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Crescimento de 1,1% do PIB do País cria cenário adverso em 2020

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Crédito: Bruno Domingos/Reuters

Brasília – O crescimento da economia brasileira em 2019 veio em linha com expectativas do mercado, mas economistas mostraram desconforto com a composição dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, que revelou retração do investimento e desaceleração do consumo, os dois fatores que sustentaram a atividade no ano passado.

A frustração com os números levou alguns economistas a reduzir sua projeção para o PIB de 2020 nessa quarta-feira (4), reforçando movimento que já vinha ocorrendo desde a semana passada em meio a temores sobre o impacto da epidemia de coronavírus sobre a demanda e a produção globais.

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O PIB brasileiro cresceu 0,5% no último trimestre do ano frente ao terceiro trimestre e acumulou alta de 1,1% no ano. Na comparação com o período de julho a setembro, os investimentos caíram 3,3% no quarto trimestre e o consumo das famílias teve alta de 0,5%, após um crescimento de 0,7% no terceiro trimestre.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, o fraco desempenho do consumo chamou particularmente a atenção tendo em vista os efeitos positivos que eram aguardados com a liberação de recursos do FGTS. Ela reduziu a expectativa do PIB para 2020 a 1,8%, de 2,2% antes.

Decepção – “O que está mudando a perspectiva para 2020 é a não concretização da retomada do investimento no primeiro trimestre e também da produção, com a indústria também decepcionando. Isso não tem a ver com coronavírus”, disse ela, avaliando que ainda é cedo para estimar o impacto do surto na economia brasileira.

Ao anunciar, em julho, regras que permitiram a liberação de parte dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o Ministério da Economia disse esperar que a iniciativa impulsionaria a economia em 0,35 ponto percentual em um prazo de 12 meses.

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Srour também citou a decepção com o andamento da agenda econômica no Congresso e as turbulências políticas, com efeitos sobre a confiança, como fatores que estão pesando nas revisões do PIB.

“Apesar de o Congresso dizer que vai apoiar a agenda, a gente vê florescer muitas pautas bombas, o governo enrolado em assuntos que deveriam ser triviais, como a votação dos vetos do Orçamento, e as PECs que foram enviadas no ano passado e que completariam o ajuste fiscal estão atrasadas. A PEC tributária e a administrativa nem enviadas foram”, disse ela.

Economista-chefe da corretora Necton, André Perfeito disse que, a partir dos novos dados, vai revisar “fortemente para baixo” sua projeção para o PIB de 2020, ante previsão de 3%. À Reuters, indicou que o novo patamar deve ser de “1,6% ou menos”.

“Trabalhávamos com a hipótese de que a Formação Bruta do Capital Fixo mantivesse o bom resultado, no entanto, foi uma decepção os números apresentados”, afirmou, em nota a clientes, acrescentando que também previa um melhor resultado para o consumo das famílias.

Para a pesquisadora da área de Economia Aplicada do FGV/Ibre Luana Miranda, a queda do investimento no quarto trimestre joga ainda mais luz sobre a necessidade de reformas estruturais no Brasil para impulsionar a atividade em 2020.

“A consolidação do ambiente macro, a reforma tributária, isso é algo essencial para que os investidores venham”, disse. “É preciso uma consolidação também no ambiente político, de modo que a incerteza política se reduza de forma consistente, isso atrapalha bastante decisões de investimento”.

Nesse sentido, o estrategista da INVX Global Partners Eduardo Velho destaca que os próximos dois meses serão fundamentais para uma definição sobre o ritmo de evolução das reformas e da possibilidade de uma retomada mais consistente da economia.

Seu cenário central, que prevê crescimento de 1,92% este ano, considera que o pacto federativo e a reforma administrativa avançarão ao longo do ano e que os juros básicos, hoje na mínima recorde de 4,25%, cairão em pelo menos 0,25 ponto percentual.

“Agora com certeza abre espaço para cair um pouco mais os juros, sem comprometer a meta (de inflação)”, afirmou Velho. “O que também vai contribuir para uma melhora do consumo das famílias”.

Gradualismo – Velho pondera que o crescimento do ano passado está compatível com o PIB potencial do País e aponta para a continuidade de um crescimento modesto, mas sustentado.

Carlos Lopes, economista do banco BV, afirma que sua projeção ainda é de recuperação gradual para 2020, ainda que a expectativa de crescimento de 2,5% vá ser revisada para menos de 2% por causa dos efeitos do coronavírus e de dados fracos da atividade nos primeiros dois meses do ano.

Os números do PIB de 2019, segundo Lopes, “não mudam a história”. “Vemos o setor de serviços ainda resiliente e a indústria fraquejando, sem uma tendência clara de recuperação”.

Pelo lado da oferta, Luana Miranda, do FGV/Ibre, chamou atenção também para o desempenho ainda fraco da construção civil no quarto trimestre, apesar da melhora que havia sido apontada pelos indicadores antecedentes, reforçando incertezas para o desempenho do setor neste ano.

A construção cresceu 1,6% em 2019, após cinco anos sem resultados positivos, mas, no quarto trimestre, amargou uma retração de 2,5% sobre os três meses anteriores. (Reuters)

País tem em 2019 pior desempenho em três anos

São Paulo/Rio de Janeiro – A economia brasileira registrou em 2019 o desempenho mais fraco em três anos ao crescer 1,1%, terminando o ano com fortes perdas de investimento e levantando dúvidas sobre a atividade em 2020 em meio a potenciais danos provocados pelo coronavírus.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil mostrou desaceleração em relação à taxa de expansão de 1,3% em 2018 e 2017, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O ano passado foi marcado por um ritmo fraco da atividade. A economia cresceu 1,7% no quarto trimestre sobre um ano antes. Mas, frente aos três trimestres imediatamente anteriores, o PIB desacelerou a alta para 0,5%, igualando expectativa em pesquisa da Reuters.

Esse resultado representou piora na comparação com o terceiro trimestre, quando o PIB cresceu 0,6%. Mas, logo no início do ano, o crescimento já havia tropeçado, em meio ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, o que gerou temores de recessão técnica.

A economia do Brasil mostrou estagnação no primeiro trimestre de 2019 (depois de também variação zero no último trimestre de 2018) e avançou 0,5% no segundo trimestre.
“No fechamento do ano, o PIB perdeu força, e isso tem a ver com a composição da indústria. Tivemos perda de exportação em 2019 diferente de 2018 e ainda o impacto da extrativa (com Brumadinho)”, resumiu a economista do IBGE Rebeca Palis.

O ano passado também deixou como assinatura a aprovação da reforma da Previdência, considerada crucial para organizar as contas públicas, mas terminou deixando dúvidas sobre o avanço de outras, como a tributária e a administrativa. Esta última, inclusive, teve seu envio prometido ainda no ano passado, mas não foi apresentada ao Congresso até o momento.

Por outro lado, a inflação fraca e a queda da taxa de juros ajudaram nos gastos dos consumidores e devem continuar assim em 2020.

Investimentos – O IBGE mostrou que, do lado das despesas, o que sustentou o crescimento em 2019 foi a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimento, e as despesas das famílias, com crescimentos de 2,2% e 1,8%, respectivamente.

“O consumo das famílias cresceu pelo terceiro ano seguido, puxado por crédito, Selic menor e liberação do FGTS. Mas é importante destacar que a inserção no mercado se deu majoritariamente por informais e o câmbio desvalorizando afeta o consumo das famílias, além das incertezas locais e mundiais”, completou Rebeca.

Entretanto, somente no quarto trimestre, a FBCF apresentou recuo de 3,3% sobre os três meses anteriores, mostrando uma virada nos investimentos após resultados positivos nos dois trimestres anteriores.

As despesas das famílias tiveram aumento de 0,5% no quarto trimestre, abaixo da taxa de 0,7% entre julho e setembro.

Serviços – Do lado da produção, Agropecuária e Serviços cresceram cada um 1,3% no ano, enquanto a indústria expandiu apenas 0,5%, igualando o desempenho de 2018. “Quem puxou o PIB foi agro e serviços, sendo que serviços cresceu menos, de 1,5% em 2018 para agora 1,3%, e isso explica o crescimento menor do PIB esse ano”, afirmou Rebeca.

Na indústria, o setor de construção se destacou no ano passado com aumento de 1,6%, primeiro resultado positivo após cinco anos. Por outro lado, o incidente da Vale em Brumadinho levou a indústria extrativa a uma contração de 1,1% em 2019.

A indústria desacelerou o crescimento no quarto trimestre para 0,2% (ante os três meses anteriores), contra 0,8% antes, e a agropecuária apresentando contração de 0,4%, depois de ter crescido 1,4% no período anterior.

O destaque positivo foi o aumento de 0,6% em serviços, melhor resultado no ano na base de comparação trimestral. Os serviços respondem pela maior parte do PIB. (Reuters)

Economia prevê alta acima de 2% mesmo com coronavírus

Brasília – A equipe econômica irá cortar a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano em função do impacto do coronavírus sobre a atividade, mas a previsão não ficará abaixo de 2%, ante expectativa de 2,4% hoje, afirmou o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida.

Em entrevista à Reuters, ele pontuou que a nova estimativa será divulgada na próxima quarta-feira, juntamente com uma nota técnica, após a percepção de que a disseminação do coronavírus provocou efeitos mais severos, com epidemia também mais longa. “Não adianta a gente ficar dourando a pílula”, disse ele. “Infelizmente, vai ter efeito negativo no PIB brasileiro”, completou.

“Dezesseis dias atrás, nós refizemos nossa modelagem e tinha dado 2,4% de crescimento para este ano, estávamos muito tranquilos quanto a isso. Agora, de 16 dias para cá, realmente piorou bastante”, afirmou.

Na época, o secretário havia dito à Reuters que, pelo lado da oferta, o time econômico estava atento a uma eventual falta de peças que vêm da China para empresas brasileiras. Pelo canal da demanda, a análise era sobre o comportamento dos preços de commodities, já com a avaliação de que uma queda muito grande e prolongada nos preços afetaria a economia brasileira.

Economistas ouvidos pelo Banco Central na mais recente pesquisa Focus voltaram a reduzir sua perspectiva para o PIB deste ano a 2,17%, sobre 2,20% na semana anterior. Algumas casas já preveem uma expansão abaixo da linha politicamente sensível de 2%, como é o caso do Goldman Sachs (+1,5%) e do Banco Fator (+1,4%).

Diante do cenário de incertezas com o coronavírus, Sachsida reforçou a necessidade de o País persistir na realização de reformas econômicas, classificadas por ele como “a melhor vacina”.

“Em um momento delicado da saúde mundial, tenho certeza que as lideranças políticas vão se unir para aprovar o que é melhor para o povo brasileiro”, frisou Sachsida, citando a necessidade de aprovação das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) Emergencial, dos Fundos Públicos e do Pacto Federativo. (Reuters)

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