Minas ganha 42 mil investidores em ETFs em um ano, e custódia chega a R$ 3,3 bilhões
A bolsa de valores brasileira, a B3, registrou 42,2 mil novos investidores pessoas físicas de Minas Gerais com fundos de índice, ou Exchange Traded Funds (ETFs), na carteira entre agosto de 2025 e o mesmo mês deste ano. O número passou de 88.461 para 130.661, alta de 47,7% no período. Já o valor em custódia desse grupo saltou 93,35%, de R$ 1,7 bilhão para R$ 3,3 bilhões.
Os ETFs buscam acompanhar o desempenho de índices ou outros ativos de referência. Por meio deles, o investidor pode acessar diferentes classes de ativos, como ações, fundos de investimento imobiliário (FIIs), criptomoedas e índices internacionais, de forma diversificada.
Na prática, alguns desses produtos permitem ampliar a exposição a mercados globais sem a necessidade de abrir conta no exterior, com o investimento realizado em moeda local. O diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3, Felipe Paiva, ressalta que os ETFs vêm ganhando relevância não apenas no Estado, mas em todo o Brasil.
Segundo ele, um dos fatores que explicam esse crescimento é o fato de esses fundos reunirem características valorizadas pelos investidores. Entre elas, o especialista destaca a diversificação, a simplicidade e o acesso a diferentes oportunidades de investimento em um único produto. “O crescimento da indústria reflete uma busca cada vez maior dos brasileiros por carteiras mais diversificadas e com exposição global”, diz.
Entre os destaques do Estado estão os ETFs de renda fixa local, cujo valor em custódia avançou 285,81%, de R$ 417,9 milhões para R$ 1,6 bilhão. A categoria foi a única a superar a marca de R$ 1 bilhão. Além disso, o número de investidores mineiros nesse tipo de ETF mais que triplicou em um ano, passando de 6.671 para 20.668 pessoas, alta de 209,8%.
Outra novidade é a categoria de renda fixa com proventos, que não figurava nos dados do ano passado e alcançou 783 investidores, com R$ 7,5 milhões em custódia.
Já os ETFs de renda fixa internacional quase dobraram o montante em custódia, com alta de 89,74%, de R$ 13,3 milhões para R$ 25,4 milhões. O total de pessoas físicas com esses fundos na carteira cresceu 8,8%, de 2.117 para 2.305 investidores.
ETFs de renda variável concentram maior base de investidores
Os ETFs de renda variável internacional mantiveram a maior base de investidores em Minas Gerais, após alta de 36,7%, de 36.378 para 49.760 pessoas. O valor em custódia avançou 38,6%, passando de R$ 629,9 milhões para R$ 873,7 milhões em agosto deste ano.
Os ETFs de renda variável local registraram alta de 49,9% no número de investidores mineiros, de 21.657 para 32.464. O valor em custódia cresceu 77,6%, de R$ 288,3 milhões, em agosto do ano passado, para R$ 512,2 milhões no mesmo mês deste ano.
De acordo com dados da B3, os ETFs de criptomoedas internacionais atraíram novos investidores de Minas Gerais, mas registraram queda no valor em custódia. O número de mineiros com esses produtos subiu de 19.521 para 22.439, alta de 14,9%, enquanto o montante em custódia recuou 13,7%, de R$ 393,8 milhões para R$ 339,4 milhões.
Já os ETFs de FIIs locais apresentaram movimento oposto, com redução no número de investidores e aumento no valor em custódia. Esse tipo de produto registrou R$ 3,1 milhões em custódia, alta de 40,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando somava R$ 2,2 milhões. O número de investidores, por sua vez, recuou 3,5%, de 1.872 para 1.806.
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Quanto aos ETFs de moedas estrangeiras, o patrimônio total mais que dobrou, com crescimento de 127%, de R$ 3,4 milhões para R$ 7,78 milhões. O número de investidores passou de 245 para 436 pessoas, alta de 77,9% no período analisado.
Para Paiva, a tendência de crescimento do mercado de ETFs deve se manter nos próximos anos. “Acreditamos que essa tendência deve continuar nos próximos anos, acompanhando a evolução do perfil do investidor e a ampliação das alternativas disponíveis no mercado”, afirma.
Cenário nacional

A trajetória de crescimento dos ETFs ganhou força no primeiro semestre de 2026. No cenário nacional, o número de brasileiros com ETFs na carteira passou de 639 mil, em junho de 2025, para 862 mil no mesmo mês deste ano. Isso representa cerca de 223 mil novos investidores em um ano, uma expansão de 34% no período analisado.
De acordo com dados do boletim Análise da Evolução dos Investidores na B3, o valor em custódia dos investidores pessoas físicas em ETFs aumentou R$ 8,2 bilhões no recorte anual, passando de R$ 26,9 bilhões para R$ 35,1 bilhões na primeira metade deste ano, alta de de 30,5%.
Essa evolução dá continuidade ao movimento observado anteriormente. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a base de investidores avançou 24%, de 581,6 mil para 721,7 mil, enquanto o valor em custódia cresceu 49%, de R$ 18,1 bilhões para R$ 26,9 bilhões. Considerando também o avanço até junho de 2026, a base aumentou cerca de 48% desde o fim de 2024, com a entrada de aproximadamente 280 mil investidores nesse mercado.
A ampliação da oferta de produtos também contribuiu para esse movimento. Somente no ano passado, 62 novos ETFs foram listados na B3, que encerrou o período com cerca de 180 fundos desse tipo disponíveis. As alternativas incluem produtos de renda fixa, criptomoedas e ações brasileiras e internacionais, além de fundos ligados a setores, tendências de mercado e temáticas ESG.
O diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3 avalia que os ETFs têm sido destaque frequente no boletim sobre a evolução dos investidores na bolsa brasileira. Segundo ele, em apenas seis meses, a base ganhou cerca de 140 mil investidores, enquanto o valor em custódia avançou 30%.
“Isso também demonstra que precisamos continuar suportando o movimento de ampliação da oferta de produtos e soluções para diferentes perfis e objetivos de investimento”, conclui.
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