Guia do IBGC possui orientações que esclarecem a importância desse conceito para a longevidade da empresa familiar - Crédito: Divulgação

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) realizou na sexta-feira (22), na sede da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), na região Centro-Sul, o evento “Identidade familiar: reflexões para a longevidade dos negócios”, em comemoração aos 10 anos do Capítulo Minas Gerais do IBGC.

Na oportunidade, foi lançado o caderno “Identidade da Família Empresária – Um elemento de coesão para a continuidade dos negócios”, um guia com orientações que esclarecem a importância desse conceito para a longevidade da empresa familiar.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO foi convidado para falar da sua trajetória de 87 anos e sobre o processo de transição completado no mês passado, que levou a jornalista Adriana Muls a ser a primeira mulher a assumir a presidência do jornal.

Segundo o caderno, “toda identidade, sendo única e exclusiva, está relacionada ao reconhecimento que cada indivíduo (ou grupo) tem em si próprio. A identidade de uma família empresária geralmente começa a se construir a partir da identidade do próprio fundador da empresa, influenciado por diversos fatores, como traços culturais e regionais, espiritualidade, funcionamento da comunidade local e traumas emocionais.

Para a vice-coordenadora da Comissão de Empresas de Controle Familiar do IBGC, Cris Bianchi, a identificação de quais são os valores da família ajuda a determinar o propósito da empresa. “Quando identificamos os valores, identificamos os pontos fortes e as também as fragilidades da família e da própria empresa. Assim, somos capazes de atuar sobre eles, ressaltando os pontos fortes e corrigindo o que está fraco”, explicou Cris Bianchi.

A governança familiar é um sistema pelo qual a família desenvolve suas relações e atividades empresariais, com base em sua identidade e no estabelecimento de regras, acordos e papéis. O objetivo é obter informações mais seguras e mais qualidade na tomada de decisões, auxiliar na mitigação ou eliminação de conflitos de interesses, superar desafios e propiciar a longevidade dos negócios.

Foi dentro desse objetivo que o DC levou sua experiência para o evento. Ao lançar mão da linha do tempo, atravessou o século 20 – resistindo às diferentes crises econômicas e políticas vividas pelo País e pelo mundo, além das transformações culturais – e tem o firme propósito de enfrentar os desafios da era digital para continuar levando informações capazes de orientar a tomada de decisão do setor produtivo de Minas Gerais.

“Esse é um momento de grandes mudanças no mundo e o que vejo para o futuro é fazer um jornalismo com propósito e transformador. Se formos capazes de influenciar os outros meios de comunicação, teremos cumprido essa missão”, pontuou Adriana Muls.

“A narrativa do DC enriqueceu muito a apresentação do caderno. Ela ilustra muito bem o que é a identidade, enriqueceu muito o debate e contribui muito para que as pessoas enxerguem algo prático na publicação. Quando o DC vem aqui e conta uma história tão cheia de valores, ele concretiza para as pessoas tudo o que falamos”, afirmou a vice-coordenadora da Comissão de Empresas de Controle Familiar do IBGC.

Acostumado a contar a história das empresas mineiras e de outras que têm atuação no Estado, o DC colocou a própria história – iniciada pelo jornalista José Costa, em 1932, e comandada durante os últimos 21 anos por Luiz Carlos Costa – sob os holofotes para que ela sirva de alavanca para o próprio crescimento e de inspiração para outras empresas.

“A família Costa trouxe a base para toda uma governança nas empresas familiares. Trouxe o quanto a identidade da família é o primeiro passo para que a governança seja construída. Sem ela não há coesão, longevidade, não há a transformação de um negócio em algo que valha a pena”, avaliou a coordenadora do Capítulo Minas do IBGC, Mônica Cordeiro.

“Foi muito prazeroso participar desse encontro onde se discutiu a identidade familiar e ter a oportunidade de contar um pouco da história do DIÁRIO DO COMÉRCIO. O que alimentou essa história, quais foram os valores, os propósitos, a identidade, e que projeta essa história para o futuro. E falar do legado que a gente quer dar continuidade e deixar para o futuro”, completou a presidente do DC.

Processo de sucessão em curso

No Brasil, as maiores empresas, erguidas sobretudo no final da década de 50 ou no início da década de 60, na onda da industrialização do País, continuam sob o controle da família e vivem hoje, em sua maioria, um processo de sucessão.

De acordo com estudo feito pela Fundação Dom Cabral (FDC), na lista dos 200 maiores grupos empresariais brasileiros, 76 que são controlados por famílias respondem por quase um terço do faturamento total. “Se os processos de sucessão nessas companhias provocarem impacto negativo nos negócios, o efeito na economia do Brasil será enorme”, alerta David Braga, CEO, Board Advisor e Headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão, que atua em todos os setores da economia na América Latina

Diante de um mercado extremamente competitivo e com competidores atuando em nível global, é imprescindível ter, na futura geração das famílias, empresários preparados para enfrentar esse cenário e representar um novo ciclo. Essa preparação deve iniciar-se o quanto antes, tão logo os jovens comecem a pensar e a tomar decisões acerca de seu futuro profissional.

“E de nada adianta ter sucessores, se não tiver também tecnologia embarcada. É fundamental estar atento às novas tecnologias, modernizar a empresa. E as novas gerações podem contribuir para isso, uma vez que tecnologia é uma linguagem comum para elas”, ressalta Braga. (Da Redação)