Em estimativa atualizada, Ministério da Economia elevou as despesas primárias calculadas para 2020 em R$ 267,6 bilhões | Crédito: Bruno Domingos/Reuters

Brasília – O Ministério da Economia atualizou, na sexta-feira (22), sua estimativa para o déficit primário do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) a R$ 540,534 bilhões em 2020, rombo recorde para o País, em meio aos impactos do novo coronavírus na economia.

Por conta do estado de calamidade pública, o governo não precisará cumprir neste ano a meta de déficit primário de R$ 124,1 bilhões.

Na divulgação do seu relatório de receitas e despesas referente ao segundo bimestre, o governo elevou as despesas primárias calculadas para o ano em R$ 267,663 bilhões, a R$ 1,753 trilhão.

Agora, a conta é de R$ 220,893 bilhões em créditos extraordinários para 2020, ante apenas R$ 7,672 bilhões no relatório do primeiro bimestre.

A equipe do ministro Paulo Guedes também elevou em R$ 34,860 bilhões a conta de subsídios, subvenções e Proagro em 2020, a R$ 49,207 bilhões, fundamentalmente pela transferência de R$ 34 bilhões do Tesouro para o programa de financiamento à folha de pagamento das empresas.

Para a receita líquida, a conta foi diminuída em R$ 111,247 bilhões, a R$ 1,213 trilhão no ano.

Segundo o ministério, a redução nas expectativas de crescimento para a economia representou uma perda de mais de R$ 63 bilhões para a receita. Também pesou nessa conta o menor recolhimento de tributos, por conta do aumento de compensações tributárias e por desonerações associadas a políticas implementadas para o enfrentamento à pandemia de coronavírus.

Os cálculos levaram em conta uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,7% este ano, que já havia sido divulgada mais cedo neste mês pela Secretaria de Política Econômica.

No relatório do primeiro bimestre, o cálculo ainda era de um déficit primário de R$ 161,624 bilhões para o governo central este ano, com crescimento do PIB de 2,1%.

Em 1º de maio, contudo, a equipe econômica divulgou uma estimativa de déficit primário pior, de R$ 566,6 bilhões para o governo central, embora tenha considerado uma queda menos drástica do PIB, de 3,34%, que era então calculada por economistas na pesquisa Focus.

Teto de gastos – Na apresentação do relatório, o Ministério da Economia destacou que as estimativas das despesas primárias atualmente “apontam ligeira pressão para cumprimento do teto dos gastos”, regra que limita o crescimento das despesas no ano à variação da inflação no período anterior.

Essa pressão, segundo o ministério, decorre principalmente do aumento das despesas projetadas com o programa de seguro-desemprego.

“Ao longo do ano, serão acompanhados os comportamentos de todas as despesas obrigatórias para, na medida em que sejam necessárias as adequações orçamentárias, todos os ajustes sejam feitos para cumprimento do teto constitucional”, destacou o ministério na apresentação. (Reuters)

Buraco no setor público será ainda maior

Brasília – O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, reiterou, na sexta-feira (22), que o déficit primário do setor público neste ano pode chegar a R$ 700 bilhões, em meio ao forte aumento das despesas com medidas relacionadas ao impacto econômico da pandemia do Covid-19.

“No ano passado, todo o déficit do setor público brasileiro foi de R$ 61 bilhões. Este ano, devemos caminhar para algo mais próximo de R$ 700 bilhões, cerca de 10% do PIB”, afirmou Mansueto a empresários em videoconferência promovida pelo Lide Pernambuco.

Ao abordar as medidas fiscais lançadas pelo governo no combate à propagação do coronavírus, Mansueto destacou que, inicialmente, os programas levaram em conta um período de distanciamento social de três a quatro meses.

“Se a situação continuar muito grave, voltamos ao Congresso, negociamos, para fazer o que for necessário”, completou. (Reuters)