Crédito: Adriano Machado/Reuters

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu ontem que os empréstimos para atender as empresas não foram suficientes até agora.

Guedes participou de audiência pública virtual promovida pela Comissão do Congresso que acompanha a situação fiscal e a execução orçamentária e financeira das medidas relacionadas ao novo coronavírus (Covid-19).

“Tenho a maior franqueza em reconhecer que, na parte de crédito, ele não foi satisfatório até o momento, e nós continuamos aperfeiçoando o nosso programa para o dinheiro chegar à ponta, que era a maior reclamação”, disse.

Guedes afirmou que o governo tem um “time técnico muito bom”, mas a demanda por crédito cresceu muito. Ele citou o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e os presidentes de bancos públicos. “Como (a pandemia) travou o País inteiro, a necessidade de capital de giro triplicou, quadruplicou. Então, mesmo expandindo o crédito, como expandimos, a verdade é que continuou insuficiente. Continuamos, o tempo inteiro, aperfeiçoando os programas em busca de um melhor desempenho”, destacou.

Por outro lado, Guedes disse que o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEM) foi bem-sucedido. “No mercado formal americano, em cinco, seis semanas, demitiram 30 milhões, e aqui nós impedimos a demissão de 10 milhões.

Houve, nesse período, uma demissão de em torno de 1 milhão de pessoas só no mercado formal, o que foi absolutamente excepcional, foi extraordinário”, afirmou.

Perdas – Guedes disse que o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) também será “muito bem-sucedido”. Ele ressaltou, porém, que o programa pode gerar “alguma perda”.

“Sabemos que deve haver alguma perda nesse programa, mas a nossa responsabilidade é conceder esses recursos. Isso explica até uma frase minha muito mal compreendida naquele vazamento de uma reunião ministerial onde eu dizia: ‘Olha, com as empresas grandes, nós vamos até ganhar dinheiro, agora, com as pequenas, não’”, destacou o ministro, referindo-se à reunião ministerial do dia 22 de abril, que teve o sigilo do vídeo retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro afirmou que, em nenhum momento, quis dizer que não haveria liberação de recursos para as pequenas empresas.

“Era justamente o contrário: é que, quando você empresta para um gigante, para uma companhia aérea, uma coisa assim, o governo tem que dar uma satisfação à população porque ele está salvando um gigante econômico; então, ele tem que ganhar algum dinheiro para fazer isso. Então, nós desenhamos as debêntures conversíveis exatamente para isto: eu salvo a empresa aérea, mas, quando ela voltar a voar e ganhar dinheiro, o estado ganhou dinheiro”, disse.

Segundo o ministro, no caso das pequenas empresas, a situação é diferente. “Já a pequenininha, não. Você vai dar dinheiro para milhares de pequenas empresas, e algumas podem realmente morrer no caminho e não conseguir pagar. Então, com as pequenas, a gente pode não ganhar dinheiro. Mesmo assim, daremos o crédito, foi isso que eu estava falando. E aí deformaram completamente a frase, dizendo que a gente não dá dinheiro para os pequenos para não perder”.

Investimentos – Na audiência, Guedes também afirmou que o governo tem “60, 90 dias” para destravar os investimentos no País.

“Saneamento, cabotagem, setor elétrico, petróleo, gás natural, tudo isso. É nesse sentido que vamos surpreender o mundo daqui a dois, três meses. Quando tivermos já realizado a volta segura ao trabalho, estaremos já disparando nossas ondas de investimento exatamente por esse trabalho de aperfeiçoamento do marco regulatório, do marco institucional brasileiro pelo Congresso. Esta é a nossa agenda de curto prazo: por um lado, o social, com a prorrogação do auxílio emergencial; por outro lado, o destravamento das fronteiras de investimento brasileiro”, afirmou. (ABr)

Restrições em CPF impedem acesso em MG

Dos mais de 35% dos pequenos negócios mineiros que buscaram empréstimo bancário desde o início da crise, quase metade (49,8%) não teve sucesso. É o que mostra a 4ª edição da pesquisa O Impacto da Pandemia de Coronavírus nos Pequenos Negócios.

O estudo ouviu 7.403 empresários em todo o Brasil, sendo 481 em Minas Gerais, entre 29 de maio e 2 de junho. O intervalo de confiança é de 95%.

Restrições no CPF e/ou negativação no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal)/Serasa foram as causas apontadas pela maioria (30,6%) dos que não conseguiram o empréstimo. Mais da metade (50,2%) dos pequenos negócios que buscaram crédito aguardam resposta (29,2%) ou já conseguiram empréstimo (21%).

O número de pequenos negócios que buscaram empréstimos bancários em Minas Gerais aumentou em relação à última edição da pesquisa, realizada entre 30 de abril e 5 de maio. Na terceira edição do levantamento feito pelo Sebrae, 27,8% das empresas disseram ter recorrido a empréstimos em bancos. No levantamento atual, mais de um terço (35,5%) das empresas pesquisadas afirmaram ter pleiteado crédito.

Os bancos públicos lideraram a corrida pelo crédito em Minas Gerais. Cerca de 63% dos pequenos negócios que buscaram empréstimo bancário no Estado recorreram, principalmente, à Caixa (46,5%) e ao Banco do Brasil (16,7%). O Itaú e o Santander foram os bancos privados mais procurados pelo segmento durante a crise, com 21% e 14% das demandas, respectivamente.

Endividamento – Mais de um terço (35,5%) dos pequenos negócios mineiros estão com dívidas em atraso. O percentual é menor que o registrado em nível nacional (41%) e na região Sudeste (40%). A maioria (64,2%) dos empresários consultados no Estado disseram não ter dívidas (35%) ou estar com os empréstimos em dia (29%). (Da Redação)

Ministério aprova empréstimo para projetos

Brasília – Três iniciativas nas áreas de saneamento básico e de apoio a micro, pequenas e médias empresas financiadas com recursos externos receberam aval do Ministério da Economia. A Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) aprovou o início da preparação dos projetos, avaliados em US$ 790 milhões – US$ 780 milhões e 7 milhões de euros (equivalentes a cerca de US$ 10 milhões).

Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o maior projeto, de US$ 750 milhões, será destinado ao Programa Global de Crédito Emergencial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia micro, pequenas e médias empresas afetadas pela pandemia do novo coronavírus. O projeto terá abrangência nacional.

A Cofiex também autorizou o BID a emprestar US$ 30 milhões para o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). O dinheiro será usado para Programa Global de Crédito para a Defesa do Setor Produtivo e o Emprego naquele estado.

O terceiro projeto aprovado é um financiamento de 7 milhões de euros do banco estatal de fomento alemão KfW Bankengruppe para ações complementares do Programa Águas do Sertão, no Ceará. Os recursos serão emprestados a fundo perdido, sem a necessidade de serem reembolsados.

Composta por representantes dos ministérios da Economia e das Relações Exteriores, a Cofiex aprova a primeira etapa da obtenção de empréstimos externos com garantia da União, quando o Tesouro Nacional cobre eventuais inadimplências em operações de crédito. Os projetos foram aprovados em reunião eletrônica, que ocorre no formato virtual durante a pandemia do Covid-19. (ABr)