Pesquisa do BC aponta cortes nas projeções do PIB e inflação
Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Estudo divulgado nesta semana pelo Banco Central (BC), intitulado Relatório de Economia Bancária, revelou que as cooperativas de crédito se tornaram uma alternativa mais justa para os pequenos negócios na hora de obter empréstimos.

O levantamento mostrou ainda que quando as cooperativas oferecem juros mais baixos que os bancos no primeiro empréstimo para atrair novos clientes pessoas jurídicas sobem os juros mais devagar nas operações seguintes e ultrapassam pouco ou nem ultrapassam as taxas que o antigo banco cobrava.

O documento aponta também que o aumento dos spreads (taxas de empréstimos) nas cooperativas de crédito é consideravelmente menor, comparado aos das instituições financeiras.

O crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) manteve aceleração do crescimento em 2019. O saldo dos empréstimos e financiamentos subiu 6,5% em relação a 2018, sendo que a razão crédito e Produto Interno Bruto (PIB) alcançou 48% no mesmo período.

Entre as pessoas jurídicas, também houve elevação do saldo da carteira de crédito de 35,2% para microempresas, de 13,7% para pequenas empresas e de 1,8% para empresas de médio porte. Por outro lado, foi registrada uma redução de 4,4% do saldo na carteira de crédito das empresas de grande porte.

“As pesquisas evidenciam que as cooperativas são uma alternativa mais justa para os pequenos negócios e, por isso, o Sebrae atua, há quase 20 anos, em parceria com os principais Sistemas Cooperativistas Financeiros do País, apoiando o desenvolvimento do segmento e o estímulo à ampliação do número de pequenos negócios associados”, afirma o analista da Unidade de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae Weniston Ricardo, ressaltando que o intuito do Sebrae é fortalecer as cooperativas para que sejam uma opção competitiva para as micro e pequenas empresas.

“O recente convênio com o Sistema Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil) para uso do Fampe (Fundo de Aval à Micro e Pequenas Empresas) do Sebrae nas operações de crédito com as cooperativas reforça nosso posicionamento”, completa o analista.

PNMO – Ainda de acordo com o Relatório, o saldo do crédito livre cresceu 14,1% e o crédito direcionado reduziu 2,4%. Essa diferença refletiu principalmente nas pessoas jurídicas, cujo saldo apresentou crescimento de 11,1% no caso de operações com recursos livres e redução de 14% nos recursos direcionados.

Na área de microcrédito, o limite de renda para enquadramento nessa categoria foi ampliado de R$ 120 mil para R$ 360 mil, por meio da reformulação do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMO).

Além disso, a reformulação do PNMO procurou remover exigências ultrapassadas e simplificar procedimentos, ampliando ainda mais o potencial do microcrédito. Outras inovações também ajudaram na facilitação do crédito, como a unicidade e a portabilidade do registro dos ativos, a digitalização de títulos de créditos e a utilização de recebíveis de cartão de crédito como garantia.

O redesenho do cheque especial e a permissão para estabelecer contratos de financiamento de imóveis indexados a índices de preços também foram apontados. (Com informações do Sebrae)

BNDES anuncia linha de R$ 2 bi a fornecedores

Rio de Janeiro – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou, na sexta-feira (5), que vai oferecer uma linha de crédito de R$ 2 bilhões para fornecedores de grandes empresas que têm encontrado dificuldades em meio aos impactos da pandemia de Covid-19.

Neste desenho, a empresa grande é responsável pela captação do empréstimo junto ao BNDES, passando a ter recursos para financiar seus fornecedores. Experiências similares a essa nova linha ocorreram no passado com redes de varejo como Lojas Renner e Boticário. A nova linha é válida para todos os setores econômicos que têm empresas “âncora” e cadeia produtiva vinculada, informou o banco.

A linha agora terá uma carência de 24 meses e prazo para amortização de 60 meses e o tomador tem que ter faturamento superior a R$ 300 milhões por ano. O limite de crédito por tomador será de R$ 10 milhões a R$ 200 milhões.

O BNDES já tem outras iniciativas para apoiar empresas atingidas pela pandemia. O banco criou uma linha de capital de giro de R$ 5 bilhões voltada para micro, pequenas e médias empresas, que já teve contratações de mais de R$ 3,2 bilhões.

Por outro lado, o programa de financiamento da folha de pagamento das empresas, com dotação orçamentária de R$ 40 bilhões, teve baixa adesão, com aprovações de apenas R$ 2,1 bilhões até agora.

O banco também criou um programa de suspensão de pagamentos de empréstimos por até 6 meses e, até agora, a adesão atinge R$ 9,4 bilhões. (Reuters)