Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

Brasília – O setor público consolidado brasileiro teve déficit primário de R$ 20,901 bilhões em fevereiro, maior que o esperado, afetado pela queda nas receitas do governo federal.

Em pesquisa Reuters, a expectativa era de um déficit de R$ 18,85 bilhões para o mês.
O desempenho foi o mais fraco para o mês desde 2017, quando o déficit primário do setor público foi de R$ 23,468 bilhões.

De um lado, o déficit do governo central (governo federal, BC e Previdência) foi de R$ 26,893 bilhões no período. Enquanto isso, Estados e municípios tiveram um superávit de R$ 5,249 bilhões e as empresas estatais ficaram no azul em R$ 743 milhões.
Sobre o desempenho do governo central, o Tesouro já havia informado na segunda-feira que o déficit de fevereiro foi impactado por uma retração nas receitas em um mês ainda não afetado pela crise com o coronavírus.

Em 12 meses, o déficit do setor público consolidado foi a R$ 58,464 bilhões, equivalente a 0,80% do Produto Interno Bruto (PIB), mas a perspectiva é que piore expressivamente diante da pandemia do Covid-19.

Segundo o Tesouro, a projeção de déficit primário este ano já está acima de R$ 350 bilhões para o governo central (4,5% do PIB) e perto de R$ 400 bilhões (5% do PIB) para o setor público consolidado, em função da estimativa de expressivos gastos com o enfrentamento ao coronavírus e queda na receita com o impacto do surto na atividade econômica.

Para o ano, o Executivo tinha pedido que a meta do setor público consolidado fosse alargada a um déficit de R$ 127,9 bilhões para acomodar um resultado primário mais fraco dos entes regionais. Com o surto do coronavírus, contudo, o Congresso aprovou estado de calamidade pública, status que dispensa o governo de cumprir a meta fiscal.

Dívida – Em fevereiro, a dívida pública bruta subiu a 76,5% do PIB, sobre 76,1% em janeiro. A dívida líquida, por sua vez, caiu a 53,5% do PIB, ante 54,1% no mês anterior. (Reuters)