui automotivo, turismo, bares e restaurantes e empresas do setor elétrico. Este último, por ser mais regulado e com inúmeras empresas, precisa de uma articulação que envolva a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ministério de Minas e Energia e outros órgãos.

Ainda não há previsão de quando e como poderá será o apoio do BNDES ao setor elétrico. “Tem conversa com bancos também, os bancos estão engajados e é preciso alinhamento com atores do governo. Será com dinheiro do BNDES e bancos privados”, revelou a primeira fonte.

Desde o início da crise, o BNDES já aprovou uma série de medidas de apoio ao setor produtivo brasileiro. Uma delas é uma nova linha de financiamento, de R$ 5 bilhões, para micro, pequenas e médias empresas.

Segundo as fontes, já foram liberados cerca de R$ 650 milhões para esta linha, anunciada no mês passado. “Já houve muitos contratos celebrados em 15 dias úteis do programa”, afirmou a primeira fonte.

Outra medida de apoio, suspensão por até 6 meses de pagamentos de empréstimos concedidos pelo BNDES, tem “sido um sucesso” e a demanda já chegou a R$ 18 bilhões, afirmou a fonte.

Quando lançada pelo BNDES em março, a cúpula do banco previa que a suspensão de pagamentos de parcelas de financiamentos diretos concedidos a empresas poderia atingir um valor de R$ 19 bilhões e de R$ 11 bilhões nos financiamentos indiretos do banco. “Isso é fôlego e é dinheiro disponível no caixa das empresas”, disse a fonte. (Reuters)

Gastos do governo já superam R$ 50 bi

Brasília – Os gastos do governo federal no combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus somaram R$ 50,78 bilhões. O montante equivale a 22,3% dos R$ 226,79 bilhões de créditos extraordinários aprovados para o enfrentamento ao Covid-19.

Os números constam da ferramenta Monitoramento dos Gastos da União com Combate ao Covid-19, lançada pelo Tesouro Nacional. O site será atualizado diariamente com informações sobre as despesas pagas até o dia anterior.

Até agora, os maiores valores foram destinados ao pagamento do auxílio emergencial, que consumiu R$ 27,04 bilhões do orçamento programado de R$ 98,2 bilhões. Em segundo lugar, vem a complementação do Tesouro Nacional para a linha de crédito que financiará o pagamento de salários a pequenas e médias empresas, no total de R$ 17 bilhões de um crédito extraordinário de R$ 34 bilhões.

O governo gastou ainda R$ 5,7 bilhões para despesas adicionais do Ministério da Saúde e das demais pastas, de um total de R$ 26,95 bilhões previstos, e R$ 1,03 bilhão em ajudas aos estados e ao Distrito Federal, de um valor programado de R$ 16 bilhões, para recompor os repasses dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios.

Monitoramento – A nova ferramenta permitirá o acompanhamento das despesas previstas nos programas anunciados para enfrentar a pandemia. Além do valor global dos gastos, o cidadão poderá verificar os desembolsos em cada programa, comparando com a verba reservada pelo crédito extraordinário.

Segundo o Tesouro Nacional, existe um intervalo entre o empenho (autorização do gasto) e o efetivo pagamento, o que explica a baixa execução em algumas ações. “Destaca-se ainda que as políticas de combate ao Covid-19 têm diferentes prazos de execução para as suas despesas específicas, que podem ir até enquanto perdurar o período da calamidade”, informou o órgão. (ABr)