No 1º semestre, volume de compras pagas com cartões teve aumento de 18% frente a 2018 - Crédito: Charles Silva Duarte

São Paulo – O ritmo de expansão do mercado brasileiro de meios eletrônicos de pagamentos pode ser afetado, nos próximos anos, se houver o retorno da cobrança de um tributo sobre transações financeiras nos moldes da CPMF, disse ontem o presidente da entidade que representa o setor (Abecs).

“Pode atrapalhar”, disse Pedro Coutinho a jornalistas ao ser perguntado sobre os possíveis efeitos da adoção do tributo sobre o mercado de cartões.

O comentário surge no momento em que membros do governo do presidente Jair Bolsonaro, como o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, têm defendido a adoção de um tributo sobre transações, como parte da proposta de reforma tributária.

No entanto, Coutinho disse que a eventual introdução do tributo não terá impacto suficiente para reverter o processo estrutural de substituição de cheque e dinheiro por cartões de débito e de crédito no pagamento de compras.

“Não acho que as pessoas vão voltar a encher o bolso de dinheiro (para fazer compras)”, disse Coutinho.

A Abecs divulgou ontem que o volume de compras pagas com cartões no Brasil somou R$ 850 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 18% ante mesma etapa de 2018. No segundo trimestre, o crescimento ano a ano foi de 19%, no maior ritmo de expansão em sete anos.

Com isso, a participação dos cartões no pagamento do consumo privado no País chegou a 45%. A expectativa atual da entidade é de que esse percentual chegue a 60% até 2022. (Reuters)