Crédito: REUTERS/Remo Casilli

Washington – A epidemia de coronavírus já interrompeu o crescimento econômico na China e uma maior disseminação para outros países pode inviabilizar uma recuperação projetada “altamente frágil” para a economia global em 2020, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira (19).

Em uma nota para os ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20, o credor global mapeou muitos riscos que a economia global enfrenta, incluindo a doença e um aumento renovado das tensões comerciais entre EUA e China, além de desastres relacionados ao clima.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, disse que o surto é um lembrete de como os imprevistos podem ameaçar uma recuperação frágil e instou os formuladores de política econômica do G20 a trabalharem para reduzir outras incertezas ligadas ao comércio, mudanças climáticas e desigualdade.

“A incerteza está se tornando o novo normal”, escreveu Georgieva em um blog publicado no site do FMI. “Embora algumas incertezas -como doenças- estejam fora do nosso controle, não devemos criar novas incertezas onde possamos evitá-las.”

Apesar do surto, o FMI afirmou que está mantendo sua previsão de janeiro para um crescimento de 3,3% na economia global este ano, acima dos 2,9% de 2019. O dado representa um corte de 0,1 ponto percentual em relação à previsão de outubro.

O organismo disse que a recuperação seria superficial e poderia ser prejudicada pelo aumento das tensões comerciais ou por uma disseminação adicional da doença, que já havia interrompido a produção na China e poderia afetar outros países por meio do turismo, vínculos na cadeia de suprimentos e preços das commodities.

A China disse que ainda pode cumprir sua meta de crescimento econômico para 2020, apesar da epidemia. Georgieva disse que o FMI espera apenas uma pequena redução no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China, a menos que um surto prolongado agrave a desaceleração.

Mesmo nos melhores casos, a taxa projetada de crescimento global é modesta, disse Georgieva, instando os formuladores de política econômica do G20 a agir para reduzir as tensões comerciais, mitigar as mudanças climáticas e combater as desigualdades persistentes.

Ataques cibernéticos, uma escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio ou um colapso nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos podem impedir a recuperação global de curto prazo, disse o FMI.

Desastres relacionados ao clima, protecionismo e agitação social e política desencadeada pela desigualdade persistente representam mais riscos econômicos.

(Reuters)