Apostas esportivas na Copa exigem cautela para não comprometer o orçamento
Com números expressivos nos últimos anos, as apostas esportivas prometem movimentar o mercado de bets durante a Copa do Mundo. Para se ter uma ideia, entre março de 2024 e abril de 2026, os sites especializados registraram mais de 1,34 bilhão de visitas mensais, segundo dados do portal Bônus de Apostas. Especialistas, no entanto, alertam que esse tipo de gasto faz parte dos chamados apelos emocionais associados ao torneio e pode comprometer ainda mais o já apertado orçamento dos brasileiros.
Mesmo endividado, brasileiro pretende gastar durante a Copa
Antes mesmo de a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, os brasileiros já demonstravam disposição para gastar com o evento. Segundo pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, cerca de 60% dos entrevistados afirmaram que pretendiam desembolsar recursos relacionados ao torneio.
“Grandes eventos como a Copa costumam provocar um sentimento coletivo de urgência no consumo. Muitas pessoas acabam associando a participação à necessidade de gastar, seja com viagens, confraternizações ou eletrônicos. O problema é que, sem planejamento, esse impacto emocional pode comprometer a saúde financeira por muitos meses”, afirma o doutor em economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, Patrick Santos.
Especialistas alertam para riscos das apostas esportivas
Diante do grande volume de jogos, da publicidade massiva e da influência de criadores de conteúdo, cresce também a sensação de uma “oportunidade rápida” de ganho, assim como a participação de jovens nas plataformas.
O psicólogo e diretor de conhecimento da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), Cristiano Costa, alerta para os riscos que esse cenário pode representar para o consumidor. “Quando a aposta passa a ser vista como uma extensão da torcida ou como uma forma rápida de ganhar dinheiro, o risco deixa de ser apenas financeiro e passa a afetar a saúde mental, as relações familiares e a qualidade de vida”, afirma.
Assim como ocorre com as bets, a recomendação é adotar o consumo consciente para evitar compras motivadas exclusivamente pela emoção.
Segundo Patrick Santos, outras recomendações para evitar gastos impulsivos durante a Copa são:
Atenção aos pequenos gastos invisíveis
Em vez de olhar apenas para as compras de maior valor, faça uma projeção completa dos gastos do período, incluindo alimentação, encontros com amigos, transporte, apostas, streaming, aplicativos e compras por impulso. O problema financeiro da Copa normalmente não nasce em uma única compra elevada, mas no acúmulo de pequenas despesas que fogem ao controle.
Evite comprar eletrônicos apenas por causa do evento
Segundo o especialista, trocar de televisão ou celular apenas para acompanhar os jogos costuma ser uma decisão motivada pela emoção.
Evite antecipar férias, 13º salário ou utilizar a reserva de emergência
“Usar dinheiro que ainda nem entrou ou recorrer à reserva para um consumo temporário aumenta muito o risco de desequilíbrio financeiro após o evento”, aponta.
Estabeleça um limite semanal de gastos
Criar um orçamento geral para a Copa sem acompanhar os gastos ao longo das semanas pode favorecer o descontrole financeiro. Quando o consumidor divide os limites por jogo ou por semana, consegue identificar excessos antes que eles se tornem um problema.
Se já estiver endividado, evite as ‘parcelas emocionais‘
Para esse público, o cuidado deve ser ainda maior. A sensação de que uma parcela pequena cabe no orçamento pode ser perigosa para quem já enfrenta dificuldades financeiras. Nesse caso, a prioridade deve ser reorganizar as finanças, e não assumir novos compromissos.
Colaborador
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