Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes.

Brasília – O superávit em transações correntes do Brasil foi de US$ 1,326 bilhão em maio, terceiro mês consecutivo no azul, com a pandemia do novo coronavírus novamente guiando uma redução dos déficits registrados nas contas primária e de serviços, informou o Banco Central (BC) nessa quarta-feira (24).

O resultado foi o maior para o período desde maio de 2017, quando houve superávit de US$ 2,471 bilhões, mas ficou abaixo do superávit de US$ 1,9 bilhão esperado por analistas em pesquisa da Reuters.

Já os investimentos diretos no país (IDP) alcançaram US$ 2,552 bilhões em maio, superando expectativa de US$ 1,65 bilhão. Para junho, o BC previu um superávit em transações correntes de US$ 2 bilhões e IDP de US$ 3,5 bilhões. No mês até o dia 19, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 2,93 bilhões, divulgou a autoridade monetária.

O desempenho de maio foi obtido principalmente pelo recuo de 62% na conta de renda primária sobre igual mês do ano passado, a um déficit de US$ 1,303 bilhão.

Dentro dessa rubrica, entram as remessas de lucros e dividendos, que somaram apenas US$ 32 milhões em maio, frente a US$ 2,431 bilhões um ano antes. Por sua vez, os gastos líquidos com juros cresceram 27,8% na mesma base de comparação, a US$ 1,274 bilhão, afetados tanto pela redução das receitas quanto pela elevação das despesas.

Já o déficit na conta de serviços diminuiu 47,4% sobre maio de 2019, a US$ 1,717 bilhão. Nesse caso, a maior contribuição veio das despesas líquidas com viagens ao exterior, que somaram US$ 87 milhões, ante US$ 1,053 bilhão um ano antes, em um reflexo da diminuição do turismo em meio ao surto de Covid-19, além do dólar mais caro frente ao real.

O superávit da balança comercial caiu a US$ 4,205 bilhões em maio, contra US$ 5,017 bilhões no mesmo mês do ano passado.

Nos cinco primeiros meses do ano, houve déficit em transações correntes de US$ 11,3 bilhões, um rombo US$ 7 bilhões menor que o registrado no mesmo período de 2019.

Ano – Para 2020, o BC havia previsto um déficit em transações correntes de US$ 41 bilhões, projeção que deverá ser atualizada hoje no Relatório Trimestral de Inflação da autarquia.

Na pesquisa Focus mais recente, a expectativa dos economistas ouvidos pelo BC é de um rombo bem menor, de US$ 13,95 bilhões. (Reuters)

Ingressos líquidos em IDP alcançam US$ 2,5 bi

Brasília – Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 2,552 bilhões no mês passado, ante US$ 8,264 bilhões em maio de 2019. Esse resultado ficou acima do projetado pelo Banco Central (BC) para o mês: US$ 1,5 bilhão.

De janeiro a maio, o IDP chegou a US$ 20,595 bilhões, ante US$ 31,659 bilhões nos cinco meses de 2019. Nos 12 meses encerrados em maio de 2020, o IDP totalizou US$ 67,5 bilhões, correspondendo a 4,04% do PIB, em comparação a US$ 73,2 bilhões (4,27% do PIB) no mês anterior.

Os dados do BC mostram ainda saída líquida (descontada a entrada) de investimento em carteira no mercado doméstico de US$ 2,184 bilhões, contra US$ 285 milhões de saída líquida em igual período de 2019. No caso das ações e fundos de investimento, a saída totalizou US$ 1,639 bilhão. A saída líquida de títulos ficou em US$ 545 milhões.

De janeiro a maio deste ano, houve saídas líquidas de US$ 33,632 bilhões nesses tipos de investimento, contra a entrada líquida (entrada maior que a saída) de US$ 9,677 bilhões observados em igual período de 2019.

Neste mês, até o dia 19, houve entrada líquida de US$ 1,234 bilhão de investimentos em carteira, sendo US$ 823 milhões em ações e US$ 411 milhões em títulos.

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, não é possível afirmar se o resultado de junho indica uma mudança de tendência. Ele acrescentou que a situação da economia brasileira e mundial ainda é muito incerta. “Não temos condição de afirmar isso. Os fluxos de portfólio são muito voláteis”, disse.

Em 12 meses até maio, houve saída líquida de investimentos em carteira de US$ 50,9 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 1995. Inicialmente essa saída foi influenciada pelas reduções na taxa básica de juros, a Selic, que tornam o investimento estrangeiro em carteira menos atrativo.

Segundo Rocha, com a situação de incerteza gerada pela pandemia de Covid-19, muitos investidores preferiram retirar investimentos. “Os investidores buscam se antecipar e se manter mais líquidos em suas moedas de origem principalmente em dólar”, disse. Ele destacou que, desse total, a maior saída ocorreu em março, no valor de US$ 22 bilhões. (ABr)